quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A casa (V)

Para a casa, que faz hoje 1 ano e 3 dias.

As paredes eram tortas e tinham umbigos até ao final do corpo.

Entrava-se por um arco-íris e no parapeito da janela cresciam raízes de outras casas. Davam flores e frutos. Oxigénio. Vida.

Na cozinha andava pendurado um sonho de azulejos a espelhar um sol diferente. Aí se refogavam os dias, cheios de cores e formas, sem receitas.

Certo dia, quando decidiram construir o telhado, o homem ilimitado desenhou um algeroz serpenteado para os proteger das chuvas, das inundações. Do dilúvio.

Tudo isto a inspirava: o arco-íris, a janela, o algeroz. O homem ilimitado.

De resto, durante a noite, a casa enterrava-se devagar no chão como as raízes. E rangia os dentes.

Era orgânica. Gaudiana. Imperfeita.
Igual à vida.

3 comentários:

uxa disse...

Então vá, Parabéns !
(o "então vá ..." é uma cena que está agora na moda)
Espero que as raízes sejam suficientemente elásticas para de vez em quando vos deixarem esticar até estas paragens ...

buba disse...

Pois, lembro-me muito bem... foi divertido! E até te oferecemos uma coisa muito útil lá para casa... Será que já estreaste???
Será que agora já sabes quem eu sou???
"Dos cinco vem em segundo,faz parte da maioria. Também casou neste mês magnífico e mais, foi presenteada com o terceiro neste mês magnífico!" (É lixado de adivinhar, não é?....)
beijões para os dois

Sara disse...

Ora! Que casa!
Assim,natural, orgânica, que se adapta e vence, floresce a cada Primavera.

Parabéns! Que floresçam muito.
Um abraço muito grande.