sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Não obstante as brumas

Aquela rapariga anda de sandálias brancas não obstante as brumas e a inevitabilidade da chuva. Anda contente de pés ao léu, ostentando as suas unhas lindíssimas, pintadas de fresco.
A rapariga de sandálias brancas acredita piamente no Verão, mesmo que daqui a pouco ande a chapinhar em poças de água.
Outras raparigas acreditam noutras coisas. Aquela acredita no Verão. (As raparigas arabescas, por exemplo, que andam por aí encarapuçadas como criminosas acreditam em coisas mais invernais e, portanto, menos iluminadas.)
A rapariga de sandálias brancas e unhas pintadas de fresco atravessa a rua e polvilha a estrada de Verão, qual Sininho na terra do sempre.
Quase desejamos que chova para a ver chapinhar na água.
Em Bruxelas, o Verão é assim. Uma questão de atitude. De crença. E não uma estação.
O autor e o narrador converteram-se. E vão pintar as unhas dos pés.

3 comentários:

Miuxa disse...

Estejas em que Verão estiveres, aproveito para fazer votos de que celebres sempre mais um.
(Costuma dizer-se "vocês fazem-me velha". Ainda por cima outro dia vi um bébé que era a cara chapada do pai há 30 anos atrás ...)

Sara disse...

Sim, uma mulher que espalha o Verão pela rua, para ela e para todos que estão atentos a esse pormenor.
As mulheres tapadas que falas, também soltam o seu Verão pelos pés, não na rua, mas num mundo que não é para todos. Podemos concordar ou não.
Quando estive na Belgica e me encontrei com elas na rua, achei que soltavam o Verão com os seus lindos olhos negros brilhantes que contrastavam com os lenços coloridos que as tapavam.

Magui disse...

Em Bruxelas e não só.
Nunca perder a esperança quando há brumas.
Pintar as unhas dos pés, das mãos, os lábios...mas não perder a esperança!
Trouxeram-me dois bolbos de tulipas de Amesterdão há um ano.
Plantei-as na Primavera.
Foi uma luta contra as pestes. Parecia não terem vingado. Mas reguei-as sempre.
Hoje, hoje mesmo, descobri um pequeno rebento. A vida vai continuar.