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domingo, 9 de julho de 2017

Belgavista, a minha praia

Cruzes canhoto! Este blogue fez 10 anos e eu nem dei por isso.
1 ano + 2 + 3 + 4.
Pequenos recortes dos dias que eu vou colando aqui.
Estávamos em 2007.
Era verão. Os parques estavam bonitos. Os patos andavam contentes. E eu criei este blogue.
De vez em quando chovia. Acho eu. Não me lembro.
No início escrevia todos os dias. Com exultação e fúria. Contos muito curtos, quase fábulas. Depois passou-me a urgência. Comecei a escrever menos. Uma vez por semana, uma vez por mês. Textos sobre o céu, sobre o chão. Sobre o choro e a sede. A neve, o nevoeiro, a chuva. Uma praia feia, uma floresta mística. Os meus longos passeios em Bruxelas. A minha narradora ambulante, sempre de mãos nos bolsos. Os livros que leio, as canções que ouço. A felicidade das coisas menores. Por exemplo, beber cerveja. Descascar batatas. Escrever à mão.
Este blogue não é um diário. Acho eu. Não sei bem. É um espaço sentimental onde moram criaturas frágeis, personagens impossíveis.
Tenho sido feliz aqui. No meu parapeito lírico. A magicar feitiços. A cochichar segredos.
Sempre à coca de um sentido para a passagem dos dias.
Belgavista, a minha praia. Cheia de vento e melancolia.
Uma década inteira de folias breves.

sábado, 4 de julho de 2015

Belgavista aos 8 anos

O Belgavista é um mole.
Não tem esqueleto por fora nem por dentro.
Quando se assusta, larga tinta.
Tem uma cabeça e oito braços ou oito pernas, não dá para perceber.
Vive no fundo do mar. Sozinho. Dentro de uma gruta.
Por tudo isto, este blogue parece um polvo, mas não é um polvo. Também não é um molusco.
É um monstro marinho.

Faz oito anos hoje.
Oito anos, oito braços, oito pernas.

O monstro Belgavista agradece a todos os leitores que passam pela sua gruta.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Novo look

Este blogue foi ao gabinete de estética. Fez uma drenagem linfática, esticou o cabelo e a barriga, fez uma extensão de pestanas, pôs unhas de gel.
Depois deu-lhe na maquilhagem e talvez tenha exagerado no blush. As bochechas parecem dois pêssegos!
Este blogue está igual, mas diferente.

Sei lá.
Deu-lhe para aí.

Gajas.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Este blogue faz sete anos

Nasceram-lhe os primeiros incisivos. Aprendeu a assobiar. E a comer gelados sem sujar as mãos. Tem um humor mais agudo. Bebe coca-cola às escondidas. Às vezes não responde quando falam com ele. Nem sempre obedece. Passa mais tempo em frente ao espelho. Tem cabelo forte. Gosta de se pentear sozinho. Já não acorda a meio da noite. Conta histórias muito compridas. Às vezes mente. Outras vezes omite. Ou finge que não ouve. Tem uma caligrafia bonita. Está sempre sujo e transpirado. Fala aos gritos. Quer ter um cão e um skate. Quer roubar aos ricos e dar aos pobres. Tem bom aproveitamento. Bom comportamento. Bons amigos. Faz castelos na areia. Fica a olhar para os aviões. Gosta de estalar os dedos. E de fazer o pino.
Parece mesmo uma pessoa.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Blogueira belga

Era uma vez uma blogueira belga. Para o caso de não saberem, a blogueira é uma espécie de árvore de folhas caducas, em geral, de pequeno porte, oriunda do hemisfério norte. A flor de blogueira é bem boa para fazer chá ou então para temperar vitela. O fruto da blogueira chama-se blogue. Trata-se de um fruto espalmado que pode ter várias cores. Os mais saborosos são amarelos. Os mais nanhosos têm muco e são verdes. Há também blogues castanhos e outros pretos, mas estes têm caroço e vontade própria. Às vezes mordem, o que pode ser perigoso. Há quem coma blogues crus, mas eu por acaso prefiro blogues maduros. É uma questão de gosto. Mas então, voltando ao que eu estava a dizer: Era uma vez uma blogueira belga que morava numa praceta há coisa de quinhentos anos e ultimamente os dias eram sempre iguais, porque a blogueira, além de não ter pernas para andar, vivia na Bélgica, que é um país extremamente aborrecido com uma família real tão nhonhó que só muito raramente é notícia. Ora, um dia, há precisamente seis anos, a blogueira belga acordou bastante zangada, porque estava cheia de pássaros na cabeça e isso dava-lhe imensa comichão. Além disso, andava farta de apanhar com chuva em cima. Sentia que a sua vocação não era aquela, de estar assim no meio da praceta de braços abertos como um espantalho. E então, de súbito, para exercitar os braços e libertar a energia negativa, pegou num blogue amarelo e vicoço e atirou-o contra uma rapariga que ia a passar. A blogueira escangalhou-se a rir, porque a transeunte levou mesmo com o blogue nas trombas. Era uma jovem rapariga que, nesse instante, estava precisamente de trombas, mas ganhou logo outro ânimo quando olhou para o blogue que lhe tinha ido parar aos braços. Inspirada por aquele amor de água fresca, a rapariga pegou, trincou e meteu-o na cesta. O blogue, de início, quis apodrecer e morrer de vez, mas depois lá se habituou à tal água fresca e ganhou vida. 
Isto para dizer que esse blogue chamado Belgavista faz 6 anos hoje. 
A blogueira, não sei, porque nunca mais passei nessa praceta, mas creio que deve ter morrido de tédio pouco tempo depois.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Este blogue passa a vida a mudar de look.

1.º leitor – Este blogue passa a vida a mudar de look.
2.º leitor – Pois. É escrito por uma mulher...
1.º leitor – Como é que sabes?
2.º leitor – As mulheres passam a vida a mudar de look!
1.º leitor – Os homens não mudam de look?!
2.º leitor – Mudam, claro. Mas é diferente.
1.º leitor – É diferente?
2.º leitor – Sim. Os homens mudam de look com o tempo. Porque ficam carecas e gordos.
1.º leitor – E as mulheres não mudam de look com o tempo?
2.º leitor – Mudam, claro. Mas, além disso, também mudam de look quando lhes apetece. Dá-lhes pr'aí!
1.º leitor – As mulheres mudam quando lhes apetece?
2.º leitor – Sim.
1.º leitor – Mas isso é fantástico! As mulheres têm super poderes?
2.º leitor – Não. As mulheres têm problemas de identidade.
1.º leitor – As mulheres mudam de look porque têm problemas de identidade?
2.º leitor – Sim.
1.º leitor – E os homens? Não têm problemas de identidade?
2.º leitor – Têm, claro, mas disfarçam mais. Daí não mudarem de look só porque lhes apetece!
1.º leitor – As mulheres mudam de look para exibir os seus problemas de identidade?
2.º leitor – Sim.
1.º leitor – As mulheres gostam de exibir os seus problemas de identidade?
2.º leitor – Sim. Para atraírem os homens!
1.º leitor – Os homens sentem-se atraídos por problemas de identidade?
2.º leitor – Não.
1.º leitor – Então qual é a lógica?
2.º leitor – Nenhuma…
1.º leitor – Isso parece-me tudo muito complicado.
2.º leitor – As mulheres são muito complicadas.
1.º leitor – Porquê?
2. º leitor – Porque têm problemas de identidade.
1.º leitor – Bolas, coitados dos homens…
2.º leitor – Podes crer.
1.º leitor – Este blogue tem problemas de identidade?
2.º leitor – Claro. É escrito por uma mulher...
1.º leitor – Coitadinho do blogue!
2.º leitor – Coitadinhos mas é de nós!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Olha, este blogue morreu. - Parte II

...

Leitor 2 – Mas as pessoas podiam deixar de cá vir e pronto.
Leitor 1 – Pois podiam.
Leitor 2 – Aliás, nem percebo como é que continuam a vir, se não se passa nada aqui.
Leitor 1 – Pois, mas já sabes como são os leitores... Afeiçoam-se!
Leitor 2 – Ao blogue?
Leitor 1 – Não, ao sapo.
Leitor 2 – Os leitores afeiçoaram-se ao sapo?
Leitor 1 – Claro. Só ele é que mantém este blogue a mexer.
Leitor 2 – Bem, nesse caso, o sapo deve estar todo contente.
Leitor 1 – Pois deve. Toda a gente o mima.
Leitor 2 – Está mais gordo que eu sei lá.
Leitor 1 – Pois está.
Leitor 2 – A morte de uns é a fartura de outros.
Leitor 1 – Credo! Isso é algum ditado?
Leitor 2 – Não, acho que não.
Leitor 1 – Achas que o sapo está contente com a morte do blogue?
Leitor 2 – Então, não se vê logo?!
Leitor 1 – Opá! Tu queres ver que foi o sapo que matou o blogue?
Leitor 2 – Olha, se calhar foi.
Leitor 1 – Achas?!
Leitor 2 – Acho. Os sapos são do piorio.
Leitor 1 – Mas este sapo é um príncipe!
Leitor 2 – É?
Leitor 1 – É. Está lá escrito. É um príncipe encantado.
Leitor 2 – Então ainda pior. Os monarcas são completamente doidos.
Leitor 1 – Mas que motivo teria o príncipe encantado para matar o blogue?
Leitor 2 – Não sei. Se calhar queria a atenção dos leitores.
Leitor 1 – Ou se calhar estava deprimido.
Leitor 2 – Se calhar.
Leitor 1 – Ou então com fome.
Leitor 2 – Pois. Queres ver que o sapo comeu o blogue?
Leitor 1 – Olha, é bem possível.
Leitor 2 – Pois é...
Leitor 1 – ...
Leitor 2 – Cabrão do sapo.
Leitor 1 – Podes crer.
Leitor 2 – Então, e agora?
Leitor 1 – Agora o quê?
Leitor 2 – Temos de fazer alguma coisa!
Leitor 1 – Pois temos.
Leitor 2 – Mas o quê?
Leitor 1 – Olha, eu vou continuar a dar de comida ao sapo.
Leitor 2 – O quê?! Mas o sapo comeu o blogue.
Leitor 1 – Pois comeu. Estava com fome, coitadinho! Temos de alimentar o sapo.
Leitor 2 – Não! Nós devíamos era matar o sapo!
Leitor 1 – Matar o sapo?! Porquê?!
Leitor 2 – Porque comeu o blogue.
Leitor 1 – Bolas, também não é preciso matar o sapo por causa disso.
Leitor 2 – Achas que não?
Leitor 1 – Claro que não! Coitadinho do sapo.
Leitor 2 – Então, e não tens pena do blogue?
Leitor 1 – Eu não! Que raio de blogue se deixa comer por um sapo?!
Leitor 2 – Sim, tens razão.
Leitor 1 – Era, no mínimo, um blogue fraquinho.
Leitor 2 – Pois era.
Leitor 1 – E, além disso, não dava de comer ao sapo.
Leitor 2 – Pois não.
Leitor 1 – ...
Leitor 2 – Cabrão do blogue.
Leitor 1 – Podes crer.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Olha, este blogue morreu. - Parte I

Leitor 1 – Olha, este blogue morreu.
Leitor 2 – O quê? Não me digas isso.
Leitor 1 – Ai, digo, digo.
Leitor 2 – A sério? Mas eu não dei por nada.
Leitor 1 – Não deste por nada?!
Leitor 2 - Não, não dei por nada. Achava que ele até estava com boa cara.
Leitor 1 – Como assim, com boa cara?!
Leitor 2 – Opá, com boa cara! Na última vez que o vi continuava com uma corzita saudável e até dizia umas coisinhas.
Leitor 1 – Até dizia umas coisinhas?! Há dois meses e um dia que este blogue não diz absolutamente nada.
Leitor 2 – A sério?! Não reparei…
Leitor 1 – Como é possível ver um blogue e não reparar que o tipo está morto?!
Leitor 2 – Opá, nesse dia estava cheio de pressa. Passei por ele, vi-o assim com os olhos muito abertos e parti do princípio de que estava vivo e de boa saúde. Mas afinal estava morto, coitado.
Leitor 1 - Pois estava.
Leitor 2 - Os peixes, quando morrem, também ficam assim, com os olhos escancarados.
Leitor 1 – E cheiram mal como tudo.
Leitor 2 - Quem? Os peixes?
Leitor 1 - Não, os blogues.
Leitor 2 - A sério? Mas o blogue não me cheirou mal.
Leitor 1 - Se calhar, não te aproximaste muito.
Leitor 2 – Pois não. Por acaso, até reparei que ele estava assim murxito, mas achei que podia estar só deprimido.
Leitor 1 – Pois podia.
Leitor 2 – Então, se calhar até estava.
Leitor 1 – Se calhar.
Leitor 2 – Nesse caso, pode não estar morto.
Leitor 1 - Pois, pode não estar morto. Mas também não está vivo.
Leitor 2 - Mas repara que o sapo aqui em baixo ainda mexe.
Leitor 1 – Mas isso é porque as pessoas lhe dão de comer.
Leitor 2 – A sério?!
Leitor 1 – Claro! Tu não dás de comer ao sapo?!
Leitor 2 – Eu não. Nem sabia que se podia dar de comer ao sapo.
Leitor 1 – Podes, claro. Vais lá com o rato, clicas e depois há assim uns mosquitos a voar que o sapo come.
Leitor 2 – E ele come mesmo?!
Leitor 1 – Come, pois. Lança uma língua super rápida.
Leitor 2 – A sério?!
Leitor 1 – A sério.
Leitor 2 – Que giro! Nunca tinha reparado. Então, os leitores vêm cá dar de comer ao sapo?
Leitor 1 – Vêm, claro. Não se faz mais nada neste blogue há dois meses e um dia.

(continua)