terça-feira, 5 de junho de 2018

Primeiro o silêncio

Primeiro o silêncio.
Depois um estalido.
E um pedaço de vento.
E depois nada.
Outra vez o silêncio.
Um grilo. Outro grilo.
Um pio. Uma coruja.
Um murmúrio de água. Talvez um rio.
De vez em quando um sapo. Um ramo. E depois um burburinho.
Um sino. Um rumor. Um clamor. Vozes. Gargalhadas. Espalhafato. Balbúrdia. Palmas.
Um acordeão.
Um berro. Dois berros.
Uma buzina. Uma campainha. Uma sirene.
Um ronco. Um estrondo.
E de repente um apito. E logo a seguir um grito.
Urros. Sussurros.
Passos.
Novamente um burburinho. Estalidos.
Um espirro. Um cochicho. Um suspiro. Um bocejo.
E mais nada.

1 comentário:

Miuxa disse...

Imaginei-me num comboio regional, tosco, à moda antiga. O cotovelo apoiado no rebordo da janela aberta, a passar pelos vários lugares que podem conter os sons e silêncios que descreves. Senti os crescendos e os silêncios. O vento na cara. O cheiro das árvores húmidas junto ao rio. Lindo.