domingo, 9 de julho de 2017

Belgavista, a minha praia

Cruzes canhoto! Este blogue fez 10 anos e eu nem dei por isso.
1 ano + 2 + 3 + 4.
Pequenos recortes dos dias que eu vou colando aqui.
Estávamos em 2007.
Era verão. Os parques estavam bonitos. Os patos andavam contentes. E eu criei este blogue.
De vez em quando chovia. Acho eu. Não me lembro.
No início escrevia todos os dias. Com exultação e fúria. Contos muito curtos, quase fábulas. Depois passou-me a urgência. Comecei a escrever menos. Uma vez por semana, uma vez por mês. Textos sobre o céu, sobre o chão. Sobre o choro e a sede. A neve, o nevoeiro, a chuva. Uma praia feia, uma floresta mística. Os meus longos passeios em Bruxelas. A minha narradora ambulante, sempre de mãos nos bolsos. Os livros que leio, as canções que ouço. A felicidade das coisas menores. Por exemplo, beber cerveja. Descascar batatas. Escrever à mão.
Este blogue não é um diário. Acho eu. Não sei bem. É um espaço sentimental onde moram criaturas frágeis, personagens impossíveis.
Tenho sido feliz aqui. No meu parapeito lírico. A magicar feitiços. A cochichar segredos.
Sempre à coca de um sentido para a passagem dos dias.
Belgavista, a minha praia. Cheia de vento e melancolia.
Uma década inteira de folias breves.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Feria del Libro de Madrid

¡Estupendo! Passei o domingo à tarde na Feria del Libro de Madrid con mi hermana Joana Estrelahablando de literatura infanto-juvenil para miúdos e graúdos. 
¡Qué bueno!

Eu e a Joana Estrela no pavilhão infantil na Feira do Livro de Madrid, onde Portugal foi o país convidado.

Livros belíssimos no stand da Ler Devagar na Feira do Livro de Madrid.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Aarhus 39 - "Stories of journeys from around Europe"

Que grande viagem!
Ontem, no Hay Festival, algures no País de Gales, foram lançadas as coletâneas dos autores Aarhus 39. Intituladas Quest e Odyssey, as duas coletâneas de contos infanto-juvenis foram publicadas em língua inglesa pela editora Alma Books.


A minha história ("O Poço Azul") está incluída na coletânea Odyssey. Conta com ilustrações fofinhas de Helen Stephens e uma tradução atenta de Alison Entrekin. 
Para mim e para muitos destes 39 autores europeus, é a primeira vez que publicamos em língua inglesa! Lançamo-nos ao mundo com histórias sobre viagens, ao melhor estilo europeu.
Já tinha falado desta nossa odisseia aqui e aqui
A todos os escritores, ilustradores e leitores, uma boa viagem!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Uma carta do Brasil!

Que legal! Recebi uma carta do Brasil. Na verdade chegou por email, em formato jpg, mas é uma carta a sério. Enviou-ma a professora bibliotecária Solange Rosati da escola SESI-SP CE123 de Sorocaba.
Onde fica Sorocaba?
Fui ver.
No Estado de São Paulo. A mais de 9 mil quilómetros de distância.
Maria Eduarda, menina empolgada de 12 anos, escreveu esta carta em nome dos seus colegas do 7.º ano.
Deste primeiro contacto resultará em breve um encontro virtual entre mim e alguns alunos de Sorocaba.
Estou aqui em brasas. A 9 mil quilómetros de distância. Cheia de vontade de atravessar o oceano a nado!
[Transcrição em baixo]


Transcrição:

Ana Pessoa
Que honra poder estar mandando uma carta para a rapariga karateca! Acredito que seja você! Imagina só!!! Ana Pessoa, [há-de?] morrer de amor .
De onde sai tanta imaginação? E essas personagens? São as melhores, com certeza!
É uma mistura de passado e presente, sentimentos, gostos e medos. Tudo isso resumido em personagens. São as personagens o que diferencia você! Você é única! Afinal, quem é N? As histórias são verdadeiras? Você escreve o que sonha? Tantas perguntas. Não dá nem para selecionar algumas. DEVE haver uma resposta para cada uma, e eu sei qual é. Tudo isso vem desse maravilhoso poço de vida! Que nos [traz] as terríveis dúvidas durante toda leitura, esse suspense sobre o que vai acontecer. É isso, é essa essência que você tem e que nunca irá faltar, sua imaginação, a minúscula observação que pode mudar totalmente a história, e até mesmo a vida da personagem. Edgar deixa tantas coisas para trás, está à procura da essência da vida, de sua própria essência.
Bom, acho que já escrevi bastante! Vou ficar por aqui! Nós, alunos do 7.º A, estamos à sua espera entre os dias 19 e 23 de junho.
Você será recebida de braços abertos!!!
Beijos♡

Maria Eduarda

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Em Condeixa!

É tão bom entrar numa escola secundária! Atravessar a porta, regressar ao passado: o cheiro dos corredores, as mesas do bar, a biblioteca. Na semana passada estive na Escola secundária Fernando Namora em Condeixa. O sol em chamas a incendiar as ideias e nós enfiados na biblioteca. Falei com alunos do 9.º e 10.º anos, eles espalhados pelo chão e eu um pouco mais acima, sentada numa cadeira.



Alguns tinham lido a Karateca, outros o Supergigante ou a Mary John.





Alguns também gostavam de escrever. Outros havia que não gostavam de ler nem escrever. Ainda assim, aguentaram-se à bronca.
As perguntas foram muitas. Por que razão escreve literatura juvenil? Inspira-se na sua vida? As personagens são reais? Expliquei que tudo na vida era autobiografia e ficção. Que as personagens existiam sempre de alguma maneira. Que eu tinha uma relação empática com todas elas. A Ana Beatriz deu um pulo exaltado. Disse-me que não era possível sentir empatia pela Liliana. Que ela nunca seria amiga de uma pessoa assim. Depois entregou-me um texto muito bonito que escreveu, não sobre a Liliana, mas sobre a Joana Mendes do Supergigante.
Demorei tempo a perceber que as duas raparigas que falavam da Karateca e do Supergigante eram gémeas idênticas. Tentei distingui-las. Não consegui. Foi um momento ao estilo Uma Aventura.
Alguns rapazes tinham lido a Mary John por obrigação e acabaram por gostar. Um deles disse que tinha sempre pena de deixar a Mary John à noite, quando lhe dava o sono. Perguntei a um dos leitores rapazes se tinha sido esquisito ler sobre a menstruação. Ele riu-se e depois ficou sério. A seguir riu-se outra vez. Começou por dizer que não, não era esquisito. Depois acrescentou: "Foi muito enriquecedor." Gargalhadas em coro.
O André Rosa, estudante universitário de visita à escola, leu um texto da sua autoria. Era a carta de resposta do Júlio. Não seria interessante se ele respondesse? Debatemos esta hipótese. O que diria ele? Quem era o Júlio afinal? Quais as suas intenções?
Numa das sessões achei boa ideia ler uma passagem da Mary John. Já ia a meio da leitura quando me dei conta de que estava a ler em voz alta palavras como “clitóris”, “passaroca” e “pelos púbicos”. A consequência desta leitura foi uma inspiradora histeria hormonal.
Já se sabe que a literatura é um espaço selvagem!
No final ainda houve tempo para uma entrevista a sério com os repórteres da escola. Uma câmara aqui e outra ali para terem vários planos. Era um grupo de rapazes muito fixes!



Depois deste dia em grande resta-me agradecer à professora bibliotecária Ana Rita Amorim, que me recebeu de braços abertos e me lançou este desafio de forma tão entusiasmada.
Eu cá gosto à brava de desafios! E também de escarpiadas, o doce regional de Condeixa. Conhecem? É uma deleitosa histeria de açúcar!