não tem
ar
nem pés
nem céu
é
só um mar
sem sal
nem
pôr
do
sol
que cai
em mim
um mar
de dor
e fé
que vai
de cá pra lá
sem pé
sem ar
sem céu
e não tem
fim
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Faz-de-conta
Toco-lhe. E o bicho-de-conta faz-de-conta que é bola.
Dou-lhe um pontapé e ele rebola pé ante pé.
No final da calçada a bola desenrola e o bicho-de-conta dá por si noutro lugar.
Dou-lhe um pontapé e ele rebola pé ante pé.
No final da calçada a bola desenrola e o bicho-de-conta dá por si noutro lugar.
É o único animal invertebrado de Lisboa, sente-se só.
Não sabe o que se passou nem onde está.
Não sabe o que se passou nem onde está.
Há dias assim.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Cantiga
Um senhor muito composto atravessa a rua.
(Tem as costas muito direitas.)
Do lado oposto vem uma mulher nua
E encontram-se a meio da passadeira.
Passam à beira um do outro e cada um segue na sua.
A miúda vem formosa e bem segura.
E o senhor espreita,
vê-lhe a traseira
e logo fica cheio de tusa.
O senhor composto fica então muito descomposto
Com a gargalhada nua da miúda que atravessa a rua.
(Tem as costas muito direitas.)
Do lado oposto vem uma mulher nua
E encontram-se a meio da passadeira.
Passam à beira um do outro e cada um segue na sua.
A miúda vem formosa e bem segura.
E o senhor espreita,
vê-lhe a traseira
e logo fica cheio de tusa.
O senhor composto fica então muito descomposto
Com a gargalhada nua da miúda que atravessa a rua.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Margareta na bicicleta
A Margareta tinha sete, mascava chiclete e usava bandolete no alto da testa. Qual foguete em dia de festa vinha Margareta pela praceta em cima da sua bicicleta. Pois logo ali foi cair na valeta da praceta a pobre Margareta da bicicleta. E naquilo engoliu a chiclete, perdeu a bandolete e partiu a bicicleta. Tinha sete a Margareta e desde esse dia nunca mais foi foguete em dia de festa, por já não querer a bicicleta nem andar pela praceta a mascar chiclete. Dizem que a culpa é da valeta, mas eu acho que isso é tudo treta! A culpa é só de Margareta que, depois dos sete, já não quis a bandolete nem ser mais foguete.
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Sempre em pé
Pois é, cheiro a chulé e nem tenho pé. Désolée, mas sou um sempre em pé! Tenho cara de chimpazé e só sei cantar o giroflé. Bebi muita água-pé e estou resvés para cair. Portanto, s'il vous plaît, saia mas é da frente que ainda leva um pontapé.
Muito gosto eu da Salomé, é mais formosa que um canapé.
Sim, c'est vrai: sou um homem de fé. Daí estar sempre em pé.
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Costa dos ciclopes
Veio dar à costa uma pescada ignota e bem formosa. Vinha cheia de areia e deitada de costas a pobre pescada. (Estava quase morta: a boca tosca, a língua solta e os olhos abertos para a estrada). Já era tarde posta quando a bruxa maldisposta veio ver a tal pescada. E nessa altura já estava a fogueira acesa e a sereia cortada às postas. Disse a bruxa indisposta: "O belo para uns é comestível para outros" e de repente ficou contente e bem-disposta por achar que uma bruxa feia pudesse ser sereia para os ciclopes daquela encosta. E então, porque não?, endireitou as costas e comeu muito composta a posta da pescada ignota.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Arlequim
Cheirava a jasmim o meu primeiro amor e tinha um fato de muitas cores. Declamava: "Morra o Dantas! Morra!" e quando dizia: "Pim!", eu ria até ao fim do dia. Cantávamos juntos a canção do alecrim e os dias eram assim, brancos e macios como as mãos de cetim do meu arlequim.
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Toma lá, dá cá
Disse Abdullah a Alá: "Então pá, já sou presidente, estás contente?" e Alá pediu impaciente: "Opá, deixa-me cá beber o meu chá!". Abdullah sussurrou: "É para já!" e fez-se um silêncio profundo. Depois, querendo meter a colher, disse Alá a Abdullah: "Olha lá, que é feito do véu da tua mulher?" e Abdullah olhou para o céu, depois para Deus e respondeu: "Deixa lá a mulher e o seu véu. O presidente aqui sou eu!". "Mas eu é que sou Deus", respondeu Alá com cara má. "Aaaaaahh", exclamou Abdullah e enterrou-se caladinho no sofá. Disse Alá: "Anda lá, Abdullah, dá-me cá o véu! Tanto na terra como no céu, tudo é toma lá, dá cá!". Abdullah ficou sem ar e disse para o seu crachá: "Assim não dá!". Mas não há discussão possível com Alá. "E para que queres tu o véu?", lá perguntou Abdullah. E Alá recostou-se no sofá como um paxá e respondeu: "Do véu farei um chapéu do tamanho do céu para tapar os olhos dos ursos e abafar soluços. E tu, Abdullah, enfiarás o barruço". Abdullah tinha apanhado um grande susto, mas logo ficou contente por ser presidente e andar de barruço.
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Agosto
Entre, entre, Senhor Agosto, muito gosto, sente-se aqui neste encosto que eu ando bem coxo, o que o traz a este posto, belo cachopo, espero que seja o ar de Agosto e o fogo posto no corpo dos moços, venham inglesas mete-nojo com cinturinhas pele e osso, venham 40 graus e postas de bacalhau, haja grilos e mamilos tranquilos que eu ando farto disto, quero o povo em alvoroço e biquinis de mau gosto, que em Agosto é tudo nosso, não há desgostos nem impostos, só azeitonas sem caroços, pernas ao léu de tirar o chapéu e o resto é céu estrelado, um beijo doirado no novo namorado e noites longas como as ondas, um corneto da Olá a andar de cá para lá, uma cerveja para já, a praia da Rocha bem-disposta e a merenda às costas, a tenda atrás do arbusto (ai, que susto) e por que não, pois então, se o Verão é só isto, ó petisco, e já me dói o pescoço, ó Agosto, de estar a comer um caracol de olhos postos no sol.
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