terça-feira, 5 de março de 2024

Leva-me ao teu líder!



Acabei o serão a falar de eleições com o mais velho. 

Estávamos a ler um livro sobre um extraterrestre recém-chegado ao nosso planeta que quer falar com o dono disto tudo. 

“Leva-me ao teu líder!”, diz o ET a um menino. Segue-se então um diálogo de perguntas e respostas, em que o menino vai explicando ao alien que não há propriamente um chefe, que “o nosso líder é toda a gente junta”. 

O ET acha isto muito esquisito, claro. Como assim, toda a gente junta? 

Às páginas tantas, fica espantado com o desfile de eleitores empunhando boletins de voto.

“- Porque estão em fila?”, pergunta o extraterrestre. 

O meu filho aponta para a página ao lado, onde está uma urna aguardando os votos. Diz: “Eles vão pôr os papéis no lixo”.

Isto deu-me muita vontade de rir, de votar, de reciclar, de fazer campanha eleitoral e também de explicar ao meu filho que a democracia não é coisa para deitar no lixo. É uma coisa muito valiosa, muito frágil e absolutamente essencial.

Ele ficou a olhar para mim com aquele ar perplexo das crianças (e dos extraterrestres, imagino).

Queridos eleitores terrestres, ide votar. 

Pela nossa saúde, ide votar. Pelo nosso futuro. Pelo planeta. Pela igualdade. Pela democracia.



sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

TodosTusLibros 2023!

Volta e meia tiro fotografias às montras das livrarias. Peinture Fraîche, Flagey, Ptyx.

Passei parte da minha juventude na cave de um alfarrabista. 

Quando topo livros meus nas livrarias, ponho-os em destaque. Foi o livreiro da Candide que me falou de Annie Ernaux. Foi uma livreira que me recomendou Bastien Vivès. Foi na livraria da Flagey que descobri Julie Delporte. 

Em 2016, no dia dos atentados em Bruxelas, refugiei-me na livraria Ptyx, onde comprei uma novela gráfica chamada “Ici”. 

Há umas semanas, num dia de chuva, descobri uma livraria de esquina chamada Quartier Libre. 

Adoro esquinas. E acima de tudo adoro livrarias. São os meus lugares de culto. É ali que encontro paz e exerço a minha fé. 

E é por isso que, neste momento negro para o mundo, receber um prémio pela mão dos livreiros me dá muita vontade de rir e também de comer patatas bravas e emborcar uma garrafa de cava, porque este prémio é espanhol.

Em homenagem aos livreiros espanhóis, incluo aqui fotografias de três livrarias muy monas que visitei em Barcelona, em 2022, precisamente quando a Mary John foi premiada pelos livreiros da Catalunha: Finestres, Espai Culturista Sendak e la Central.






A todos os livreiros que votaram na Mary John, muchas gracias! A todos os livreiros que não votaram na Mary John, muchas gracias também. 

Que nunca nos faltem as livrarias nem os livreiros nem os livros. 

Se o mundo acabar antes de mim, estarei a folhear um livro na secção de ficção.