quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Albert Camus

Se a vida não fosse absurda, o Albert Camus fazia hoje 100 anos. Felizmente, a vida é mesmo absurda e o Albert Camus escreveu grandes romances sobre isso (ou apesar disso) (ou além disso).
O Albert Camus é eterno. Continua de carinha laroca com três linhas na testa e cigarro ao canto da boca. Assim:
 
 
Eu conheci as palavras de Camus antes de lhe conhecer a carinha laroca com três linhas na testa e cigarro ao canto da boca. Agora que penso nisto, é como se o tivesse conhecido online, eu e o Camus a teclar no messenger. Eu pergunto: R U there? Ele responde:
Aujourd’hui, maman est morte. Ou peut-être hier, je ne sais pas. J’ai reçu un télégramme de l’asile: « Mère décédée. Enterrement demain. Sentiments distingués. » Cela ne veut rien dire. C’était peut-être hier.
 
Li o Estrangeiro na idade certa. Tinha 16 anos, acho, e andava com o moço de mão dada pela rua. Depois voltei a ler o Estrangeiro na idade certa. Tinha 20 e poucos. O Estrangeiro e eu éramos cúmplices, ele ia ao volante e eu ia no lugar do morto. Depois voltei a ler o Estrangeiro na idade certa. Tinha 30, ou quase 30, e desta vez até o li em francês, oh là là ! Nessa altura, juntámos os trapinhos, passámos a ser roommates. Ele dorme na casinha dos livros e eu durmo com outro homem numa cama king size. Isso é-lhe indiferente. O Estrangeiro não gosta de ninguém. Está-se nas tintas para mim.
Who cares?
Eu também me estou nas tintas para ele.

7 comentários:

Bonamassa disse...

Foreigner blues!

Sara Bandarra disse...

EHEH

Miuxa disse...

Sempre me deixei acabrunhar pela ideia de ler grandes escritores ou filósofos clássicos, nunca me considerei à altura.
Sou um bocado assim com tudo o que tem muita fama de muito bom, de difícil ou complicado.
Mas parece que estou na idade certa para ler o Estrangeiro. Vou ter que tratar disso.

Magui disse...

Também li "O Estrangeiro" por volta dos meus 16 anos, mas, ao contrário de ti, não tinha conhecimentos para o entender. Já nem me recordo, embora tenha a consciência de que sabia estar a ler algo que me ultrapassava.
Tal como a Miuxa, agora é que devo estar na altura certa para o entender.
Também vou tratar disso.
O bem que nos fazes!

Peixoto disse...

Ao invés, apenas li o estrangeiro com 50 anos, embora também na idade certa. Em contrapartida (ma) maman est morte aos 11, na idade errada. Também não chorei. Aos 60 vou emprestá-lo à Miuxa. Em francês. Na idade certa...

Sofia Leitão Féria disse...

só me lembro de ler o estrangeiro quando a minha mãe morreu há pouco mais de um ano. não sei exatamente se fui eu que o procurei ou se simplesmente estava à mão de semear. nessa altura li outros livros que abordam a morte da mãe. celebração dos livros e da vida.

Sofia Leitão Féria disse...

só me lembro de ler o estrangeiro quando a minha mãe morreu há pouco mais de um ano. não sei exatamente se fui eu que o procurei ou se simplesmente estava à mão de semear. nessa altura li outros livros que abordam a morte da mãe. celebração dos livros e da vida.