sexta-feira, 25 de abril de 2008

Diálogo sobre o ser - Parte IV

- Não, filha, nenhuma máquina consegue ir ao passado.
- Não?
- Não!
- Então vou para o futuro.
- Também não há máquinas que viajem para o futuro.
- Nesse caso, fico à espera.
- De quê?
- Do futuro.
- Está bem! Mas no futuro também não há copistas.
- Como sabes?
- Sei, pronto.
- Então já lá estiveste!
- Não. Mas sei que não haverá copistas.
- Porquê?
- Porque nessa altura tudo será feito por máquinas.
- Tudo?
- Tudo, tudo, tudo!
- Incluindo viajar para o passado?
- Isso não.
- Porquê?
- Porque ainda ninguém inventou a máquina de viajar no tempo.
- Agora ainda não. Mas se calhar no futuro já inventaram.
- Filha, vamos lá ver uma coisa: tu não podes viver em função do passado.
- Não?
- Não. A vida caminha para o futuro e não para o passado.
- A vida caminha?
- Sim.
- Anda a pé?
- Sim.
- E porque não vamos com ela?

(continua)

4 comentários:

Sara disse...

Hoje está uma bela noite para andar a pé. É raro no verão estar uma noite assim nas praias da minha terra. O gato Dalmata saltou para o meu colo e olha-me a escrever nas teclas. Larga tanto pelo. Vou deitar-me. Deixo aqui uma cópia de um bocadinho do meu dia onde também ficou a intenção de um abraço.

uxa disse...

As estações do ano já não se sucedem ordenadamente: este fim de semana esteve Verão, e hoje parece que voltámos ao Outono. Já passámos há umas semanas pela Primavera, e assim atabalhoadamente.
Pode ser que também o Passado, o Presente e o Futuro se baralhem, dando lugar a novas emoções ...
Não me importava de poder conhecer Fernando Pessoa e D. Diniz, por exemplo ...

NoKas disse...

A vida e' lixada... 'as vezes vai tao depressa que eu fico cansadita so' de olhar para ela!

OrCa disse...

Ai, estas coisas... A mim, então, que me bastava não ter de demorar uma hora e meia para chegar ao local de trabalho e outra e meia igual para regressar...

Já viste como havia de ser se houvesse máquinas do tempo? Mal saísse de casa e - zás! - lá estava no emprego, ainda para mais num dia qualquer.

Até era capaz de se me dar de ser copista, também.