terça-feira, 22 de abril de 2008

Diálogo sobre o ser - Parte I

- E já sabes o que queres ser quando fores grande?
- Sei!
- Então, o que queres ser?
- Copista.
- Como?
- Copista.
- Porquê, querida?
- Porque gosto de escrever.
- Queres ser escritora, é isso?
- Não. Copista.
- Copista de quê?
- De livros.
- Queres escrever livros, não é?
- Não. Quero copiá-los.
- Copiá-los?
- Sim, copiá-los.
- Para quê, filha?
- Para saber os livros.
- Para saber?!
- Sim.
- Para sabê-los de cor?
- Não, para saber mesmo.

(continua)

7 comentários:

Magui disse...

De uma forma e contúdo menos poéticos, vem a propósito a opinião do Professor Nuno Crato no sentido de que a aprendizagem não pode ser só pela via da compreessão e da racionalidade, mas também na aquisição de competências que só se adquirem pela repetição. Assim também a tua "copista" sabe os livros copiando-os.

Sara disse...

Saber mesmo:
saborear, sentir, cheirar, provar, ver...
amassar, estender, voltar a amassar, por fermento, fermentar...

Magui disse...

Ou melhor dizendo. a tua "copista" sabe, copiando os livros.

Magui disse...

Ou melhor dizendo "aquisição de competências pela automatização"
Hoje estou assim. Tu com tanta poesia e eu... É que há pensamentos que se entrecuzam...

uxa disse...

Nem tudo está já inventado. Por mim, ainda bem que há textos como os teus, cheios de surpresas.

É bom que os que escrevem nos ofereçam novos "petiscos" ao longo da nossa "carreira" de leitores.

uxa disse...

A propósito de "petiscos": ser copista deve ser profissão para "gulosos de livros".

Sara disse...

ouvir...também ouvir...para se saber mesmo.