sábado, 20 de fevereiro de 2016

O Nome da Rosa

Li O Nome da Rosa quando ainda não tinha bem idade para ler O Nome da Rosa. 
Ou seja, foi na idade certa. Fiquei logo a perceber o poder da literatura errada. 
Demorei-me várias semanas no século XIV a percorrer o labirinto daquele mosteiro. 
Lembro-me bem dos monges copistas. Daquela moça na cozinha. E, acima de tudo, da biblioteca proibida, no último andar, onde moravam os livros mais perigosos de todos, que se riam sozinhos. 
Os monges diziam-me: Cuidado com a literatura, pequena. Os livros errados provocam o riso e também a morte. No riso está a perversão e o demónio. 
Não te rias, pequena.
Cedo compreendi que os livros também matam. Que a comicidade é uma arma perigosa. 
Com o Umberto Eco aprendi o prazer da leitura. 
Aprendi a cair em tentação.
E a morrer a rir.

2 comentários:

Luís Henriques disse...

Também o li antes do tempo. Voltei às suas páginas há uns cinco anos, talvez. É uma soberba interpretação de Eco dos conflicto entre as ordens religiosas no Norte de Itália: Beneditinos (que seguem a Regra de S. Bento) e Franciscanos (que seguem a Regra de S. Francisco). Ele centra-se nos aspectos teólogicos, bastante mais interessantes para o desenrolar da história, mas muitos outros haveria para explorar. É mesmo de génio colocar um frade franciscano num mosteiro beneditino... quase como um capitalista num país comunista (ou vice-versa neste caso).

cumprimentos,

Bonamassa disse...

BLUES FOR ECO