quarta-feira, 5 de abril de 2017

Feira do Livro Infanto-juvenil de Bolonha

A convite do Hay Festival, estive na Feira do Livro Infanto-juvenil de Bolonha com a diretora da programação infanto-juvenil do Hay Festival, Julia Eccleshare, o editor e tradutor britânico Daniel Hahn e a escritora norueguesa Nina Elisabeth Grøntvedt, no evento "Hay Festival's Aarhus 39 list - a collection of the best emerging writers for young people from across Europe".
Foram dois dedos de conversa bem boa sobre escrita, viagens, tradução e literatura infanto-juvenil.




À tarde passei pelo belíssimo stand da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, da autoria de João Fazenda, vencedor do Prémio Nacional de Ilustração.




E pousei várias vezes no Planeta Tangerina.



Felizmente ainda deu tempo para dar um abraço a Grace Silva da El Naranjo, editora mexicana do Supergigante.


Mamma mia!
Foi belíssimo!

quarta-feira, 29 de março de 2017

terça-feira, 21 de março de 2017

Crianças com soldadinho

Está vento no mundo e também em Bruxelas. Uma fúria invisível a soprar a existência. Está tudo tão emaranhado. Não dá para ler nem escrever. Eu cá pareço uma planta enfiada na terra e não é nada mau ser uma planta enfiada na terra. As plantas estão tão bonitas agora. Olha para elas. Neste momento não vejo nenhuma planta, porque estou precisamente debaixo da terra. À espera do metro. Hoje é dia 21 de março.
Dei o meu primeiro beijo no dia 21 de março, por acaso. É mesmo verdade. Tenho jeito para datas. Sempre tive jeito para datas. Uma vez plantei uma árvore no dia 21 de março, Dia Mundial das Florestas.
O metro chega abespinhado. Gosto deste adjetivo: abespinhado.
Entro numa carruagem que vem cheia de crianças. Falam muito alto. Não percebo o que dizem, mas rio-me na mesma. Toda a gente se ri, menos a professora, coitada. A professora é macambúzia a dar com um pau. Dá ordens o tempo todo. Senta-te. Vira-te. Agarra-te. De vez em quando exalta-se. Grita: Michel, calme-toi!
As portas abrem-se. No dia 21 de março, Dia Universal do Teatro.
Um soldado entra. Vem muito bem armado e apessoado, a farda verde e castanha, uma boina no toutiço. As crianças param de falar e olham para ele, até mesmo o tal Michel, que agora só tem olhos para o militar. Na perspetiva das crianças, o soldado é enorme. Parece um penedo visto de baixo. As crianças sorriem para o soldado gigante e o soldado sorri para elas. Um momento de silêncio para a professora, que agora também sorri e agita a cabeça para endireitar o cabelo. Uma criança pergunta: O que tem dentro desse bolso? O soldado balbucia qualquer coisa, mas eu não percebo o que diz. Talvez diga: Neste bolso trago munições para a minha metralhadora. Uma criança pergunta: E naquele bolso? Não percebo a resposta, mas imagino: Neste aqui trago umas granadas. Uma das meninas toca no soldado com a ponta dos dedos. A professora diz: Deixa o senhor em paz. A menina sorri, o soldado sorri. Uma criança pergunta: E isso aí pendurado no cinto? É outra arma? O soldado explica: É um bastão. A professora acrescenta: Como o dos polícias de verdade. Uma criança pergunta: O senhor não é um polícia de verdade? O soldado diz: Não. Sou um soldado. Uma criança pergunta: Quem é que vale mais: um polícia ou um soldado? O soldado ri-se. Uma criança tenta adivinhar: É um polícia! E outra diz: É um soldado! Os adultos ficam atentos, porque também querem saber a resposta. Mas o soldado não responde e a professora também não, porque também não devem saber a resposta. As crianças fazem mais perguntas. O que é essa coisa esquisita em cima da arma? O soldado mexe na coisa esquisita. Diz: É um apoio para o ombro, para ser mais confortável. Uma criança pergunta: Para ser mais fácil transportar? Ele diz: Para ser mais fácil disparar. Uma criança finge disparar com o dedo indicador. Pum!
De repente uma travagem brusca. As pessoas abanam, mas não caem. As crianças gritam, como se estivessem na montanha-russa. Os adultos riem-se muito, à exceção do militar. Está muito concentrado na sua missão ao serviço do exército. No dia 21 de março de 2017, véspera do aniversário dos atentados em Bruxelas.
A professora diz: Meninos, temos de sair aqui. Os meninos dizem bem alto: Ooooooooooooh! A professora diz: Digam adeus ao soldado. Os meninos dizem adeus ao soldado. Eu também digo adeus ao soldado.
As crianças saem da carruagem e fazem uma fila indiana. Vão duas a duas, de mão dada. Estão muito concentradas e bem comportadas. Parecem soldadinhos de chumbo.
Hoje é dia 21 de março, Dia Mundial da Poesia. E não há nada de poético nisto. Acho eu.

Mary John na Antena 3

No fim de semana, a Mary John passou também pelo programa "Domínio Público" da Antena 3.
A conversa com Sandy Gageiro passou logo a seguir ao "Elixir da Eterna Juventude" do Sérgio Godinho (minuto 27) e imediatamente antes das "Dunas" dos GNR: http://www.rtp.pt/play/p2023/
Ui! Bateu logo aqui uma nostalgia.

domingo, 19 de março de 2017

Mary John na TSF

A Mary John passou hoje à tarde pela TSF, onde esteve em amena conversa com a jornalista Joana Reis.
No programa "Pais e Filhos" deste domingo há espaço para psicologia e literatura. Fala-se do papel do pai na família, do valor da adolescência na construção de uma identidade e da importância da poesia nos transportes públicos!
Tudo isto acontece em pouco mais do que trinta minutos, porque enfim... "tudo o que se passa, passa na TSF".

quinta-feira, 16 de março de 2017

Aarhus 39 - "Celebrating Europe's Best Emerging Writers for Young People"

Olhem que baril!
Ontem, na Feira do Livro de Londres, foi divulgada a lista dos 39 escritores europeus de literatura infanto-juvenil com menos de 40 anos considerados mais promissores. É uma lista, toda ela, promissora, repleta de autores tenrinhos que vêm todos os cantos da Europa.
E agora espantem-se! A representar Portugal estamos eu e o David Machado.
Até fiquei com soluços.
A lista completa dos 39 autores mora aqui.




A iniciativa, lançada pelo Hay Festival e pela Capital Europeia da Cultura 2017, inclui a edição de duas antologias de contos em inglês e dinamarquês e a realização do festival Aarhus 39, o primeiro Festival Internacional de Literatura Infanto-juvenil, que terá lugar em outubro em Aarhus (Capital Europeia da Cultura), na Dinamarca.
Yupiiii!
Estou feliz até mais não.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Pareço um queijo da serra!

Aqui fica um pequeníssimo registo fotográfico da minha passagem curta e intensa pelo cenário escolar, académico e bibliotecário em Portugal.

Regresso a Bruxelas de alma supergigante e amanteigada. Pareço um queijo da serra!
Nada disto teria acontecido sem o apoio da Fundação Lapa do Lobo e o entusiasmo de alunos, estudantes, formandos, bibliotecários e professores.


Na Biblioteca Municipal de Ílhavo, onde me encontrei com alunos de 3.º ciclo de Ílhavo, Gafanha da Nazaré e Gafanha da Encarnação.



Na Universidade de Aveiro, na companhia da professora Diana Navas, que falou das tendências da literatura juvenil no Brasil.



Na escola de Carregal do Sal com os leitores supergigantes Filipe, Ana Rita, Daniela e Pedro.



No inesquecível Concurso de Oratória dedicado ao Supergigante que decorreu na Fundação Lapa do Lobo. Muita emoção e nervos à flor da pele!



No workshop de escrita criativa, na Fundação Lapa do Lobo.

Agradeço em especial, e do fundo da minha existência, à professora Ana Margarida Ramos, à doutora Inês Vila e à doutora Ana Lúcia Figueiredo pelo seu profissionalismo e dedicação.