sábado, 15 de dezembro de 2018

Jovens Criadores no Plano Nacional de Leitura

Ho ho ho! Olha, que nice! “Como desenhar o corpo humano” é um dos livros recomendados pelo Plano Nacional de Leitura para leitores adolescentes e adultos.
Já vos disse que tenho uma relação emocional com os Jovens Criadores, né?



“A colectânea é bem o testemunho do início criativo de muitos autores que fazem hoje parte do panorama literário nacional (...). Em alguns destes textos, uns com carácter mais irreverente e/ou experimental, o leitor pode já delinear marcas de estilo que se irá descobrir mais tarde na obra editada destes escritores.”
Texto completo: http://catalogolx.cm-lisboa.pt/ipac20/ipac.jsp?session=&profile=pnl2027&source=~!rbml&view=subscriptionsummary&uri=full=3100024~!462843~!23&ri=5&aspect=subtab11&res=298&menu=search&ipp=1&spp=1&staffonly=&term=*&index=.GW&uindex=&menu=search&ri=5


terça-feira, 27 de novembro de 2018

Dez quilos de identidade

O meu filho com um ano de idade. Com os seus caracóis. Com aquele ar compenetrado de quem tem uma opinião sobre o assunto. O meu filho a franzir o sobrolho. A olhar para um livro. A comer pão. A pigarrear como um velhinho. Um entendimento qualquer nos olhos. Uma certa paz nos gestos. Como se já tivesse cá estado antes. O meu filho a esfregar o olho. A puxar os botões do casaco. A rasgar uma folha. A morder o sofá. A gatinhar. A estrebuchar. A rir. A dormir. A gritar. A chorar. A bater no espelho. A bater na máquina de lavar roupa. A enfiar-se no alguidar.
O meu filho cada vez mais real. A existir cada vez mais. Tão grande. Tão pequeno. Com ranho no nariz. Com a chupeta ao contrário. Com o macaquinho pela mão. Com cócegas nos pés.
O meu filho, com dez quilos de identidade. Que eu compreendo cada vez mais, mas não conheço nada bem. 
Tão íntimo. Tão nosso. Tão meu.
Tão daqui e dali. E ao mesmo tempo tão misterioso. Tão ele. Tão desconhecido.
O meu filho a existir neste mundo, mas ainda não completamente. Não anda, não desanda, não fala. 

E eu fico aqui assim, a vê-lo existir, com a certeza pasmada de que ainda não sei quem ele é, de que nunca vou saber. O meu filho ri-se e bate palmas. É um ser humano de carne e osso.


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Mary John na Cidade do México

¡Mira quién va a México!
No próximo domingo, a Mary Jo vai entrar de rompante pela FILIJ - Feria Internacional del Libro Infantil y Juvenil da Cidade do México.


Eu não vou lá estar e tenho pena, claro. Gostava à brava de assistir a esta conversa entre a autora Martha Riva Palacio Obón e a "booktuber" Alejandra Arévalo. Além disso, gostava de dar a mãozinha à Mary Jo, né?
Fogo... Mãe é mãe!

Boa sorte, Mary Jo! És tão jovem, tão ingénua, tão azul. Só me trazes alegrias.

Mega edição das Ediciones El Naranjo com uma tradução impec da Paula Abramo.

sábado, 3 de novembro de 2018

"Como desenhar o corpo humano" no Deus me Livro

A antologia dos Jovens Criadores
"Como desenhar o corpo humano" está em destaque no Deus Me Livro: http://deusmelivro.com/mil-folhas/como-desenhar-o-corpo-humano-v-a-24-10-2018/



Texto de Natacha Cunha:

"Da prosa à poesia, há aqui textos para todos os gostos, capazes de desafiar as fronteiras entre géneros e romper com convenções literárias. Estruturas inovadoras que acompanham temas diversos, dos quais sobressai a imaginação. Desde o diário de viagem ao drama, da saga infantil ao humor, até mesmo ao “prontuário existencial”, a leitura é uma viagem pela criatividade, numa celebração da inovação da juventude e da ideia de literatura enquanto exercício de liberdade."

Oh yeah!
Juventude, literatura e liberdade. É do que este mundo precisa.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O meu bruxedo doméstico

Ocorreu-me agora que passei o Dia das Bruxas na cozinha. Entre outros feitiços, fiz uma sopa de legumes para aquecer a psique e curar os males do mundo. É um ritual simples, mas ainda assim mágico.
Primeiro lavei os legumes. Brócolos, tomate, feijão verde. Nabo, beringela, beterraba. A natureza bela, com todas as suas formas, todas as suas cores. Cortei os legumes às fatias no meu altar de madeira e atirei-os para o caldeirão. A água sagrada a fervilhar de entusiasmo. No final disse a minha reza e lancei uma pitada de sal. Seguiu-se o tempo da espera e do feitiço. Oxalá o remédio surja. Oxalá a humanidade vença. No final provei a minha poção mágica com a colher de pau.
Não era má, a sopa. Era boa.
Ao menos isso.
Neste planeta Terra, tão virado do avesso, em que todos os sonhos parecem falhar, eu escolho o deslumbre das coisas domésticas, tão verdadeiras que parecem encantadas.
Uma colher de pau. Uma pitada de sal. E uma sopa de legumes.
Eis o feitiço do Dia das Bruxas. A minha magia real. O meu bruxedo doméstico.
Enquanto houver esperança, hei de voltar ao caldeirão. Para imaginar a magia. E salvar a inspiração.


domingo, 28 de outubro de 2018

Prémio Literário Maria Rosa Colaço 2018

Ui. Estou emocionada até à pontinha dos cabelos. Ontem estive em Almada para receber o Prémio Literário Maria Rosa Colaço, este ano dedicado à Literatura Juvenil. O meu novo texto juvenil chama-se "Aqui é um bom lugar" e não é um romance nem uma novela. É um conjunto de reflexões curtas e lacónicas da Teresa Tristeza, uma moça de 17 anos que, ao longo do 12.o ano, escreve um diário gráfico. O livro está já nas mãos da supergigante Joana Estrela e deve chegar às livrarias em abril de 2019 às cavalitas do sempre astronómico Planeta Tangerina. Tão tão tão nice.


Da esquerda para a direita: Carla Pais, vencedora do Prémio Literário Cidade de Almada, José Manuel Mendes, Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, Inês de Medeiros, Presidente da Câmara Municipal de Almada, Sara Reis da Silva, Professora da Universidade do Minho, e moi-même.


quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Uma bagunceira que eu sei lá

Olho para a minha casa. Uma bagunceira que eu sei lá. Tudo tão fora do sítio, tudo tão sem nexo. 
Um casaco na casa de banho. Uma chupeta no bolso. Um papel no chão. 
Entro no quarto e apanho o meu reflexo no espelho. Toda eu uma desordem completa. 
Pego no papel que anda pelo chão: uma lista de coisas que nunca cheguei a fazer. Não sei onde largar o papel, por isso deito-o no lixo. 
Brinquedos espalhados pela sala. Ideias espalhadas pela cabeça. Roupa pendurada nos estendais. O meu cansaço pendurado nas cadeiras. O secador de cabelo em cima do armário. Um par de meias em cima da secretária. Uma toalha em cima da cama. Um coelhinho debaixo do sofá. E os livros. Livros na mesa de jantar. Livros na cómoda do quarto. Livros empilhados no chão. Uma pilha de livros muito mal empilhada, a bem dizer. Não tarda caem. Uma caixa de lenços vazia. Um pacote de leite vazio. 
Sacos de roupa emprestada. Sacos de roupa para emprestar. Sacos de coisas para a cave. Sacos de coisas para o lixo. Tanta tralha. Ao fundo, uma mochila olha para mim desanimada, encostada à parede. O rato Mickey está para ali tombado para o lado com as suas mãozinhas insistentes. As plantas cheias de sede. O meu filho cheio de ranho. Eu cheia de sono. O meu cabelo tão fora do controlo, tão desgovernado, coitado. Eu sou uma balbúrdia por dentro e por fora. 
Ainda assim, ao longe, no fim da tralha, no fim de tudo, há sempre aquela esperança. Uma esperança pequenina largada a um canto. Uma esperança, também ela, desordenada. Com uma voz muito fininha. A dizer baixinho: um dia havemos de dar a volta a isto. Eu, ele, nós, eles. 
Quem sabe. Talvez. Quiçá. Um dia destes. No fim de semana. Ou então na próxima semana. Ou nos feriados de novembro. Num futuro próximo, decerto. Mas hoje não. Hoje olhei para a escultura minorca que mora em cima da lareira e fiz como ela. 



Fechei os olhos a esta balbúrdia e fiquei por aqui a escrever sobre isso. A escultura chama-se "Preguiça" e vem assinada: J. R. Não faço ideia quem seja esta pessoa. É pena. 
Bocejo e deixo-me ficar nesta lerdice pegada. A máquina da roupa chega ao fim do ciclo e apita, mas eu não ouço. Eu não moro nesta casa. Estou distraída a escrever este texto. 
Eu vivo de lirismo e fantasia. 
Eu escrevo para arrumar a cabeça. 
Para dar sentido aos dias. Para fugir. 
Para existir. 
Para chegar a casa.