A mulher ouviu o ponteiro pela primeira vez.
Parou de trabalhar.
(Estava sozinha naquele gabinete e nunca antes se tinha apercebido do tempo a passar.)
Observou o relógio de parede e acompanhou os segundos com os olhos. Depois voltou aos ouvidos e logo a seguir desceu até ao peito: ouviu os segundos com o coração.
Eram três ponteiros, mas só um se mexia.
Esperou muitos segundos para apreciar o movimento dos minutos.
Chegada a sua vez, o ponteiro dos minutos moveu-se quase imperceptivelmente: inclinou a cabeça devagar e subitamente já apontava para o minuto seguinte.
O mesmo se passava com o ponteiro das horas. Era tão discreto no seu movimento que as horas não passavam.
A mulher apercebeu-se que, naquele escritório, apenas dois seres se mexiam:
1) ela própria,
2) o ponteiro dos segundos.
Contemplou a estagnação do gabinete, de maneira que agora só o ponteiro se mexia.
(Ouvia os segundos com o coração.)
Passado algum tempo, a mulher deu por si a movimentar os dois olhos.
De um lado para o outro. Ao som do ponteiro.
A mulher passou 100 segundos nisto.
Depois parou. Doíam-lhe os músculos oculares.
A mulher pensou: O movimento dos ponteiros do relógio faz sentido porque tem um sentido.
O movimento dos olhos não.
A mulher concluiu: Não faço sentido porque não tenho um sentido.
Consultou o relógio.
Disse: Não tenho tempo para isto.
E continuou a trabalhar.
No sentido dos ponteiros do relógio.
Parou de trabalhar.
(Estava sozinha naquele gabinete e nunca antes se tinha apercebido do tempo a passar.)
Observou o relógio de parede e acompanhou os segundos com os olhos. Depois voltou aos ouvidos e logo a seguir desceu até ao peito: ouviu os segundos com o coração.
Eram três ponteiros, mas só um se mexia.
Esperou muitos segundos para apreciar o movimento dos minutos.
Chegada a sua vez, o ponteiro dos minutos moveu-se quase imperceptivelmente: inclinou a cabeça devagar e subitamente já apontava para o minuto seguinte.
O mesmo se passava com o ponteiro das horas. Era tão discreto no seu movimento que as horas não passavam.
A mulher apercebeu-se que, naquele escritório, apenas dois seres se mexiam:
1) ela própria,
2) o ponteiro dos segundos.
Contemplou a estagnação do gabinete, de maneira que agora só o ponteiro se mexia.
(Ouvia os segundos com o coração.)
Passado algum tempo, a mulher deu por si a movimentar os dois olhos.
De um lado para o outro. Ao som do ponteiro.
A mulher passou 100 segundos nisto.
Depois parou. Doíam-lhe os músculos oculares.
A mulher pensou: O movimento dos ponteiros do relógio faz sentido porque tem um sentido.
O movimento dos olhos não.
A mulher concluiu: Não faço sentido porque não tenho um sentido.
Consultou o relógio.
Disse: Não tenho tempo para isto.
E continuou a trabalhar.
No sentido dos ponteiros do relógio.
11 comentários:
... (tic, tac)... bem, vou andando para casa, que já se faz tarde ...
Bjnhs
Fazem sentido os teus contos. E eu sigo por aqui! Adorei!
por essas e outras tenho no escritório um "relógio de pêndulo" - dá um jeitão para o movimento dos olhos...
(permite que te recorde que "quem escorrega, nem sempre cai". podes por isso continuar a aparecer... rss)
O Tempo também comanda a Vida
Bom fim de semana
>>>"Consultou o relógio.
Disse: Não tenho tempo para isto.
E continuou a trabalhar.
No sentido dos ponteiros do relógio."<<< primeiro para baixo e
depois para cima, num círculo vicioso e viciante".
É sempre uma alegria ler-te!!!
Bem hajas!!!
Faz sentido o teu sexto sentido, a tua fluência, a tua... a minha esperança em ti.
Por vezes as novas tecnologias amparam-nos. Tenho um relativamente velho relógio "quinético" que se me afeiçoou: já só anda quando eu ando. Há nele uma dependência que me faz sentir senhor do tempo!...
;-)
Beijos e saudades.
Tem sentido o teu sexto sentido, a tua fluência, a tua...a minha esperança em ti.
Tem sentido o teu sexto sentido, a tua fluência, a tua...a minha esperança em ti.
Tem sentido o teu sexto sentido, a tua fluência, a tua... a minha esperança em ti.
Se formos a ver estamos todos a andar num só sentido... o da rotação da terra... que depois roda à volta do sol, que acompanha a via lactea, que se expande através do universo.... sempre no mesmo sentido... sempre às voltas a rodopiar.... :p como o relógio! Sem parar!
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