sábado, 18 de maio de 2019

“Aqui é um bom lugar” na Revista Blimunda

Que nice! “Aqui é um bom lugar” pousou na Revista Blimunda da Fundação José Saramago.

Crítica de Andreia Brites.

“Como se lê este livro? Fragmentário, com pouca progressão narrativa, avança no tempo, na cronologia e consequentemente na biografia da narradora, Teresa Tristeza (para rimar). Teresa escreve e ilustra, às vezes a si própria, às vezes quem a rodeia, e ainda o espaço. Será este um modelo de diário de uma adolescente no século XXI, quando os adolescentes deixaram de escrever diários? Tem ou não este objeto (aceitando o pacto ficcional) as condições para ser catalogado ou considerado um diário?

Teresa desabafa, comenta, parafraseia e reproduz ditos da mãe, muitos, e outros que ouve por aí. Logo no início do caderno esboça um conjunto de planos a cumprir até ao final do ano letivo, desejavelmente o último da escola secundária. Parece que, pela associação livre de ideias e estímulos que a levam ao texto, Teresa diz pouco. Ao contrário. Apenas o faz por um caminho obtuso, mordaz, irónico, carregado de perspicácia e humor. É aliás nesse tom escrutinador de si própria que se reconhece a voz de Ana Pessoa. 

Depois da torrente narrativa da carta de Mary John a Júlio Pirata, provavelmente o melhor livro juvenil português da década, a escritora tinha entre mãos a dura tarefa de manter a identidade, a qualidade literária, a frescura e originalidade. Conseguiu. Aqui há também o mérito da ilustração, da paginação e do próprio design que tornam todas as partes compósitas deste livro num corpo uno: o diário de Teresa Tristeza. 



Joana Estrela capta a ironia com que a protagonista se representa pelo texto e logo lhe confere espaços de conforto no sofá, ecrãs que lhe devolvem o reflexo e a nós nos oferecem um retrato. Mais, acrescenta-se-lhe uma voz da imagem, já que a adolescente escreve e desenha. A leitura deste diário segue à letra o sentido de diário gráfico. 

O puzzle não está completo, e o que existe basta para acompanhar o 12.o ano de Teresa, saber quem é a sua melhor amiga, descortinar ciúmes, atentar em insatisfações em relação ao seu corpo, comprovar tensões e afetos familiares, acompanhar novas descobertas e intuir, já no dealbar do ano letivo, que talvez paire um encantamento. A certeza da mudança também não fica por dizer.”

A Revista Blimunda #83/84 de abril/maio de 2019 está acessível aqui: 



quarta-feira, 15 de maio de 2019

nenhum nenhures algures ninguém

aqui aí adiante além
ali acolá atrás aquém
quase quem aquele alguém
nenhum nenhures algures ninguém
todo tarde tanto quanto
tudo aquilo abaixo quando
quão já qualquer então
tal qual essoutro não
ontem onde outro tão
ora fora agora embora
antes ambos isso outrora
sempre frente entre dentro
como cada nunca nada
logo hoje longe cujo
pouco algum muito fundo
acima ainda cedo assim
certo perto sim jamais
mesmo menos mais demais

sábado, 11 de maio de 2019

Aqui estou


Aponta em frente. Diz: “Aqui”.
Aponta para cima. Para baixo. Para o lado. “Aqui.”
Aponta com o dedo indicador.
Mão esquerda, mão direita, tanto faz.
Aqui.
Aqui, o pombo, o cão, o céu.
Aqui, campainha, árvore, quadro.
Aqui, teto, porta, pai.
Aqui, noite, colher, bolacha.
Aqui, colo. Aqui, mais. Aqui, água.
Aqui, silêncio, chuva, nada.
Aqui.
Primeira palavra. Primeiro tudo.
Mundo inteiro.
Aqui estou.

Mary John nas sugestões de leitura do PNL

O Plano Nacional de Leitura está a recomendar a "Mary John" como leitura do mês de Maio.

"Melancólico, certeiro na composição de cada personagem, rigorosamente atual na captação dos contextos verbais e não verbais, Mary John é uma obra-prima que pode exemplarmente representar o que significa a catalogação de literatura juvenil."

Aqui todo o texto:
http://pnl2027.gov.pt/np4/maryjohn.html



Uma “obra-prima” em tons de azul, sim?

A Mary John está esgotadinha há vários meses, mas a nova edição deve estar aí a rebentar.


segunda-feira, 6 de maio de 2019

Mãe é mãe

(O dia da mãe é quando uma filha quiser.)



Não é não. Já é já. Mãe é mãe.
A minha mãe de manhã. À tarde. À noite. 
A minha mãe na praia. Na cozinha. No shopping.
A minha mãe a cortar tomate. A comer chocolate.
A beber ginjinha. A dançar um sambinha. 
A minha mãe contente. Na boa vai ela. A abrir a janela. 
A fechar o forno. A secar o cabelo. 
A minha mãe no sofá. A falar ao telefone.
Cheia de sono. Cheia de ideias. Cheia de fome.
A minha mãe a fazer coisas. Colares, brincos, pulseiras. Sacos, mantas, quadros.
A minha mãe na feira do artesanato. A lamber um gelado. A cantarolar um fado.
A minha mãe de óculos escuros. A dar mergulhos.
A minha mãe a rir. A dormir. A jogar sueca. A jogar dominó.
A minha mãe no forrobodó.
A baralhar as datas. A baralhar as cartas. 
A viver a vida. A rir disto tudo. 
A minha mãe rápida. Frenética. Atarefada.
A minha mãe sempre. 
Feliz. Triste. Zangada. Concentrada. Como for. Como vier. 
A minha mãe. A minha terra. A minha mão.


quinta-feira, 2 de maio de 2019

Mary John “Altamente Recomendável” no Brasil

Vou fazer o pino! 
Notícia altamente do Brasil:
A Mary John recebeu o selo "Altamente Recomendável" da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil na categoria "Literatura em Língua Portuguesa". 
Todos os anos a FNLIJ seleciona dez livros em várias categorias (criança, jovem, poesia, etc.) com o objetivo de orientar as secretarias de educação, as escolas e as bibliotecas na aquisição de novos livros.
Em tempos sombrios no Brasil e no mundo, fico feliz que este livro tão livre e descascado chegue a mais e mais leitores. Que legal!
A edição brasileira é da SESI-SP.
“A rainha do norte” da Joana Estrela e o “Cá Dentro” das brutalíssimas Isabel Minhós Martins, Maria Manuel Pedrosa e Madalena Matoso, também editados pela SESI-SP, receberam igualmente este selo.
Tau!

Bota selo nisso. Eu curto selos!


segunda-feira, 29 de abril de 2019

Festão monumental!

Foi tão tão tão monumental! No sábado a festinha monumental foi um mega festão numa galeria linda com um planeta lindo. Obrigada a todas as pessoas que fizeram deste dia um bom lugar!









terça-feira, 16 de abril de 2019

As gárgulas de Notre Dame

A Notre Dame arde e eu penso nas gárgulas. Gosto delas como outros gostarão de santos, anjinhos e amuletos.
Os meus diabretes grotescos. A exibir ao mundo a natureza má.
Li uma adaptação do Corcunda de Notre Dame quando tinha 13 anos. O filme da Disney acabara de estrear.
Durante dias também eu era uma existência desfigurada e solitária. Vivia lá no alto da Notre Dame. E era eu quem tocava os sinos. Era eu quem vagueava pelas escadas da catedral. Os meus únicos amigos eram as gárgulas traquinas, que me segredavam coisas ao ouvido. Falavam-me de aventuras e de amor. Encorajavam-me a ver o mundo.
Segui o conselho desses pequenos demónios assim que pude. Fui a Paris pela primeira vez quando tinha 22 anos. Andava feliz e ampliada com a minha primeira máquina fotográfica. Era uma Kodak digital. Tinha um zoom bem bom.
Quando cheguei à Notre Dame, apontei a máquina às gárgulas e fiquei a vê-las. Os meus amigos malandros, diabinhos mais feios do meu coração.
A Notre Dame arde e eu penso nas gárgulas do Quasimodo. Hão de resistir ao fogo com os seus corações de pedra. Se calhar até se riem das chamas e ficam para ali a desviar a água lançada pelos bombeiros. É que as gárgulas, além de monstros travessos, também são desaguadouros. É esta a ironia do seu destino.
O tempo passa, a água corre, o fogo acaba. As gárgulas lá continuarão na sua vigília, no cocuruto da Notre Dame, a dizerem-nos que o mal existe, que o mal persiste e prossegue e avança.
Hoje vou sonhar com os meus monstros de pedra e medo. Com o seu sarcasmo lúcido e os olhos perversos.
Sempre à espreita e à espera da natureza má.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

As casas abandonadas

Há uns anos escrevi um texto que se chamava “As Casas Abandonadas”. A Sara Bandarra agarrou nele para o ilustrar.
Durante meses não sabíamos onde ir com este projeto. Seria um livro? Uma instalação? Uma casa? Durante meses trocámos imagens de casas abandonadas. A Sara enviava-me as fachadas de Ílhavo, eu enviava-lhe os buracos de Bruxelas. Janelas partidas, guindastes, paredes esburacadas.
As casas foram surgindo devagar. De repente, percebemos que este livro era uma imagem só. Um livro-acordeão feito de casas e palavras.
Na semana passada imprimimos 20 exemplares, que estão agora à venda na livraria Gigões e Anantes. Obrigada, Sara, por nunca teres abandonado este projeto.


segunda-feira, 1 de abril de 2019

A revolução em Pontevedra!

Fui e voltei de Pontevedra. Entre ir e voltar, perdi um voo, passei uma noite em Madrid e cheguei ao Salón com um dia de atraso. Acelerei o passo, corri, transpirei. Não havia tempo a perder. 
Tudo começou e acabou à volta de uma mesa, numa amena cavaqueira com escritores, ilustradores, professores e leitores, ao sabor de empanadas e tartas de la abuela. No Salón do Livro Infantil e Xuvenil trocaram-se muitas palavras e emoções. 
Coisas que me vêm à memória: na conferência de José António Gomes cantou-se a Grândola Vila-Morena. No recital de poesia, o poeta brasileiro Henrique Rodrigues leu um poema lindo sobre a maternidade. No debate sobre revolução e escrita, o poeta galego Carlos Negro falou da inutilidade da poesia. Na sua conferência, Volnei Canonica, mediador de leitura no Brasil, falou da leitura como elemento transformador das sociedades.
No meu encontro com “A Sega”, um clube de leitura feminista, falámos de orientação sexual, sedução e menstruação a propósito da Mary John. 
Dei uma oficina de escrita criativa a um grupo de doze mulheres. Porquê só mulheres? Não sei. Talvez a revolução esteja finalmente nas mãos femininas.
Volto de Pontevedra com muita vontade de ler, escrever e revolucionar. 
Debaixo do braço trago, entre outras coisas, duas novelas xuvenis de Eva Mejuto e Rosa Aneiros e dois livros de poesia de Carlos Negro e Henrique Rodrigues. E no coração levo as conversas animadas com a Dora Batalim SottoMayor, a Ana Biscaia e o Henrique Rodrigues.
Obrigada, Eva Mejuto! Pelo convite, pelo entusiasmo, pelas boleias e por essa energia tão xuvenil. (Adoro este adjetivo assim, com o “x” galego. ¡Que chulo!)
Foi tão bom. Quero voltar!

Ao lado dos escritores galegos Rosa Aneiros e Carlos Negro a falar de literatura e revolução

quinta-feira, 28 de março de 2019

XX Salón do Livro Infantil e Xuvenil de Pontevedra

Estou a caminho da Galiza para fazer a REVOLUÇÃO. 
Por esta altura já está a decorrer o XX Salón do Livro Infantil e Xuvenil de Pontevedra, que tem como convidado de honra, não um país, mas uma língua: a portuguesa. 
"Revolução" é o tema desta edição do festival. 



Nos próximos dias andarei num revolucionário com poetas, romancistas, ilustradores, bibliotecários, professores, contadores de histórias, estudantes e leitores da Galiza, de Portugal, do Brasil e de Angola. 
Juntos daremos o golpe da literatura!

O programa completo do Salón está disponível aqui: http://www.salondolibro.gal/edicion2019/wp-content/uploads/2019/03/Programa_salon_2019-1.pdf

segunda-feira, 25 de março de 2019

O Público é um bom lugar!

“Aqui é um bom lugar” já anda por aí nas livrarias, à espera dos primeiros leitores. Falei no outro dia com a Sílvia Borges Silva (Lusa) sobre este livro e também sobre a adolescência, os diários e este misterioso regresso a casa que é, para mim, a escrita. Aqui fica o resultado desta conversa, numa edição do Público.


https://www.publico.pt/2019/03/25/p3/noticia/ana-pessoa-joana-estrela-editam-diario-grafico-aqui-bom-lugar-1866539


domingo, 24 de março de 2019

Mary Jo e o Papa Lector

No México, o blogger Papá Lector dá 5⭐️ à Mary Jo e recomenda a sua leitura às raparigas, aos rapazes e também aos pais. Crítica aqui: http://www.papalector.com/2019/03/resena-mary-jo-ana-pessoa.html?m=1
¡Muchas gracias, Papá Lector!

Foto do Papá Lector

terça-feira, 19 de março de 2019

O meu pai

O meu pai foi sempre o Pai Natal. Eu sabia que o meu pai era o Pai Natal. Eu acreditava no Pai Natal precisamente porque o Pai Natal era o meu pai. Ho ho ho!
O meu pai ri-se bastante. Da vida. Das pessoas. Das piadas secas. 
Às vezes fica a rir-se sozinho. 
O meu pai come uma laranja todas as manhãs. Lê o Expresso todas as semanas. Ouve jazz a toda a hora. 
Tem um certo fascínio por atrocidades e tragédias. Reis ingleses passados da cabeça, naufrágios marítimos. Compra livros. Lê. Conta os pormenores.
O meu pai não usa risco ao meio nem risco ao lado. Penteia o cabelo para trás. Usa barba desde sempre. Antes era quase preta, agora é quase branca. 
Uma vez cortou a barba no Algarve. A minha mãe quase teve um fanico. Lembro-me disso. E lembro-me de ter achado que o meu pai parecia uma pessoa diferente sem barba. Foi estranho.
O meu pai nasceu em Angola, viveu no Porto, cresceu na Parede.
Estava a fazer a tropa quando se deu o 25 de abril. Nessa altura não usava barba. 
É sempre o meu pai que me vai buscar ao aeroporto. Quando me vê, tira-me uma fotografia. Quer levar ele a mala.
Envia-me mensagens quando o Benfica joga. Envia-me fotografias da praia e da minha mãe. Compra-me revistas. Guarda-me artigos que talvez me interessem.
Faz as vontadinhas todas à minha mãe. Faz as vontadinhas todas aos filhos e também aos netos.
Quase nunca comenta os meus livros. Deste último achou que um dos textos era sobre ele. É capaz.
O meu pai é fixe. Eu gosto dele e ele gosta de mim.

Fim.
Ilustração da Joana Estrela para o “Aqui é um bom lugar”

segunda-feira, 18 de março de 2019

Que granda mega bom lugar!

Aaaaaaaaah! Já chegou. Estou aqui na minha varanda, numa ardência que eu sei lá. Que granda mega bom lugar!





segunda-feira, 11 de março de 2019

Aqui é um bom lugar

Cá está ele. O novo livro! Um caderno que é um diário. Um diário que é um lugar. Um lugar que é um encontro de textos meus com as incríveis mãos da Joana Estrela.



Este livro vem das nossas entranhas, ou seja, dos nossos cadernos. É um diário gráfico a quatro mãos, feito de desenhos espontâneos, de fotografias e de colagens que retratam pessoas, prédios, sofás, candeeiros, animais, plantas. A acompanharem reflexões curtas de uma tal Teresa Tristeza sobre tudo isto: o sol, a chuva, a noite e o vento. A família, a infância e a escola. Os livros, os sonhos e os pássaros. A liberdade, a saudade, a virgindade. As frases que ouvimos na rua, as frases que ouvimos em casa.
Este diário é um caderno a sério. Com cantos redondos e frases rasuradas.
Espero que gostem dele. Eu e a Joana divertimo-nos à farta. E também transpirámos barés. Tivemos grandes ataques de soluços. Felizmente pudemos sempre contar com o apoio, a fé, o entusiasmo, a paciência e os conselhos preciosos da nossa mega editora Isabel Minhós Martins. E também com a boa onda e o profissionalismo de toda a equipa do Planeta Tangerina, em especial da Joana Pardal, que pôs este livro na ordem. Cá vai ele, o diário gráfico dos meus sonhos, à procura do seu lugar no mundo. Frase da minha avozinha: “Para a frente é que é o caminho!”
Tudo sobre o livro: https://www.planetatangerina.com/pt/livros/aqui-e-um-bom-lugar

terça-feira, 5 de março de 2019

É Carnaval.

Novidades fresquinhas! Vem aí um livro mascarado de caderno. Ou um caderno mascarado de livro.

Ilustração da rainha Joana Estrela.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

A noite das ideias

Imaginem uma noite chamada Noite das Ideias. Uma noite de pensadores, cientistas, economistas e artistas para refletir sobre este nosso tempo. É o que vai acontecer já na próxima quinta, 31 de janeiro, nos cincos continentes. 
Em Lisboa, a Noite das Ideias ocorre na Gulbenkian. Vai falar-se de democracia, populismo, alterações climáticas, oceanos, robótica, família, amor e muitos outros temas dos dias de hoje. 


Eu, que passo tão pouco tempo neste nosso tempo, lá estarei toda nervosinha e desajeitada, a ler um texto sobre contemplação, atenção e tempo que tem como título “Manifesto da imaginação”.

Querem vir trocar umas ideias sobre o assunto?

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

2018

Cá estamos. 2019. Não comi doze passas, não bebi imenso, não vi o fogo de artifício. Fiquei para aqui assim, a enfardar bolo-rei e a pensar no ano que passou.
2018. 
Um inverno muito escuro, um verão muito quente. 
Aretha Franklin, fake news, Facebook. 
O meu filho de madrugada, ao fim do dia, a toda hora.
O Henrique. Meu alicerce, meu moinho de vento.
Andámos na roda gigante. Perdemos um avião. Fomos a Bordéus.
Li uns livros muita bons. Falei com alunos incríveis. De Miranda do Douro. Do Funchal. De Esposende. De Vila Nova de Gaia. Adorei todas as sessões. Adoro escolas. E alunos e professores. 
Estive nas Palavras Andarilhas. Fui picada por uma vespa. Escrevi um livro. Emagreci, mas depois engordei outra vez. Descobri Rachel Cusk. Emma Cline. Juan José Millás.
A Leïla morreu. O Francisco nasceu. O Seedz fechou.
Tive uma crise de costas no verão. Tive um ataque de choro no meio da rua. Tive um ataque de riso ontem à noite.
A torradeira deu o berro. A Živa foi-se embora. A Joana foi mãe. A Luísa também.
2018.
Um ano tão solitário e, ao mesmo tempo, tão habitado.
Tenho tanto sono.
Em 2019 espero dormir mais. 
Isto não é bem uma resolução. É uma intenção. Logo se vê.
Bom ano, malta!


Ilustração do livro “Eu Sou Eu Sei”, Madalena Matoso