quinta-feira, 18 de maio de 2017

Em Condeixa!

É tão bom entrar numa escola secundária! Atravessar a porta, regressar ao passado: o cheiro dos corredores, as mesas do bar, a biblioteca. Na semana passada estive na Escola secundária Fernando Namora em Condeixa. O sol em chamas a incendiar as ideias e nós enfiados na biblioteca. Falei com alunos do 9.º e 10.º anos, eles espalhados pelo chão e eu um pouco mais acima, sentada numa cadeira.



Alguns tinham lido a Karateca, outros o Supergigante ou a Mary John.





Alguns também gostavam de escrever. Outros havia que não gostavam de ler nem escrever. Ainda assim, aguentaram-se à bronca.
As perguntas foram muitas. Por que razão escreve literatura juvenil? Inspira-se na sua vida? As personagens são reais? Expliquei que tudo na vida era autobiografia e ficção. Que as personagens existiam sempre de alguma maneira. Que eu tinha uma relação empática com todas elas. A Ana Beatriz deu um pulo exaltado. Disse-me que não era possível sentir empatia pela Liliana. Que ela nunca seria amiga de uma pessoa assim. Depois entregou-me um texto muito bonito que escreveu, não sobre a Liliana, mas sobre a Joana Mendes do Supergigante.
Demorei tempo a perceber que as duas raparigas que falavam da Karateca e do Supergigante eram gémeas idênticas. Tentei distingui-las. Não consegui. Foi um momento ao estilo Uma Aventura.
Alguns rapazes tinham lido a Mary John por obrigação e acabaram por gostar. Um deles disse que tinha sempre pena de deixar a Mary John à noite, quando lhe dava o sono. Perguntei a um dos leitores rapazes se tinha sido esquisito ler sobre a menstruação. Ele riu-se e depois ficou sério. A seguir riu-se outra vez. Começou por dizer que não, não era esquisito. Depois acrescentou: "Foi muito enriquecedor." Gargalhadas em coro.
O André Rosa, estudante universitário de visita à escola, leu um texto da sua autoria. Era a carta de resposta do Júlio. Não seria interessante se ele respondesse? Debatemos esta hipótese. O que diria ele? Quem era o Júlio afinal? Quais as suas intenções?
Numa das sessões achei boa ideia ler uma passagem da Mary John. Já ia a meio da leitura quando me dei conta de que estava a ler em voz alta palavras como “clitóris”, “passaroca” e “pelos púbicos”. A consequência desta leitura foi uma inspiradora histeria hormonal.
Já se sabe que a literatura é um espaço selvagem!
No final ainda houve tempo para uma entrevista a sério com os repórteres da escola. Uma câmara aqui e outra ali para terem vários planos. Era um grupo de rapazes muito fixes!



Depois deste dia em grande resta-me agradecer à professora bibliotecária Ana Rita Amorim, que me recebeu de braços abertos e me lançou este desafio de forma tão entusiasmada.
Eu cá gosto à brava de desafios! E também de escarpiadas, o doce regional de Condeixa. Conhecem? É uma deleitosa histeria de açúcar!

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Mary John na Livraria Arquivo

Digo-vos uma coisa: eu e a Mary John passámos um belo domingo em Leiria, na vistosa e arejada Livraria Arquivo.


Mary John entrando na livraria pelo seu pé.

A companhia à mesa foi bem boa: de um lado, a Susana Neves da livraria, do outro, a Ana Violante, professora bibliotecária. 
Na maior parte do tempo estivemos na cavaqueira com os leitores, em especial com quatro alunos do 9.º ano do Agrupamento de Escolas de Marrazes, que trocaram uma tarde soalheira por uma tarde literária. Ainda demos umas quantas gargalhadas com a Beatriz, o Francisco, o Luís e o Miguel, porque estes jovens leitores falavam com destreza e graça. 


Gargalhadas em pleno voo.

A páginas tantas, o Luís perguntou-me assim: "Está a pensar escrever um livro spin-off sobre o Daniel?"
Achei esta pergunta altamente e comecei logo a magicar em modo spin-off.



Da esquerda para a direita: os alunos Luís e Francisco, a professora Ana Violante,
moi-même, a professora Fátima Mendes e os alunos Beatriz e Miguel.

Um grande obrigada à professora Ana Violante, que contagia os alunos com o seu entusiasmo pelos livros, e a toda a equipa da Livraria Arquivo, em especial à Susana Neves, que organizou este encontro.
Deste domingo resulta apenas um desejo: voltar rapidamente a Leiria!
Para já ficam estas belas fotos da autoria de Gil Álvaro De Lemos.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Mary John em Leiria

Maravilha! Há tanto tempo que não vou a Leiria, cidade que rima com alegria e euforia.
Venham também! Vá lááá!
Eu e a Mary John no domingo, às 16h, na livraria Arquivo.



segunda-feira, 1 de maio de 2017

Mary John na Revista do Expresso

Na revista do Expresso desta semana saiu uma crítica à Mary John de José Mário Silva.
Ui! É toda uma fruição!






















Com “O Caderno Vermelho da Rapariga Karateca” (2012) e “Supergigante” (2014), Ana Pessoa abriu uma clareira na ficção portuguesa destinada a um público juvenil. O que a distingue é a forma orgânica como mergulha no universo mental dos adolescentes, captando-lhes os entusiasmos e idiossincrasias, as tristezas e as agruras típicas do processo de crescimento, dizendo as coisas como elas são, mas sem que os textos se tornem o mero retrato fotográfico de uma idade. Neles encontramos uma síntese, não apenas do que se altera à superfície (o corpo, a linguagem, a relação com os outros), também do que se passa dentro da cabeça (os dilemas, os medos, as dúvidas de uma personalidade em formação). O subtil efeito introspetivo é particularmente bem conseguido nesta história de uma rapariga que muda de casa, de cidade, de grupo de amigos, de amor, enquanto o seu próprio corpo se metamorfoseia. Maria João, a protagonista, escreve uma longa carta a Júlio Pirata, vizinho na praceta onde passou a infância. Ele foi a primeira paixão, deixada a meio, inconclusa, o fio do passado que é preciso cortar para seguir em frente. Mais do que uma novela epistolar, o livro acaba sendo um diário, porque a carta estende-se no tempo e engole a vida toda da rapariga, a sua procura de um lugar que seja seu, de uma voz, de um caminho. Ana Pessoa capta todas as reverberações deste processo de descoberta, com uma prosa rica, elástica, de fôlego romanesco, não deixando de ser verosímil no tom, credível nos diálogos, e acessível aos leitores a que se destina (“maiores de 14 anos”, como se lê na contracapa). Aos adultos, a leitura também se recomenda, seja como regresso às respetivas adolescências, seja como exemplo de fruição literária.

José Mário Silva

domingo, 30 de abril de 2017

No Luxemburgo!

A convite da Embaixada de Portugal no Luxemburgo, passei uns dias catitas no Grão-Ducado com alunos portugueses do Lycée l'Athénée do Luxemburgo, do Lycée de Garçons de Esch-sur-Alzette e do Lycée technique Mathias Adam em Lamadelaine.
Falámos de literatura, claro, e também desta relação intrincada e nostálgica com o nosso país e com a língua portuguesa.
Numa das sessões, demos tanto à língua, que nos esquecemos das horas. A sessão, que devia ter acabado às 18h, acabou depois das 19h. No final tirámos esta selfie.



Mantendo o espírito de partilha, e depois de alguma negociação, a Cristina levou o Supergigante, a Shana levou a Karateca e a Vanessa a Mary John. Assim, todas poderão ler todos!
Juntos somos sempre mais fortes.
E é tão bom partilhar!

terça-feira, 25 de abril de 2017

A liberdade a subir a rua

A liberdade a subir a rua. Com as suas ancas visionárias, os pés intensos. A mascar pastilha. À escuta. A dobrar a esquina. Sem pressa. Sem frio. Talvez com fome. A liberdade de mochila às costas. De auscultadores nos ouvidos. Com aquele seu ar afogueado de pessoa enlouquecida. A ouvir música. A devorar medos e angústias. A pensar em queijo parmesão. Em manjericão. A liberdade a passar em frente às lojas. Em frente aos bancos e aos pedintes. Em frente às putas. A liberdade parada em frente a uma vitrine. Estática e inteira. Como um manequim. Como uma pessoa de verdade. A liberdade a ver-se ao espelho. A hesitar num pensamento. A tropeçar no passeio. Num sentimento de culpa. A liberdade à espera. A espreitar o horizonte com os seus olhos em chamas. A liberdade a entrar no autocarro. A enviar mensagens no WhatsApp. A ouvir um podcast. A rir sozinha. Às dez da manhã. Ao meio dia. A toda a hora. Permanentemente. A liberdade sempre. Em qualquer caso. Em qualquer lado. A qualquer custo. A liberdade flamejante. Obstinada. Omnisciente. Frágil. Cheia de soltura e de graça. A andar pela vida como se fosse a verdade. Permanente. Constante. Sozinha. Total. Livre.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Feira do Livro Infanto-juvenil de Bolonha

A convite do Hay Festival, estive na Feira do Livro Infanto-juvenil de Bolonha com a diretora da programação infanto-juvenil do Hay Festival, Julia Eccleshare, o editor e tradutor britânico Daniel Hahn e a escritora norueguesa Nina Elisabeth Grøntvedt, no evento "Hay Festival's Aarhus 39 list - a collection of the best emerging writers for young people from across Europe".
Foram dois dedos de conversa bem boa sobre escrita, viagens, tradução e literatura infanto-juvenil.




À tarde passei pelo belíssimo stand da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, da autoria de João Fazenda, vencedor do Prémio Nacional de Ilustração.




E pousei várias vezes no Planeta Tangerina.



Felizmente ainda deu tempo para dar um abraço a Grace Silva da El Naranjo, editora mexicana do Supergigante.


Mamma mia!
Foi belíssimo!