quarta-feira, 21 de maio de 2008

Hedera helix

Se eu fosse uma árvore, seria enorme.
Maior do que as coisas.
E cresceria. Sempre.
Para baixo. Para cima.
Oblíqua. Antígona. Nua.
Em espiral. Trepadeiramente.
Teria os pés na terra. E a cabeça nas nuvens.
O real e o sonho num só corpo.
As mãos seriam espalmadas. Estreladas. Vasculares.
Respiraria profundamente. Até ao final da terra.
Seria naturalmente calada, misteriosa.
Feminina.
E inspiraria o sol inteiro.
Para expirar oxigénio.
E purificar a vida.

Há qualquer coisa de alquímico nisto.

7 comentários:

Anónimo disse...

claro que ja´es tudo isso . não precisas da arvore. Quando acabei de ler vi cores lindas azul salmão violeta e amarelo, tudo a fluir....

NoKas disse...

Se fosses uma árvore eras supercalifragilitiexpialidosa!

:p

uxa disse...

Reconfortante.

OrCa disse...

Creio bem que se houvesse uma árvore denominada ana, seria uma mistura de árvore-do-pão, com árvore-de-natal,árvore-celeste... com um toque de árvore-da-preguiça, dado esse longo repousar de olhares sobre tudo em teu redor... :-)

Beijos.

buba disse...

Olá Ana,
tenho de dizer-te que fiquei verdadeiramente maravilhada com este teu poema!
fazes jus ao apelido!

bjs

Periférico disse...

Que bela árvore tu serias!

Que verdadeira "alquimista" das palavras tu me saíste. ;-)

Beijos

Sara disse...

Tu já és uma árvore assim. Uma árvore escritora. Com o poder de "purificar a vida" através das palavras que junta.