quinta-feira, 26 de julho de 2007

Conto infantil para adultos: A lição do zangão

Um zangão fora visto de ferrão para o ar e a rolar no chão com uma operária, na hora de produção da cera. Disseram as línguas beras que eram amantes. A abelha rainha levantou-se de rompante e mandou chamá-los para os matar. A operária encolheu as asas, mas o zangão entrou na sua casa dando ar de sua graça e, antes de a rainha falar, pôs-se logo a explicar: "Peço perdão, querida rainha, há aqui confusão, sou um zangão muito sério e não cometo adultérios nem nada que se pareça. Queira Sua Alteza reconsiderar a sua sentença pois acabo de salvar esta operária da morte". Tentando a sua sorte, contou o zangão: "Foi um grande espalhafato, jamais se vira tal caso!". A pobre operária, a meio do seu trabalho, caíra num favo muito farto ficando encharcada em mel desde o topo das antenas até à ponta do ferrão e então o zangão entrou em acção. Fora uma verdadeira aventura: agarrara a operária pela cintura, mas também ele ficara encharcado. E o resultado fora ficarem os dois colados! Finalmente, sendo o caso urgente, resolveram comer o mel um do outro, o que implicara um enorme esforço por parte da operária e do zangão. A abelha rainha deu um grande sermão e, para acabar com a confusão, mandou a operária trabalhar e o zangão passear.
Coitadinha da rainha, mal sabia ela que esta era apenas a primeira donzela a apaixonar-se pelo zangão que, exibindo o seu ferrão, tinha conquistado o coração de todas elas. Por conseguinte, no dia seguinte, o zangão voltou à colmeia e volta e meia lá foi visto com outra operária, de ferrão para o ar e a rolar pelo chão, na hora de produção da cera. Era deveras uma questão bem séria e a seguir foi a tragédia! Quando a abelha rainha os mandou chamar para os matar, todas as abelhas se atiraram para o mel para salvarem o zangão da sua punição. E o zangão, em vez de socorrer as abelhas, esticou as asas e as antenas e pôs-se a voar dali para fora. Ora ora, coitadinhas das donzelas que morreram afogadas no seu próprio mel. E coitadinha da rainha que chorou noite e dia pelas suas filhas. Quem sobreviveu disse adeus à colmeia vazia e Sua Alteza, cheia de firmeza, ia a sair do palácio quando chegou o zangão armando a confusão: "Peço a sua atenção, cara rainha! Tenho um plano para esta colmeia: dou-te um milhão de filhos e dividimos o reino a meias!". Não tendo à mão outra solução, a rainha aceitou a proposta do zangão. Jamais se assistira a tal caso pois naquela colmeia, agora cheia de abelhas, havia um zangão que reinava.

(Receita: para conquistar uma mulher e respectivo reino junte uma colher de mel e um beijo. Mexa bem em lume brando até a massa ganhar consistência. Sirva quente.)

6 comentários:

Pitucha disse...

A tua sorte é que a imaginação não paga impostos!
;-)
Beijos

********** disse...

Este zangão fazia solário, ia ao ginásio e só comia frango grelhado! Granda paneleiro óó caraças!

hj n escrevo o nome... adivinha kem escreveu isto!! AAHAHAHAHAH!!! MORCELA FRESQUINHA!

pessoana disse...

A imaginação não paga impostos porque é um bocado insípida, só sabe a saliva fresca e não tem nada palpável que se possa pôr numa receita de morcela! A imaginação, per se, tem uma grande falta de imaginação, é o que é!

Rute Borges disse...

Não me conheces, nem tão pouco sei se já ouviste falar de mim...
Eu já te conheço de longe, já aprendi a gostar de li, pela boca de alguém que gosto muito e que sei que gostas também.
Aqui vou aprender a olhar-te com outros olhos.
Gostei imenso do que li, uma inspiração.
Um beijo daqui

NoKas disse...

O Zangão é pior que o João Ratão!!!

Malandro, devia ficar assado no caldeirão.

Quanto ao mel, garanto que resulta.... Divulga a receita. Acho que muitas abelhas iam ficar contentes.

Beijoca

Angela disse...

Muito bom! Adorei o conto e vou passá-lo adiante. O que diz sobre a imaginação também é perfeito - há que ter, como sócio,algum zangão bastante prático e negociador para que se faça chão.