segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Facebook, o livro dos rostos (II)

Sei lá. Era domingo. Estava frio. Fiz bolachas de chocolate no forno. E depois abri a janela para o mundo e também uma página no Facebook, o livro dos rostos.
Foto de perfil: nhec.
Pode ser a karateca. Não é bem o meu rosto, eu sei, mas também é um rosto meu.
As bolachas de chocolate ficaram assim assim. Não tenho grande jeito.
Mil e uma perguntas. Respondi Não a muitas delas.
Quer que o Facebook aceda aos seus contactos? Não.
Quer que os amigos dos amigos não-sei-quê na sua página? Não.
Quer que os seus amigos não-sei-quê das tags? Não.
Logo a seguir deu-me a timidez. Não disse nada.
Fiquei ali especada a olhar e a comer bolachas. Têm fermento a mais.
Há muito tempo escrevi: Abomino o livro dos rostos.
Mas agora passou-me a birra, acho. As pessoas mudam.
Mudam, não mudam?
Talvez.
Quarenta pedidos de amizade. Aceito? Não aceito?
Os rostos dos outros.
Assustei-me. Lembrei-me. Emocionei-me.
Olha-me esta moça! Casou-se no mês passado. Que bonita.
Onde ficou essa amizade? Não me lembro.
Uma vez acampámos juntas. Não sabíamos montar a tenda, estava a chover. Tínhamos 13 anos.
Lama por todo o lado. Deram-me uma alcunha qualquer porque eu era sempre a última a chegar. Talvez Turbo ou Racing. Não sei.
Fui a última a chegar ao livro dos rostos.
E, sinceramente, não me ocorre dizer nada.


Voilà, c'est ça !


Cheguei.

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