quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Prémio Branquinho da Fonseca 2011


Um dia destes fartei-me do meu joelho direito. Vinha no táxi a caminho de casa, e quando olhei para ele, achei-o horrível. Vinha inchado como um sapo e tinha vários cortes na cara. Além disso, era um verdadeiro emplastro, não servia para absolutamente nada.

Nessa altura arrependi-me de várias coisas. Na verdade, de uma só coisa.

Do karaté.

A bem dizer, se não tivesse feito karaté, talvez nunca chegasse a ser operada ao joelho.
Pus-me então a imaginar vidas alternativas para o meu joelho direito, que parecia agora um sapo: natação, equitação, bodyboard, ginástica rítmica, bowling, parapente...
A viagem chegou ao fim, saí do táxi.

O taxista ralhou-me, disse-me não-sei-o-quê da tinta nova e eu pedi muitas desculpas (desolada), expliquei que não era fácil controlar várias pernas ao mesmo tempo. Fui para casa, pé ante canadianas. A esta altura o meu joelho direito coaxava qualquer coisa ao meu ouvido e eu calei-o com um saco de gelo assim que cheguei a casa.

Liguei o computador, li os e-mails.

Pouco tempo depois soube que o meu trabalho com o inacreditável título O Caderno Vermelho da Rapariga Karateca tinha conquistado o Prémio Branquinho da Fonseca 2011 na categoria de literatura juvenil.

Pausa.

Olhei para o meu joelho direito, mas não consegui olhar para ele por causa do saco de gelo. Debrucei-me sobre o meu joelho, libertei-o do gelo e dei-lhe um beijinho.

Ao contrário do que se podia esperar, o meu joelho direito não se transformou num príncipe. Ficou tal como estava, muito sapudo, as bochechas vermelhas cheias de ar e cicatrizes.

Pensei um pouco sobre poucos assuntos: a ficção e a realidade, o karaté, as vidas alternativas, o Branquinho da Fonseca, a literatura juvenil, O Caderno Vermelho da Rapariga Karateca.

Concluí que, se não tivesse feito karaté, nada disto teria acontecido.
Não era uma conclusão brilhante, é certo, mas era uma conclusão possível.

O meu joelho direito olhava para mim todo inchado e eu já não o achei tão feio.

Depois fui fazer pipocas e estive a ver um filme do Bruce Lee.

8 comentários:

Magui e JOTA B. disse...

E nós também estamos todos "inchados"!
"Inchados do orgulho que sentimos por ti.
Esperamos poder assistir à entrega de muitos outros prémios literários, nem que seja de moletas!
Parabéns!
Parabéns também ao "Homem Ilimitado"

Magui e JOTA B. disse...

E nós também estamos todos "inchados"!
"Inchados do orgulho que sentimos por ti.
Esperamos poder assistir à entrega de muitos outros prémios literários, nem que seja de moletas!
Parabéns!
Parabéns também ao "Homem Ilimitado"

Magui disse...

Outra vez duas vezes!
Foi um lapso, mas, neste caso, apetece dizer muitas vezes PARABÉNS!

Sara Bandarra disse...

Ena! A Magui e o JOTA B quiseram ficar com três primeiros comentários só para eles. Qualquer dia tem de se fazer pedidos de reserva de comentários aqui no Belgavista!
Quero muito ler esse livro. Aguardo com entusiasmo.
Ainda bem que andaste no karaté e gostas de escrever.

Miuxa disse...

Vermelho, vermelho, tenho assim uma ideia de que havia um 'Livrinho vermelho do galo de barcelos', sátira política se não me engano, e que associo aos tempos revolucionários, 25 de Abril, Conselho da revolução, jornalistas sem gravatas, MRPP, PS a contrabalançar,o meu irmão à mistura, o meu pai em descomunal esforço de sobrevivência e adaptação ... conturbados e indisciplinados tempos do PREC.
Esse da rapariga karateca estou mortinha por lhe pôr a vista em cima, é claro ! (E é claro que vou tentar ser a primeira a comprar, tipo na fila a meio da noite para guardar lugar, tipo Harry Potter ...)

Ofelia disse...

Félicitations! J'ai hâte de découvrir ton bébé de papier! ;-)

heretico disse...

muitos parabéns.

gostei de saber...

Magui disse...

Já viste como estás bem no Expresso
de hoje?
Mais uma vez, PARABÉNS!