O narrador deste texto anda interessado em raparigas muito magras que não sorriem e têm dentro da mala um saquinho de pano que utilizam para ir às compras. Há muitas raparigas assim nesta cidade, por isso o narrador coloca-se estrategicamente na porta de saída do supermercado para as ver passar.
Não precisa de esperar muito tempo, porque já ali vem uma a dobrar a esquina.
Descreve-a no seu bloco de notas: uma certa falta de cadência nas ancas, um rosto desinteressante como um sinal de trânsito.
A rapariga passa pelo narrador e não deixa nenhum rastro, nenhuma pegada, nenhum perfume. Entra agora no supermercado com o mesmo que ar com que entraria numa repartição de finanças, sem especial interesse. Deambula pelos corredores sem olhar para as prateleiras, sabe exactamente o que quer. Tira cinco coisas para o cestinho, não mais, e encaminha-se agora para as caixas. Respeita a fila educadamente, o rosto igual a um sinal de trânsito, o corpo muito magro, exibindo ossos. A alma escondida atrás de tudo isto a fazer não se sabe o quê.
Tira cinco coisas do cesto: um pacote de quatro iogurtes magros, uma alface, um saco transparente com cinco cenouras lá dentro, uma caixinha com três fatias de queijo e uma pasta de dentes. Não fica muito tempo à procura do seu saquinho de compras, sabe exactamente onde está. As cinco coisas cabem perfeitamente no saquinho de pano que traz dentro da mala. Os seus dedinhos mexem-se com sonolência, sem apetite.
Sai do supermercado, ainda o mesmo ar de repartição de finanças.
O narrador deste texto continua a tirar notas, mas está tão interessado nesta rapariga muito magra que acaba de ter uma erecção ao vê-la passar.
Este fenómeno é único, porque nenhum outro homem tem erecções quando vê esta rapariga passar.
Ora, o narrador deste texto é, claramente, muito mais interessante do que a rapariga com saquinho de pano.
13 comentário(s):
Epá! E como é que ele disfarça? Se estivesse na Costa da Caparica ia para a água, mas ali, à porta do supermercado... coitado! Espero que esteja de fato de treino, daqueles verdes e brilhantes e largos, com algumas riscas floridas, usados pelas famílias aos Domingos para ir ao supermercado... ai, mas na Bélgica não se vai so supermercado aos Domingos, coitado, por isso não tem o fato de treino... e agora?
ora o narrador deste texto
tem erecções mais magras
que as magras gentes que o ereccionam
o narrador pode ser um cão?
ou uma bolacha?
Esse narrador é como um sinal de trânsito!
Bolas! É preciso muita imaginção para um final como este!
Ana, estás aqui com um problemazinho tipo 'mirone' perverso, ou é impressão minha?
Olha, os meus leitores voltaram!Obrigada.
E agora até há um novo! Quem é o Trotil?
Buba, o narrador é que tem problemazinhos de mirone perverso! Eu é mais problemas de identidade!:-)
Quanto à tua outra pergunta, as minhas meninas são, na verdade, a Sininho segundo Loisel: http://www.regisloisel.com/base.htm!:-)
Estava a referir-me ao Trotil, pareceu-me um bocado intruso, (sem ofensa, ó Trótil!)... mas se calhar é algum amigo teu... desculpa lá!...
Éééélááá !!!
Queres ver qu'este blog vai passar a pornográfico ?!
E eu que o achava tão confortável, apesar de algumas crises de identidade e uns divertidos absurdos muito pessoanos ...
(Aposto que o Trotil veio aqui parar depois de um search no google do tema 'erecção' ... nem sabe onde se veio meter !)
Ninguém ligou ao saquinho de pano da rapariga. Um pormenor...
O que é que ela leva no saquinho de pano?
Konami fresquinho, amiga Rosa!:-)
Ah que falta faz o fanfani e o marakaté ...
:))))
beijinhos
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