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terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Planeta Supergigante

O Planeta Tangerina faz 20 anos. Fogo. É mesmo muito tempo. Quando lá cheguei, a história já ia para lá de meio. E que bom foi aterrar nesse astro.

Esta foto é da festa do Planeta Tangerina em 2014. Nela lançamos para o espaço o “Supergigante” e também o “Com o tempo”. Foi na Casa Independente. Foi há quase 7 anos. Era verão, estava calor. 

Olho para esta fotografia e vejo os meus pais e os meus tios. Vejo a Marta a roer as unhas. Vejo o Rui Gonçalves e o Manuel Miranda, que já não andam por cá. Vejo até o Sérgio Godinho, que me pediu um autógrafo e eu não sabia o que escrever, que nervos. Não vejo a Joana, que tinha acabado de dar à luz um bebé muito fixe que hoje em dia é um rapaz muito fixe. Não vejo a Isabéu, que apareceu mais tarde. Não vejo o Johnny, mas sei que ele estava lá.

Olho para esta fotografia e lembro-me do meu estado de nervos, da Isabel Minhós sempre rija e calorosa, lembro-me do Afonso Cruz a falar pelos cotovelos, lembro-me daquela esplanada da Casa Independente, da saudade que eu senti de uma Lisboa que nunca foi minha, do Bernardo a cirandar por ali de chinelos, do pai da Madalena Matoso que conheci nesse dia, do autógrafo aos tremeliques que dei ao José Mário Silva, da boa onda da Cris e da Carol na palheta com os meus pais, do sorriso da Guerreira, que me fazia tanta falta em Bruxelas mas estava tão feliz em Lisboa. 

Foi um dia tão alegre e tão triste ao mesmo tempo. A minha corrida Supergigante chegava ao fim nesse dia. Estava muito calor. E eu sentia-me tonta, vazia e cansada. 

Tinha dado tudo o que tinha a esse livro. Não era muito, mas era tudo.

Toda a minha euforia, toda a minha dor, toda a minha fúria, todo o meu fôlego. E agora o livro corria sem mim. Qualquer um podia pegar nele. Qualquer um podia rir-se da minha prosa, desdenhar daquele rapaz a correr. Na melhor das hipóteses, talvez alguém gostasse do livro, oxalá o Supergigante encontrasse algum leitor com vontade de correr com ele. Era o que desejava para este meu segundo livro. Gostei tanto de o escrever, de sofrer com ele, de correr com ele.

O que seria deste livro sem o apoio incansável da Isabel Minhós Martins que me dizia frontalmente “gosto disto, mas não gosto nada daquilo”? O que seria do livro sem as ilustrações techno sound do Bernardo? O que seria de mim sem esta festa do Planeta Tangerina? Não sei. 

Felizmente não corro sozinha. Corro com eles. Com os habitantes do Planeta Tangerina. São pessoas tão fixes e, ainda por cima, tão sérias e competentes e geniais e amigas.

Que coisa tão boa me aconteceu na vida. Aterrar assim no Planeta Tangerina. E andar por lá a correr e a saltar!

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Gosto, logo existo


Agora que o ano chega ao fim eis que veio à tona um livro fenomenal que tem a despretensiosa intenção de nos salvar a todos.

É um livro sobre este mundo cheio de mundos dentro, sobre as histórias dentro destes mundos e sobre as pessoas que contam as histórias destes mundos. É um livro sobre o jornalismo, sobre a Internet, sobre os algoritmos, as notícias. Sobre a nossa pegada digital, sobre telemóveis inteligentes, boatos, teorias, opiniões, bolhas, emojis, likes. E também sobre desinformação, pensamento crítico, liberdade, privacidade e este misterioso vício de estarmos sempre ligados sem nunca sabermos o que está em causa.

No fundo é um livro sobre a nossa demanda constante de verdade.


É um livro que nos apresenta números também: anualmente vendem-se mil e 200 milhões de smartphones; todos os dias são lançadas 3 mil milhões de pesquisas no Google; no Instagram publicam-se mil fotografias por segundo; as crianças e os jovens portugueses passam cerca de 3 horas por dia na Internet.

Como se fala sobre tudo isto, que é tão maior do que nós? Em particular, como é que se fala disto aos mais novos, que já nasceram no berço das redes sociais?

Eu cá não sei.

Quando este livro era apenas uma ideia, achei que se tratava de uma missão impossível.

Felizmente a editora e visionária Isabel Minhós Martins consegue vislumbrar, acreditar, fomentar e inspirar. 

Com o seu apoio e entusiasmo, a incrível jornalista Isabel Meira, pessoa que eu admiro até aos confins da verdade e da amizade, escreveu este livro inacreditável.


Para já, é um livro lindo de morrer e viver, com design gráfico e ilustrações do Bernardo P. Carvalho. E é uma leitura que vai encantar toda a gente: os mais novos, os mais velhos, os que fazem likes, os que fazem perguntas, os que não fazem nada, os que já viram tudo e os outros todos também.

É um livro que vai dar que pensar e falar. Que vai pôr isto tudo a mexer. Que nos pode ajudar a dar um passo em frente ou então um passo atrás. Que pode fazer de nós todos pensadores e ativistas. E que pode, portanto, transformar o mundo.

Lá para o fim do livro, na nota biográfica, a Isabel Meira é apresentada como alguém que gosta mais de perguntas do que de respostas. 

O livro está de facto cheio de perguntas. Gosto em especial de uma pergunta que aparece lá para o meio: Pensas que sabes pensar? E gosto ainda mais de uma outra pergunta que aparece no finalzinho:

Em que mundo queres viver?

Se querem pensar sobre isto, leiam este livro. 

Estou só a avisar.


(Roubei estas fotos ao Planeta Tangerina.)

Tudo sobre o livro: https://www.planetatangerina.com/pt-pt/loja/gosto-logo-existo/?fbclid=IwAR1S73TH0m9DJR5Bd8jGHVnrRl-cgVOvyEYujvc0pXXTsNXYtiMADPAksOM

terça-feira, 8 de setembro de 2020

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Para que serve?

Hoje é dia mundial do livro. Coitados dos livros. Há meses que não leio a ponta de um corno. Vou lendo às mijinhas, fico sempre a meio de uma frase. Volto atrás. Releio o parágrafo, a página anterior. Não me lembro de absolutamente nada. Adormeço. As livrarias do bairro estão todas fechadas. Têm folhas à porta a dizer que podemos encomendar livros por email. Ah, boa. Bela ideia. Não encomendei nenhum. O melhor que fiz foi encomendar livros diretamente a algumas editoras. Chegam pacotes às pinguinhas. Se morrerem as editoras independentes, estamos feitos. Ouviram? Acaba-se esta coisa dos livros e da literatura. Se fecharem as livrarias do bairro, corto os pulsos ou então faço uma tatuagem a dizer: mea culpa. Porque a culpa será minha. A culpa será nossa. Ouviram?
Estes tempos não são para livros, né?
Ou são?


Pois tenho a dizer que hoje, dia mundial do livro, chegou por correio um livro lindo, rosa choque. Por favor, agarrem-no. Encomendem-no. Chama-se Para que serve?, é do José Maria Vieira Mendes e da Madalena Matoso, e não serve para nada. Nadica de nada. Não ensina a fazer máscaras de tecido, não dá conselhos amigos, não conta uma história sequer. E é um livro lindo e tão necessário em tempos de confinamento social, económico e cultural. Que bem me fizeram estas perguntas fluorescentes. E que pena não podermos ver as estantes das livrarias repletas de exemplares deste livro. Todos a perguntar em rosa choque: Para que serve? Para que serve? Para que serve?
No dia mundial do livro ocorre perguntar: Para que serve um livro? 
Para nada, claro.
E para absolutamente tudo.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Cartaz nham nham

Olha, que cartaz tão nham nham, ri-te ri-te! Ilustrações piripiri, tchim-tchim da mega pisca-pisca Madalena pompom.


Nos próximos 15 dias, todas as compras na nova morada do Planeta Tangerina recebem este cartaz-poema “Reco-reco, Nham-nham”.

https://www.planetatangerina.com/pt-pt/l/livros/

quinta-feira, 1 de março de 2018

Catálogo 2018 do Planeta Tangerina

Há novidades, malta! O catálogo 2018 do Planeta Tangerina traz lá dentro, entre outras coisas, uma orquestra, um atlas, um poema de gatas e um final feliz!

Clicar aqui!



quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O dicionário do menino Andersen

Vejam só o que aí vem:

O lançamento deste belíssimo livro é já na sexta, 20 de novembro, às 21h.
Mais informações e cenas fixes aquiali e acolá.

Quem não for, leva com uma definição na cabeça.
Eu, por exemplo, levei com esta banheira.
E gostei.



quarta-feira, 8 de julho de 2015

Planeta Tangerina em exposição

Nos próximos tempos, se passarem por Coimbra, não deixem de ver a exposição do Planeta Tangerina. Eu ainda não fui, mas espero ir!
Em baixo, o convite.


O Planeta Tangerina pode ser visitado em forma de exposição no Colégio das Artes da Universidade de Coimbra. A exposição, que estará patente até ao próximo dia 23 de outubro, desvenda alguns aspetos dos bastidores do trabalho de criar livros, desde os esboços e experiências ao nível das ilustração, aos originais e maquetas que dariam origem aos livros. Aqui se mostram também as hipóteses que estiveram em cima da mesa — as capas, os letterings, os formato e até os projetos que não avançaram — assim como as edições que viajaram para outros países, com outras capas, outros alfabetos,
outros acabamentos.


A exposição é uma iniciativa do Colégio das Artes, uma unidade da Universidade de Coimbra que opera no âmbito da Arte Contemporânea numa perspetiva transversal aos vários domínios do saber artístico.

 

A exposição pode ser visitada de 2.ª a 6.ª feira entre as 14 e as 18 horas.
Colégio das Artes da Universidade de Coimbra
Largo D. Dinis · Coimbra

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

terça-feira, 3 de junho de 2014

À conversa com o Planeta Tangerina

Eu sou multitasking. No outro dia estive à conversa com o Planeta Tangerina por e-mail enquanto passeava por Bruxelas. Foi giro!
Falámos sobre a escrita, a vontade de rir, o chocolate belga e o amor na adolescência.

http://planeta-tangerina.blogspot.be/2014/06/ana-pessoa-quase-em-direto-de-bruxelas_2.html

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Irmão Lobo - Convite

A coleção «Dois passos e um salto» do Planeta Tangerina é das coisas mais saltitonas que por aí andam.
A karateca anda por aí aos pontapés.
E agora é a vez do Irmão Lobo abanar a cauda.

Eu cá já tenho um exemplar.

Sou colecionista.

quarta-feira, 27 de março de 2013

O Planeta Tangerina é a melhor editora infantojuvenil da Europa

O Planeta Tangerina foi a melhor coisa que aconteceu à literatura infantojuvenil em 2013 na Europa.

É verdade! Agora já não parece mal dizer, é oficial. Não fui eu que disse. Também não foi um júri qualquer. Também não foi uma instituição qualquer. Foram mesmo as outras editoras presentes na Feira do Livro Infantil em Bolonha, que é, por sinal, a maior feira de livros infantojuvenis.

Eu, por acaso, também acho que o Planeta Tangerina foi a melhor coisa que aconteceu à literatura infantojuvenil e, como sabem, a minha opinião, além de qualificada, é com-ple-ta-men-te imparcial.

Aqui há umas semanas, A Ilha, do João Gomes de Abreu e da Yara Kono, também recebeu nesta mesma feira uma menção honrosa como primeira obra.

É do caneco!