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terça-feira, 26 de abril de 2022

"Está a chover!" nos Hipopótamos na Lua

Olha, olha. O Gnu e o Texugo encontraram uns Hipopótamos na Lua.

Belo texto de análise da blogger, livreira e dinamizadora Nazaré de Sousa no seu blogue "Hipopótamos na Lua":

https://hipopomatosnalua.blogspot.com/2022/04/o-gnu-e-o-texugo-esta-chover.html

Copio para aqui este excerto muito vrim, vram, vrum:

"Tal como no primeiro livro, a simplicidade e o humor do texto de Pessoa voltam a encantar-nos. A dose de ingenuidade e até o seu quê de nonsense  desconcertam o leitor várias vezes. Gostamos dos vrim, vram, vrum, dos snif, snaf, snuf... Gostamos e precisamos de histórias que nos fazem rir. Só porque sim. Na esteira das anteriores, as ilustrações de Matoso são um regalo para os olhos de miúdos e graúdos. Mesmo à chuva, este é um livro que continua a poder virar-se de cabeça para baixo, permitindo ler a história ao contrário. E que história! Sic, sac, suc."





domingo, 20 de março de 2022

O gnu e o texugo - Está a chover!

Ao contrário da minha mãe e do meu avô Manuel, nunca fui grande jogadora de cartas. Mas sempre tive um fascínio por baralhos de cartas. 

Copas, espadas, ouros, paus.

Aquela coisa de as cartas nunca ficarem de cabeça para baixo: reis e damas com duas cabeças. O valor indiscutível do trunfo, que daria tanto jeito na vida. 

Esta frase extraordinária: “Toma e vai buscar.”

Passei muitas horas da vida a jogar Uno com os meus pais. Passei algum tempo da minha infância a fazer paciências. Nunca aprendi um único truque de cartas. Nunca aprendi a baralhar como deve ser. Nunca sei as regras do jogo.

Como jogar às cartas quando não se sabe jogar às cartas? Será que podemos jogar sem regras? Será que as podemos inventar?

Diverti-me à grande a escrever esta história do gnu e do texugo, que não percebem patavina de cartas, mas gostam de jogar na mesma. A Madalena Matoso, esse incrível ás de copas, fez do texto um livro muito fora do baralho, que me faz rir a cada página.

Espero que o encontrem por aí e que gostem dele.

Clip, clap, clup.

Tudo sobre ele: https://www.planetatangerina.com/pt-pt/loja/o-gnu-e-o-texugo-esta-a-chover/

sexta-feira, 5 de março de 2021

O Gnu e o Texugo na RTP3

Hoje, “O gnu e o texugo” fecham em grande estilo no "Todas as Palavras".


Nas palavras de Inês Fonseca Santos:

Um programa com tanta poesia, essa arte antiga de baralhar a linguagem e o mundo, conferindo-lhes um novo e inesperado lugar, não podia terminar sem a companhia de “O Gnu e o Texugo”.


Porquê?


A resposta está no subtítulo deste livro, escrito por Ana Pessoa, desenhado por Madalena Matoso e publicado pelo Planeta Tangerina. Diz assim: “Cuidado com o vento”.


E a verdade é que o vento também baralha sentidos e vira o mundo de pernas para o ar, colocando-nos no tal inesperado lugar, aqui imaginado por duas das autoras que mais nos espantam sempre que criam um livro novo.”

Episódio completo aqui: https://www.rtp.pt/play/p8281/e528715/todas-as-palavras

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Making of do Gnu!

 “Making of” do livro “O Gnu e o Texugo”.


Como é que cheguei a este texto? E como é que a Madalena Matoso chegou aos desenhos?


Das primeiras ideias à saída da gráfica, passando pelos cadernos arejados da Madalena Matoso e começando pelo texto. Assim: “No início pensei num buraco”. É mesmo verdade.


https://www.planetatangerina.com/pt-pt/making-of-do-livro-o-gnu-e-o-texugo-parte-1/?fbclid=IwAR3nKp5VriHfgOkobXuJQNHUCno1-4lfY-F0uL69pzxEStsb9ReB_aG7iBg

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

O gnu e o texugo na Prateleira de Baixo

“O gnu e o texugo” passaram na Prateleira-de-baixo e foram muito bem recebidos. Texto mui generoso e pessoal de Sara Amado.





“É uma história sobre identidade, amizade e liberdade. Uma história que chega ao fim, a meio do livro, para recomeçar baralhada: no texto, nas ilustrações, na paginação e no lettering. E a fazer sentido, na mesma.

E é uma brincadeira. Só isso. Porque é mesmo preciso brincar, experimentar, baralhar para dar de novo, para dar novo!

É urgente brincar. Nestes tempos sombrios, uma boa rabanada de vento pode bem servir para nos fazer olhar tudo (tudo o que temos agora, porque desta não nos safamos...) de maneira diferente.”


Texto completo aqui:

 https://www.prateleiradebaixo.com/2020/11/theres-more-to-you-than-meets-eye.html?fbclid=IwAR01niOfP6AKpIns9oFv4zlUM4zX1So7ABzID2-SH3k3H8grK1T8-HmYL1M&m=1#.X7-LGar7SJQ

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

O primeiro gnu

Mais de um milhão de gnus migram anualmente nos ecossistemas da Tanzânia e do Quénia em busca de água e alimento. É uma migração circular, que nunca acaba. Todos os anos, percorrem mais de 3 mil quilómetros e atravessam vários rios, ao ritmo das chuvas e das pastagens. Li algures que todos os anos morrem nestas travessias mais de 6 mil gnus. O rio Mara, por exemplo, é bastante largo, fundo e rochoso. Muitos gnus são atacados por crocodilos ou morrem afogados. 

Um dia assisti a uma destas travessias do rio Mara. Foi das coisas mais incríveis que vi em toda a minha vida. É preciso imaginá-los: milhares de gnus com os seus chifres colossais e as suas pernas longas. Estão do lado de lá do rio, por isso vemo-los de frente.

São horas de espera e hesitação. 

Por vezes um deles aproxima-se da margem, mas logo se retrai. Olha para a água e avista talvez o perigo ou então o seu reflexo assustado, por isso perde a coragem. Em determinados momentos os gnus parecem não saber já qual a direção que devem seguir e ficam por ali à deriva. Depois lá se concentram novamente e avançam devagar até à margem. Olham em frente com determinação e parecem animados com a ideia de seguir o seu caminho. Mas logo um se assusta e volta para trás, e o grande coletivo de gnus perde mais uma vez o rumo.

Passadas horas, a tensão é grande. Estão parados e silenciosos, mas não estão sossegados. Sentimos a sua aflição precisamente nessa falta de movimento e de som.

E de repente, num ato de coragem e loucura, o primeiro gnu salta para a água e logo a seguir o segundo, o terceiro e todos os que ali estão. Milhares. Correm o mais rápido que conseguem e depois nadam. A certa altura só vemos as cabeças dos gnus na zona mais funda do rio. Vemo-los depois já deste lado, molhados, assustados, exaustos. Seguem atrás uns dos outros e ao lado uns dos outros, mas também uns em cima dos outros e uns contra os outros. 

Quando passam por nós, que os observamos dentro de um jeep, sentimos o seu medo e também a sua fúria. Lembro-me do som daquelas patas contra o rio, contra as rochas, contra a terra, o som dos corpos musculados a roçarem uns nos outros, o som da respiração acelerada. Alguns voltam para trás à procura dos seus. Outros abrandam o passo para que os mais novos os acompanhem. Mas avançam sempre.

Ao longe são uma manada possante e organizada, mas ao perto são uma amálgama de corpos desordenados, sozinhos e desesperados. Sabem que nem todos chegarão ao lado de cá, que ninguém ficará para trás a cuidar deles e por isso sentem pavor, mas também ânsia e urgência. Não podem ficar à mercê dos predadores, não podem voltar para onde estavam. A única solução é seguir em frente e procurar novas pastagens.

Quando escrevi esta história sobre os que são levados e trazidos pelo vento, não resisti a nela incluir um gnu. 

É o meu tributo a todos os animais migratórios ou migrantes, incluindo os seres humanos que, na maior parte das vezes, mesmo quando chegam a territórios ditos civilizados, não são recebidos com a delicadeza que merecem. 

Com mais ou menos educação, com mais ou menos vegetação, o mundo continua a ser para demasiadas pessoas uma autêntica selva.

O livro não fala sobre isto. Nem sequer fala de pessoas. Mas foi em tudo isto que pensei quando escrevi “O gnu e o texugo”.

Venham daí novos ventos. Novos tempos. Novas vontades.


(Ilustração da magnífica Madalena Matoso para “O gnu e o texugo”)

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

O gnu e o texugo

Faço votos por que venha aí um vento de mudança. Para já, levem lá com este livro, que é todo ele uma rajada.

https://www.planetatangerina.com/pt-pt/loja/o-gnu-e-o-texugo/

Eis uma história que andou às voltas e às voltas e ficou toda baralhada. Primeiro é um gnu que vai com o vento, depois é um texugo e lá pelo meio é o próprio livro que vai pelos ares.

Numa altura em que estamos todos a precisar de mudar de ares e de dar um abraço a quem vai e vem, espero sinceramente que este livro traga com ele um sopro de esperança e humor.