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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Argumento, menção honrosa e transição para noite






Há uns anos comecei a tentar escrever argumento para banda desenhada. Logo na primeira tentativa percebi que não ia ser pera doce. 


Nunca fui estruturada nem sintética. Ainda hoje não sei dividir cenas por páginas, não percebo nada de vinhetas. Ainda assim, tento. 


Em certos momentos, quando tenho de mudar a sequência das cenas, ando para ali a desenhar setas e asteriscos, e sinto uma pressão na cabeça, como se estivesse prestes a explodir.


Hoje em dia, se por alguma razão, volto a ler parte dos meus argumentos, tenho vontade de rir.


Quando escrevi o Mar Negro, o Bernardo bem que se queixou. O texto era longo e demasiado descritivo, dizia ele. Tinha razão, claro, mas eu não conseguia ajudá-lo. O argumento incluía descrições deste tipo: “Inês abre gaveta, saca faca do pão e tábua do pão. Tira pão saloio de um saco, corta fatias. Põe duas fatias na torradeira. Abre frigorífico, tira manteiga, queijo e fiambre fatiado.”💤🥱


Ao longo do processo fui deixando espaço para o Bernardo fazer o que quisesse, mas até essas minhas indicações de liberdade eram extensas e mesmo nada libertadoras. Veja-se este exemplo: “Transição para noite, talvez Inês a fechar os estores ou prédio visto de fora no escuro. Uma sugestão qualquer de que já é de noite.” 


Credo! Apercebo-me agora de que podia ter escrito apenas as três palavras iniciais: “Transição para noite.” Ou só mesmo: “Noite.” Duh!


Resultado: o Bernardo andou com o Mar Negro ao colo durante um ano, desenhou que se fartou, ficou com uma tendinite e a novela virou um calhamaço.


Na reta final decidimos que tínhamos de encurtar o livro. Certo dia, juntámo-nos os três - eu, o Bernardo e a Isabel - e passamos mais de três horas a riscar diálogos, desenhos, duplas inteiras. Antes de darmos esse golpe, tirei uma fotografia a estes meus dois companheiros. Adoro a Isabel. Adoro o Bernardo. Adoro o Planeta Tangerina. E adoro esta nossa banda desenhada, não pensem!


O Mar Negro entrou na gráfica uns meses depois. Tinha (tem!) 320 páginas. Entretanto já saiu na Turquia (!) e em breve sairá a edição francesa (oh là là !).


Ora, há coisa de uma semana fiquei a saber que este nosso Mar Negro recebeu uma menção honrosa no Prémio Jorge Magalhães para Argumento de Banda Desenhada. Na notícia dizia que a menção tinha sido atribuída à minha pessoa, mas como se vê, o argumento não é só meu. É nosso!


Nesta altura do campeonato, o reconhecimento faz-nos bem. Já estou aqui cheia de vontade de tentar outra vez, de aprender mais, de fazer melhor. É que entretanto estamos todos mais crescidos e já aprendemos umas coisas. 


Nos últimos tempos, tanto no que toca à banda desenhada como no que toca à vida, tenho vindo a apreciar precisamente a concisão e também o silêncio, embora este texto não seja exemplo disso.


Seguem-se as legendas das cinco fotografias que acompanham este texto: a capa do Mar Negro, uma das duplas (que contém a tal “transição para noite”🙄), a foto da Isabel e do Bernardo antes do golpe, a maqueta do livro durante o golpe e uma selfie minha no dia em que o Mar Negro me chegou às mãos.


🏆O Prémio Jorge Magalhães para Argumento de Banda Desenhada - “o prémio a sério” - foi atribuído ao Mangusto da Joana Mosi. É um livro muito fixe. Sou fã da Joana Mosi. Se puderem e quiserem, assinem a newsletter dela. É só pérolas!



terça-feira, 1 de agosto de 2023

“Mar negro” na revista do Expresso

 O “Mar negro” é uma das sugestões de leitura para este verão da revista do Expresso.






sábado, 17 de junho de 2023

Mar Negro na Antena 1

Há umas semanas eu e o Bernardo Carvalho passamos pela Antena 1 para conversar com o jornalista Rui Alves de Sousa. Podem ouvir a entrevista no mais recente episódio do programa “Pranchas e Balões”, disponível na RTP Play: 

https://www.rtp.pt/play/p9994/e697992/pranchas-e-baloes



quarta-feira, 10 de maio de 2023

Mar negro: o que se diz

O que se diz do “Mar negro”:


“Mas, acima de tudo, o que exala de "Mar Negro", é uma enorme naturalidade, a sensação de que o que lemos não é ficção, mas sim o registo de acontecimentos reais transpostos para o papel. De forma resumida, um retrato de vidas como elas realmente são.“


F Cleto e Pina no Jornal de Notícias


https://www.jn.pt/artes/amp/vidas-como-elas-realmente-sao-16177021.html


“Como é consabido da escrita de Pessoa, o factor “o que os adultos pensam” não é de todo presente, e Mar Negro explora o diálogo directo entre os jovens. Havendo espaço para os adultos intervirem, é bem menos do que em Desvio, e poderíamos até analisá-lo como relativamente livre, descontraído, mas é quase irrelevante.”

Pedro Moura no seu blogue Ler BD


http://lerbd.blogspot.com/2023/04/mar-negro-ana-pessoa-e-bernardo.html?m=1


"Depois de ler este Mar Negro, há que admitir uma coisa: Ana Pessoa e Bernardo P. Carvalho parecem estar a jogar um campeonato à parte na banda desenhada nacional. Escrevem e desenham histórias de uma forma que ninguém escreve ou desenha, e parecem direcionar-se para um público diferente do público habitual de banda desenhada. E isso terá todas as desvantagens, para alguns, mas também tem todas as vantagens para outros."


Hugo Pinto no seu blogue Vinheta 2020


https://vinheta2020.blogspot.com/2023/04/analise-mar-negro.html?m=1


“Uma importante estória sobre a construção de identidade e as segundas escolhas no amor, com Carvalho a dar asas à imaginação na composição das páginas.” 


Nuno Pereira de Sousa no site Bandas Desenhadas


https://bandasdesenhadas.com/2023/04/20/melhores-ler-01/


“Uma estória muito bem contada, com uma componente gráfica que não deixará ninguém indiferente. Argumento e ilustrações entrelaçadas da melhor forma possível!” 


Susana Figueiredo no site Bandas Desenhadas


https://bandasdesenhadas.com/2023/04/20/melhores-ler-01/


“Eles regressaram! Ana Pessoa e Bernardo Carvalho voltam à novela gráfica com MAR NEGRO (Planeta Tangerina), e confirmam-se como desbravadores de caminhos nesta linguagem. O resultado é muito coeso e fluído, o que já era marca no livro anterior DESVIO. Com diálogos curtos em conversas ping pong que dão muito groove à leitura e uma planificação gráfica arrojada que “primeiro estranha-se e depois entranha-se” o livro deixou-me rendido ao estilo que estes dois estão a inventar. A liberdade está a passar por aqui.”


António Jorge Gonçalves


“Quanto à história, sabendo-a feita de texto e imagem de um modo indestrinçável, é visível a marca de Ana Pessoa, não tanto nas temáticas, mas sobretudo na sensibilidade com que consegue colocar-se no lugar das suas personagens. Aqui não há linguagens forçadas, nem aquelas imitações infelizmente tão comuns do que supomos ser a “forma de falar dos jovens”, mas há uma capacidade de situar a narração a partir de uma vivência interior que se aborda com respeito, complexidade e vontade de imaginar um certo mundo. 


Sara Figueiredo Costa no Parágrafo de 28/4/2023


https://pontofinal-macau.com/2023/04/28/leitores-em-construcao/

sexta-feira, 14 de abril de 2023

quarta-feira, 29 de março de 2023

Mar negro!



É o centésimo livro do Planeta Tangerina. Tem mais de 300 páginas. Andamos há três anos de roda dele. Ainda hei de falar e escrever muito sobre este livro, creio. Para já, a sinopse, o link e algumas fotografias (para os mais gulosos):

https://www.planetatangerina.com/pt-pt/loja/mar-negro/