Aguentem-se à bomboca!
A "Mary John" já aterrou no Planeta Tangerina e está a caminho das livrarias. É um livro tão bonito. Tão azul. Tão intenso.
Estou feliz. E também emocionada. Entusiasmada. Azul. Vermelha. Cor de rosa. Transparente.
Uma edição do Planeta Tangerina. E ilustrações brutais do sempre brutal Bernardo P. Carvalho.
Para já, podem folhear umas páginas aqui.
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
Crime Passionnel
Num acesso de raiva e de sede, pedi um "Crime Passionnel".
Gostei do nome e da maldade. Além disso, apetecia-me um delito à pressão.
Não há mal nenhum nisso.
A minha boca anda cheia de fúrias.
E este mundo está tão frio. Tão desanimado.
Parece mesmo um cadáver.
Uma vez escrevi um policial violento. Tinha onze anos.
Em todos os capítulos morria alguém.
Era uma família grande e eu gostei à brava de matar toda a gente.
Escrevi dezenas de páginas, talvez centenas.
Nos intervalos da escrita, ilustrava o livro com grandes facas e poças de sangue.
Ah, bons velhos tempos.
Um dia hei de escrever outro policial. Mas hoje não.
Hoje estou com um impulso muito pouco criativo.
Estou com um impulso desconhecido para o ardor e a cólera.
Felizmente, o meu "Crime Passionnel" chegou depressa. Era uma cerveja bonita. Tinha a cor misteriosa do âmbar.
Valha-nos isso: a cerveja belga.
Um brinde infame aos malfeitores.
Soltei uma gargalhada perversa e bebi um trago de insanidade borbulhante.
Era uma cerveja amarga. Senti um calafrio na espinha.
No meu sistema digestivo, um crime passional a fermentar.
Estou com uma aversão furiosa ao mundo.
O que fazer perante o estado do mundo?
Não sei.
Por enquanto bebo com sofreguidão.
A minha boca amarga e condenável. Cheia de pensamentos impiedosos.
Estou para aqui a beber "Crime Passionnel" e a imaginar transgressões.
A afogar as mágoas do mundo.
É esta a minha infração. A minha pequena ira.
O meu crime apaixonado. Furibundo. Inofensivo. Não premeditado.
Amanhã vou ter dores de cabeça. Mas isso depois passa.
O tempo passa. Tudo passa.
Se calhar até escrevo um texto.
Para que serve um texto?
Não sei.
Serve para matar a sede. Para matar saudades.
Por exemplo:
Morra o Dantas, morra. Pim!
Gostei do nome e da maldade. Além disso, apetecia-me um delito à pressão.
Não há mal nenhum nisso.
A minha boca anda cheia de fúrias.
E este mundo está tão frio. Tão desanimado.
Parece mesmo um cadáver.
Uma vez escrevi um policial violento. Tinha onze anos.
Em todos os capítulos morria alguém.
Era uma família grande e eu gostei à brava de matar toda a gente.
Escrevi dezenas de páginas, talvez centenas.
Nos intervalos da escrita, ilustrava o livro com grandes facas e poças de sangue.
Ah, bons velhos tempos.
Um dia hei de escrever outro policial. Mas hoje não.
Hoje estou com um impulso muito pouco criativo.
Estou com um impulso desconhecido para o ardor e a cólera.
Felizmente, o meu "Crime Passionnel" chegou depressa. Era uma cerveja bonita. Tinha a cor misteriosa do âmbar.
Valha-nos isso: a cerveja belga.
Um brinde infame aos malfeitores.
Soltei uma gargalhada perversa e bebi um trago de insanidade borbulhante.
Era uma cerveja amarga. Senti um calafrio na espinha.
No meu sistema digestivo, um crime passional a fermentar.
Estou com uma aversão furiosa ao mundo.
O que fazer perante o estado do mundo?
Não sei.
Por enquanto bebo com sofreguidão.
A minha boca amarga e condenável. Cheia de pensamentos impiedosos.
Estou para aqui a beber "Crime Passionnel" e a imaginar transgressões.
A afogar as mágoas do mundo.
É esta a minha infração. A minha pequena ira.
O meu crime apaixonado. Furibundo. Inofensivo. Não premeditado.
Amanhã vou ter dores de cabeça. Mas isso depois passa.
O tempo passa. Tudo passa.
Se calhar até escrevo um texto.
Para que serve um texto?
Não sei.
Serve para matar a sede. Para matar saudades.
Por exemplo:
Morra o Dantas, morra. Pim!
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
Supergigante no México
Arrebenta a bolha!
O Supergigante acaba de chegar ao México pelas mãos da editora El Naranjo numa tradução explosiva de Paula Abramo.
Começa assim: "Corro y no avanzo". Podem ler um excerto aqui.
A apresentação terá lugar no próximo dia 18 de novembro às 16 horas na "Feria Internacional del Libro Infantil y Juvenil" na Cidade do México.
O Supergigante acaba de chegar ao México pelas mãos da editora El Naranjo numa tradução explosiva de Paula Abramo.
Começa assim: "Corro y no avanzo". Podem ler um excerto aqui.
A apresentação terá lugar no próximo dia 18 de novembro às 16 horas na "Feria Internacional del Libro Infantil y Juvenil" na Cidade do México.
terça-feira, 8 de novembro de 2016
Losing on a Tuesday
Estou a ver a CNN há horas, mas não estou a ouvir nada. Tirei-lhe o som.
A CNN está para ali muda e calada.
Estou a assistir às eleições americanas ao som de Adam Green, americano de ginja.
Há pouco aconteceu uma coisa engraçada aqui nesta sala: o Trump estava ali a votar algures em Manhattan e o Adam Green cantou assim:
Losing on a Tuesday filled with purposeful disasters
Tell her I'm losing on a Tuesday afternoon
Pareceu-me premonitório.
De resto é uma bela canção.
A CNN está para ali muda e calada.
Estou a assistir às eleições americanas ao som de Adam Green, americano de ginja.
Há pouco aconteceu uma coisa engraçada aqui nesta sala: o Trump estava ali a votar algures em Manhattan e o Adam Green cantou assim:
Losing on a Tuesday filled with purposeful disasters
Tell her I'm losing on a Tuesday afternoon
Pareceu-me premonitório.
De resto é uma bela canção.
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Lisa Hannigan
Ouçam: no outro
dia vi a Lisa Hannigan. Estava mesmo à minha frente, em cima de um palco. Apareceu
no escuro a dedilhar a essência das coisas e também a sua guitarra e, durante duas horas, não
houve discórdias no mundo. Não houve amuos nem guerras nem fome. Só harmonia e
comoção.
Primeiro a guitarra e logo a seguir a sua voz iluminada de criatura mitológica. A dizer
qualquer coisa sobre as palavras, que boil away like steam. A cantar que I am empty
as a promise. E uma pessoa fica cheia de esperança na vida, na música, na humanidade.
A Lisa Hannigan
com o seu ar de elfa solitária. A dizer: I am lonely as a memory. E eu cá tive
vontade de verter pieguices pelos olhos e também de escrever pelos dedos.
No final comprei
um CD e também um caderninho de apontamentos. Fui para a fila de autógrafos, tirei-lhe fotografias.
A Lisa escreveu no meu caderno:
Happy writing!
E eu desatei logo a escrever.
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
Vergílio Ferreira
Era domingo. Eu estava a ler Vergílio Ferreira.
Um livro urgente. Entre a capela e o mar. Entre a vida e a morte. Até ao fim.
As páginas meio surradas, a esfarelar. Coitadas.
De repente, uma frase deslumbrante sobre o mar. E logo a seguir outra.
Eram frases gigantes, dramáticas. Poderosas.
Fiquei a vê-las chegar. Uma frase aqui, outra ali.
Lá vinha mais uma. Alta e cheia. Em estado líquido.
Rebentavam na cabeça uma e outra vez.
Como ondas.
A certa altura decidi agarrá-las. Eram frases reais. Tinham pele e cheiro. Poderiam morrer a qualquer momento. Estavam vivas.
Vai daí, copiei-as para um caderno com a minha letra ridícula. E elas ficaram dentro de uma página, a secar.
No final reli essas frases e achei que deviam existir assim. À toa e à solta.
Como poemas. Como mergulhos.
Como ondas. Assim:
Ouço o mar, é tudo grande e terrível.
Olho o mar ainda, fascinado pelo seu mistério, de que nasce o seu mistério?
Ouço-o na sua massa pesada e escura, retumba no oco do pavor.
E o rumor imenso do mar. Alargado a todo o espaço, mais intenso, exclusivo na solidão do amanhecer. Ouço-o. Pequeno eu face à sua imensidão.
Mas é preciso prestar atenção para o ouvir, no seu rumor implícito como o da harmonia das esferas.
Fresco de brisas o mar, estendo-o ao meu olhar difuso cansado. A verdade primeira. A verdade do início.
O sol vibra à superfície das águas. Um aroma a maresia. Um aroma a existir.
Gostava tanto do mar. Da força repousada do mar. Da música gigante do mar.
A verdade do mar.
O estrondo rouco do mar.
Absorver em nós a imensidão.
O mar deserto até ao limite do poente.
Um livro urgente. Entre a capela e o mar. Entre a vida e a morte. Até ao fim.
As páginas meio surradas, a esfarelar. Coitadas.
De repente, uma frase deslumbrante sobre o mar. E logo a seguir outra.
Eram frases gigantes, dramáticas. Poderosas.
Fiquei a vê-las chegar. Uma frase aqui, outra ali.
Lá vinha mais uma. Alta e cheia. Em estado líquido.
Rebentavam na cabeça uma e outra vez.
Como ondas.
A certa altura decidi agarrá-las. Eram frases reais. Tinham pele e cheiro. Poderiam morrer a qualquer momento. Estavam vivas.
Vai daí, copiei-as para um caderno com a minha letra ridícula. E elas ficaram dentro de uma página, a secar.
No final reli essas frases e achei que deviam existir assim. À toa e à solta.
Como poemas. Como mergulhos.
Como ondas. Assim:
Ouço o mar, é tudo grande e terrível.
Olho o mar ainda, fascinado pelo seu mistério, de que nasce o seu mistério?
Ouço-o na sua massa pesada e escura, retumba no oco do pavor.
E o rumor imenso do mar. Alargado a todo o espaço, mais intenso, exclusivo na solidão do amanhecer. Ouço-o. Pequeno eu face à sua imensidão.
Mas é preciso prestar atenção para o ouvir, no seu rumor implícito como o da harmonia das esferas.
Fresco de brisas o mar, estendo-o ao meu olhar difuso cansado. A verdade primeira. A verdade do início.
O sol vibra à superfície das águas. Um aroma a maresia. Um aroma a existir.
Gostava tanto do mar. Da força repousada do mar. Da música gigante do mar.
A verdade do mar.
O estrondo rouco do mar.
Absorver em nós a imensidão.
O mar deserto até ao limite do poente.
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Karateca e Supergigante no Brasil
Duas notícias do Brasil em 2016 (com alguns meses de atraso):
1) A "menina karateca" foi reeditada pela editora SESI-SP.
2) O Supergigante foi considerado "altamente recomendável" pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) na categoria de "literatura em língua portuguesa".
1) A "menina karateca" foi reeditada pela editora SESI-SP.
2) O Supergigante foi considerado "altamente recomendável" pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) na categoria de "literatura em língua portuguesa".
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