O Plano Nacional de Leitura está a recomendar a "Mary John" como leitura do mês de Maio.
"Melancólico, certeiro na composição de cada personagem, rigorosamente atual na captação dos contextos verbais e não verbais, Mary John é uma obra-prima que pode exemplarmente representar o que significa a catalogação de literatura juvenil."
Aqui todo o texto:
http://pnl2027.gov.pt/np4/maryjohn.html
Uma “obra-prima” em tons de azul, sim?
A Mary John está esgotadinha há vários meses, mas a nova edição deve estar aí a rebentar.
sábado, 11 de maio de 2019
segunda-feira, 6 de maio de 2019
Mãe é mãe
(O dia da mãe é quando uma filha quiser.)
Não é não. Já é já. Mãe é mãe.
A minha mãe de manhã. À tarde. À noite.
A minha mãe na praia. Na cozinha. No shopping.
A minha mãe a cortar tomate. A comer chocolate.
A beber ginjinha. A dançar um sambinha.
A minha mãe contente. Na boa vai ela. A abrir a janela.
A fechar o forno. A secar o cabelo.
A minha mãe no sofá. A falar ao telefone.
Cheia de sono. Cheia de ideias. Cheia de fome.
A minha mãe a fazer coisas. Colares, brincos, pulseiras. Sacos, mantas, quadros.
A minha mãe na feira do artesanato. A lamber um gelado. A cantarolar um fado.
A minha mãe de óculos escuros. A dar mergulhos.
A minha mãe a rir. A dormir. A jogar sueca. A jogar dominó.
A minha mãe no forrobodó.
A baralhar as datas. A baralhar as cartas.
A viver a vida. A rir disto tudo.
A minha mãe rápida. Frenética. Atarefada.
A minha mãe sempre.
Feliz. Triste. Zangada. Concentrada. Como for. Como vier.
A minha mãe. A minha terra. A minha mão.
quinta-feira, 2 de maio de 2019
Mary John “Altamente Recomendável” no Brasil
Vou fazer o pino!
Notícia altamente do Brasil:
A Mary John recebeu o selo "Altamente Recomendável" da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil na categoria "Literatura em Língua Portuguesa".
Todos os anos a FNLIJ seleciona dez livros em várias categorias (criança, jovem, poesia, etc.) com o objetivo de orientar as secretarias de educação, as escolas e as bibliotecas na aquisição de novos livros.
Em tempos sombrios no Brasil e no mundo, fico feliz que este livro tão livre e descascado chegue a mais e mais leitores. Que legal!
A edição brasileira é da SESI-SP.
“A rainha do norte” da Joana Estrela e o “Cá Dentro” das brutalíssimas Isabel Minhós Martins, Maria Manuel Pedrosa e Madalena Matoso, também editados pela SESI-SP, receberam igualmente este selo.
Tau!
Bota selo nisso. Eu curto selos!
segunda-feira, 29 de abril de 2019
Festão monumental!
Foi tão tão tão monumental! No sábado a festinha monumental foi um mega festão numa galeria linda com um planeta lindo. Obrigada a todas as pessoas que fizeram deste dia um bom lugar!
sábado, 20 de abril de 2019
terça-feira, 16 de abril de 2019
As gárgulas de Notre Dame
A Notre Dame arde e eu penso nas gárgulas. Gosto delas como outros gostarão de santos, anjinhos e amuletos.
Os meus diabretes grotescos. A exibir ao mundo a natureza má.
Li uma adaptação do Corcunda de Notre Dame quando tinha 13 anos. O filme da Disney acabara de estrear.
Durante dias também eu era uma existência desfigurada e solitária. Vivia lá no alto da Notre Dame. E era eu quem tocava os sinos. Era eu quem vagueava pelas escadas da catedral. Os meus únicos amigos eram as gárgulas traquinas, que me segredavam coisas ao ouvido. Falavam-me de aventuras e de amor. Encorajavam-me a ver o mundo.
Segui o conselho desses pequenos demónios assim que pude. Fui a Paris pela primeira vez quando tinha 22 anos. Andava feliz e ampliada com a minha primeira máquina fotográfica. Era uma Kodak digital. Tinha um zoom bem bom.
Quando cheguei à Notre Dame, apontei a máquina às gárgulas e fiquei a vê-las. Os meus amigos malandros, diabinhos mais feios do meu coração.
A Notre Dame arde e eu penso nas gárgulas do Quasimodo. Hão de resistir ao fogo com os seus corações de pedra. Se calhar até se riem das chamas e ficam para ali a desviar a água lançada pelos bombeiros. É que as gárgulas, além de monstros travessos, também são desaguadouros. É esta a ironia do seu destino.
O tempo passa, a água corre, o fogo acaba. As gárgulas lá continuarão na sua vigília, no cocuruto da Notre Dame, a dizerem-nos que o mal existe, que o mal persiste e prossegue e avança.
Hoje vou sonhar com os meus monstros de pedra e medo. Com o seu sarcasmo lúcido e os olhos perversos.
Sempre à espreita e à espera da natureza má.
Os meus diabretes grotescos. A exibir ao mundo a natureza má.
Li uma adaptação do Corcunda de Notre Dame quando tinha 13 anos. O filme da Disney acabara de estrear.
Durante dias também eu era uma existência desfigurada e solitária. Vivia lá no alto da Notre Dame. E era eu quem tocava os sinos. Era eu quem vagueava pelas escadas da catedral. Os meus únicos amigos eram as gárgulas traquinas, que me segredavam coisas ao ouvido. Falavam-me de aventuras e de amor. Encorajavam-me a ver o mundo.
Segui o conselho desses pequenos demónios assim que pude. Fui a Paris pela primeira vez quando tinha 22 anos. Andava feliz e ampliada com a minha primeira máquina fotográfica. Era uma Kodak digital. Tinha um zoom bem bom.
Quando cheguei à Notre Dame, apontei a máquina às gárgulas e fiquei a vê-las. Os meus amigos malandros, diabinhos mais feios do meu coração.
A Notre Dame arde e eu penso nas gárgulas do Quasimodo. Hão de resistir ao fogo com os seus corações de pedra. Se calhar até se riem das chamas e ficam para ali a desviar a água lançada pelos bombeiros. É que as gárgulas, além de monstros travessos, também são desaguadouros. É esta a ironia do seu destino.
O tempo passa, a água corre, o fogo acaba. As gárgulas lá continuarão na sua vigília, no cocuruto da Notre Dame, a dizerem-nos que o mal existe, que o mal persiste e prossegue e avança.
Hoje vou sonhar com os meus monstros de pedra e medo. Com o seu sarcasmo lúcido e os olhos perversos.
Sempre à espreita e à espera da natureza má.
segunda-feira, 15 de abril de 2019
As casas abandonadas
Há uns anos escrevi um texto que se chamava “As Casas Abandonadas”. A Sara Bandarra agarrou nele para o ilustrar.
Durante meses não sabíamos onde ir com este projeto. Seria um livro? Uma instalação? Uma casa? Durante meses trocámos imagens de casas abandonadas. A Sara enviava-me as fachadas de Ílhavo, eu enviava-lhe os buracos de Bruxelas. Janelas partidas, guindastes, paredes esburacadas.
As casas foram surgindo devagar. De repente, percebemos que este livro era uma imagem só. Um livro-acordeão feito de casas e palavras.
Na semana passada imprimimos 20 exemplares, que estão agora à venda na livraria Gigões e Anantes. Obrigada, Sara, por nunca teres abandonado este projeto.
Durante meses não sabíamos onde ir com este projeto. Seria um livro? Uma instalação? Uma casa? Durante meses trocámos imagens de casas abandonadas. A Sara enviava-me as fachadas de Ílhavo, eu enviava-lhe os buracos de Bruxelas. Janelas partidas, guindastes, paredes esburacadas.
As casas foram surgindo devagar. De repente, percebemos que este livro era uma imagem só. Um livro-acordeão feito de casas e palavras.
Na semana passada imprimimos 20 exemplares, que estão agora à venda na livraria Gigões e Anantes. Obrigada, Sara, por nunca teres abandonado este projeto.
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