segunda-feira, 20 de abril de 2015

Amor ortográfico: Canetas mágicas

Ando com duas canetas extraordinárias na mala.
E para quê andar com as duas?
Não sei.
Se uma falhar, sempre tenho a outra.
É que as minhas canetas extraordinárias têm um poder especial: apagam a tinta sem magoar o papel e não deixam quaisquer vestígios. 
São canetas mágicas, claro! 
Corrigem o passado. Reescrevem a história.
Isto quer dizer que posso finalmente corrigir todos os meus cadernos e ninguém vai dar por ela, a não ser que os metam no frigorífico.
No frigorífico?!
É verdade.
Pelos vistos, as duas utilizam a mesma tecnologia: tinta sensível à temperatura. Aparentemente, o esforço de investigação e desenvolvimento foi grande e o resultado é sobrenatural. O calor gerado pela fricção da borracha torna a tinta invisível!
Nem de propósito, a minha primeira caneta mágica chama-se FriXion e é fabricada pela Pilot. A outra é a erasable pen da Muji. São ambas canetas de gel, ambas Made in Japan, ambas azúis e com bicos perfeitos de 0,5 mm.
O senhor da papelaria onde comprei a FriXion mostrou-me outra possibilidade para apagar a tinta. O método impressiona os mais sensíveis à temperatura e, além de eficaz, é bastante estiloso. Basta agarrar num isqueiro e passar a chama pelo papel. A tinta desaparece.
São canetas de feiticeiro com design japonês. Daí ter duas. Para reescrever duas vezes.
No entanto, se tiver de escolher entre uma e outra caneta mágica, não vou hesitar: prefiro a caneta da FriXion. Dá mais fricção à escrita e inclui um apoio confortável para a ponta dos dedos, o que possibilita uma utilização prolongada. 
Além disso, a borracha de tinta da FriXion é maior e, ao contrário da caneta da Muji, vem agarrada ao corpo da caneta e não à tampa. Isto permite-me mordiscar a tampa da caneta de forma contínua e sem remorsos, o que tem literalmente um impacto positivo no ato da escrita.
A caneta da FriXion tem ainda um corpo de plástico mais bonito do que a caneta da Muji. É menos cilíndrico, menos básico. 
Por último, a caneta FriXion pertence a uma edição exclusiva dos Estúdios Ghibli. Além de poderes especiais e de um apoio para os dedos, contém três Totoros.
É um toque de magia para lá da magia.
Irresistível!

8 comentários:

Miuxa disse...

Deste uma dimensão não-policial às canetas de escrita invisível. Gostei, posso imaginar a Cinderella, a Pequena Sereia e a Princesa do Gelo a escreverem com canetas dessas :-)

pessoana disse...

Eh pá! É que não me lembrei mesmo de dar uma dimensão policial à coisa...

Magui disse...

A qque faltam me fizeram essas canetas no passado! Sou muito trapalhona a copiar textos, engano-me muito. Por isso gosto tanto do computador.

Mas quanto a ti, fico a pensar no que acontecerá aos teus manuscritos que fazem parte do historial da tua faceta de escritora.

Anónimo disse...

Um corpo de plástico
mais bonito
menos cilíndrico menos básico
(quase um poema futurista).

Não faço
ideia
do que sejam
Totoros
(um quase-haiku-vão-repolho...)

Saudades, fazes cá falta, até já!


alf

pessoana disse...

Um beijinho, ALF!
E obrigada pelo contributo haiku vão repolho!

pessoana disse...

Magui, já fiz a experiência. A tinta reaparece quando ponho o caderno no frigorífico!

Miuxa disse...

Não me digas que daqui para a frente para levarmos os teus manuscritos numa leitura ao ar livre temos de os transportar em malinhas frigoríficas (rs,rs,rs)

Bonamassa disse...

FROZEN SPY PEN BLUES