quarta-feira, 31 de outubro de 2007

o silêncio habitado das coisas

Para ler de cima para baixo e de baixo para cima
(ou de outra forma qualquer).

asas de um silêncio livre
para saudar a noite cheia
aquele que um dia me deste
branco como as salinas
o tal silêncio do pássaro
que me pousas nas mãos
o silêncio
das fogueiras
que caminha
para o silêncio
de janelas abertas
tão cheias de ar e de tempo

o tal silêncio habitado das coisas

4 comentários:

Pitucha disse...

Fabuloso!
(Tu mandas-me um autógrafo? Sim?)
Beijos

NoKas disse...

genial! tá mto fixe!!!

OrCa disse...

Vou levar este teu poema para a próxima sessão das minhas Noites Com Poemas, que terá como convidado o José Jorge Letria. O tema será 'Porquê um poema?' e este teu exercício seduziu-me.

Ando um pouco cansado das 'polémicas' em volta da linguagem poética e outras coisas assim transcendentais e herméticas das quais, sugado o tutano, fica um triste osso cheio de osteoporose.

O mistério da expressão individual que tem artes de tocar o outro, através do casamento de palavras que ainda ontem mal se conheciam, será esse o segredo?

Se é, tens aqui um bom exemplo que, como bem dizes, pode ler-se em qualquer dos sentidos... e faz sempre sentido.

Outros há que, por mais que dêem bússulas às palavras, não se lhes vislubra rota nem discernimento, mas ai de nós se não lhes chamarmos poetas... (talvez escrevendo com 'u').

Beijos.

Anónimo disse...

Olá Ana
Gostei...como sempre.
Tenho saudades vossas e vim até aqui para vos recordar um pouco.
Um abraço.
E asas vivas de silêncio feliz.

sarabanda