segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Em Setembro

Em Setembro passou-se isto:

O sol pôs-se de perfil e nós desenhámo-lo na areia.

(Lembro-me que o círculo original era demasiado perfeito para os dedos das mãos.)

No final do desenho, espreguiçou-se o final de uma onda e o sol do chão morreu.
Perguntei: "Que dia é hoje?".

Lembro-me que, nesse instante, a terra acabou. Abruptamente.
Responderam-me: "O primeiro".

Na escuridão entrelaçámos os dedos imperfeitos.
Lembro-me disso.

Desenhámos depois o sol do céu.
E fez-se luz.

Era a rentrée* da vida.

*Para quem não gosta de galicismos, substituir rentrée por recorrência, recriação, repetição ou reticência.

4 comentários:

Magui disse...

É por essas e por outras que há pessoas que só vêem o mundo de régua e esquadro.
É tudo a direito.

Pois é. Mas o sol, os teus sóis, nem com compasso.

Graças a Deus.

Sara disse...

Bem, depois do teu texto excepcional e do comentário da magui certeiro, resta-me deixar-te um abraço.

OrCa disse...

Sempre, sempre um acto criativo cheio de janelas. E disse!

Beijos.

NoKas disse...

a areia e a praia sao cenarios ideais para relembrar e marcar coisas importantes!