segunda-feira, 1 de abril de 2019

A revolução em Pontevedra!

Fui e voltei de Pontevedra. Entre ir e voltar, perdi um voo, passei uma noite em Madrid e cheguei ao Salón com um dia de atraso. Acelerei o passo, corri, transpirei. Não havia tempo a perder. 
Tudo começou e acabou à volta de uma mesa, numa amena cavaqueira com escritores, ilustradores, professores e leitores, ao sabor de empanadas e tartas de la abuela. No Salón do Livro Infantil e Xuvenil trocaram-se muitas palavras e emoções. 
Coisas que me vêm à memória: na conferência de José António Gomes cantou-se a Grândola Vila-Morena. No recital de poesia, o poeta brasileiro Henrique Rodrigues leu um poema lindo sobre a maternidade. No debate sobre revolução e escrita, o poeta galego Carlos Negro falou da inutilidade da poesia. Na sua conferência, Volnei Canonica, mediador de leitura no Brasil, falou da leitura como elemento transformador das sociedades.
No meu encontro com “A Sega”, um clube de leitura feminista, falámos de orientação sexual, sedução e menstruação a propósito da Mary John. 
Dei uma oficina de escrita criativa a um grupo de doze mulheres. Porquê só mulheres? Não sei. Talvez a revolução esteja finalmente nas mãos femininas.
Volto de Pontevedra com muita vontade de ler, escrever e revolucionar. 
Debaixo do braço trago, entre outras coisas, duas novelas xuvenis de Eva Mejuto e Rosa Aneiros e dois livros de poesia de Carlos Negro e Henrique Rodrigues. E no coração levo as conversas animadas com a Dora Batalim SottoMayor, a Ana Biscaia e o Henrique Rodrigues.
Obrigada, Eva Mejuto! Pelo convite, pelo entusiasmo, pelas boleias e por essa energia tão xuvenil. (Adoro este adjetivo assim, com o “x” galego. ¡Que chulo!)
Foi tão bom. Quero voltar!

Ao lado dos escritores galegos Rosa Aneiros e Carlos Negro a falar de literatura e revolução

quinta-feira, 28 de março de 2019

XX Salón do Livro Infantil e Xuvenil de Pontevedra

Estou a caminho da Galiza para fazer a REVOLUÇÃO. 
Por esta altura já está a decorrer o XX Salón do Livro Infantil e Xuvenil de Pontevedra, que tem como convidado de honra, não um país, mas uma língua: a portuguesa. 
"Revolução" é o tema desta edição do festival. 



Nos próximos dias andarei num revolucionário com poetas, romancistas, ilustradores, bibliotecários, professores, contadores de histórias, estudantes e leitores da Galiza, de Portugal, do Brasil e de Angola. 
Juntos daremos o golpe da literatura!

O programa completo do Salón está disponível aqui: http://www.salondolibro.gal/edicion2019/wp-content/uploads/2019/03/Programa_salon_2019-1.pdf

segunda-feira, 25 de março de 2019

O Público é um bom lugar!

“Aqui é um bom lugar” já anda por aí nas livrarias, à espera dos primeiros leitores. Falei no outro dia com a Sílvia Borges Silva (Lusa) sobre este livro e também sobre a adolescência, os diários e este misterioso regresso a casa que é, para mim, a escrita. Aqui fica o resultado desta conversa, numa edição do Público.


https://www.publico.pt/2019/03/25/p3/noticia/ana-pessoa-joana-estrela-editam-diario-grafico-aqui-bom-lugar-1866539


domingo, 24 de março de 2019

Mary Jo e o Papa Lector

No México, o blogger Papá Lector dá 5⭐️ à Mary Jo e recomenda a sua leitura às raparigas, aos rapazes e também aos pais. Crítica aqui: http://www.papalector.com/2019/03/resena-mary-jo-ana-pessoa.html?m=1
¡Muchas gracias, Papá Lector!

Foto do Papá Lector

terça-feira, 19 de março de 2019

O meu pai

O meu pai foi sempre o Pai Natal. Eu sabia que o meu pai era o Pai Natal. Eu acreditava no Pai Natal precisamente porque o Pai Natal era o meu pai. Ho ho ho!
O meu pai ri-se bastante. Da vida. Das pessoas. Das piadas secas. 
Às vezes fica a rir-se sozinho. 
O meu pai come uma laranja todas as manhãs. Lê o Expresso todas as semanas. Ouve jazz a toda a hora. 
Tem um certo fascínio por atrocidades e tragédias. Reis ingleses passados da cabeça, naufrágios marítimos. Compra livros. Lê. Conta os pormenores.
O meu pai não usa risco ao meio nem risco ao lado. Penteia o cabelo para trás. Usa barba desde sempre. Antes era quase preta, agora é quase branca. 
Uma vez cortou a barba no Algarve. A minha mãe quase teve um fanico. Lembro-me disso. E lembro-me de ter achado que o meu pai parecia uma pessoa diferente sem barba. Foi estranho.
O meu pai nasceu em Angola, viveu no Porto, cresceu na Parede.
Estava a fazer a tropa quando se deu o 25 de abril. Nessa altura não usava barba. 
É sempre o meu pai que me vai buscar ao aeroporto. Quando me vê, tira-me uma fotografia. Quer levar ele a mala.
Envia-me mensagens quando o Benfica joga. Envia-me fotografias da praia e da minha mãe. Compra-me revistas. Guarda-me artigos que talvez me interessem.
Faz as vontadinhas todas à minha mãe. Faz as vontadinhas todas aos filhos e também aos netos.
Quase nunca comenta os meus livros. Deste último achou que um dos textos era sobre ele. É capaz.
O meu pai é fixe. Eu gosto dele e ele gosta de mim.

Fim.
Ilustração da Joana Estrela para o “Aqui é um bom lugar”

segunda-feira, 18 de março de 2019

Que granda mega bom lugar!

Aaaaaaaaah! Já chegou. Estou aqui na minha varanda, numa ardência que eu sei lá. Que granda mega bom lugar!





segunda-feira, 11 de março de 2019

Aqui é um bom lugar

Cá está ele. O novo livro! Um caderno que é um diário. Um diário que é um lugar. Um lugar que é um encontro de textos meus com as incríveis mãos da Joana Estrela.



Este livro vem das nossas entranhas, ou seja, dos nossos cadernos. É um diário gráfico a quatro mãos, feito de desenhos espontâneos, de fotografias e de colagens que retratam pessoas, prédios, sofás, candeeiros, animais, plantas. A acompanharem reflexões curtas de uma tal Teresa Tristeza sobre tudo isto: o sol, a chuva, a noite e o vento. A família, a infância e a escola. Os livros, os sonhos e os pássaros. A liberdade, a saudade, a virgindade. As frases que ouvimos na rua, as frases que ouvimos em casa.
Este diário é um caderno a sério. Com cantos redondos e frases rasuradas.
Espero que gostem dele. Eu e a Joana divertimo-nos à farta. E também transpirámos barés. Tivemos grandes ataques de soluços. Felizmente pudemos sempre contar com o apoio, a fé, o entusiasmo, a paciência e os conselhos preciosos da nossa mega editora Isabel Minhós Martins. E também com a boa onda e o profissionalismo de toda a equipa do Planeta Tangerina, em especial da Joana Pardal, que pôs este livro na ordem. Cá vai ele, o diário gráfico dos meus sonhos, à procura do seu lugar no mundo. Frase da minha avozinha: “Para a frente é que é o caminho!”
Tudo sobre o livro: https://www.planetatangerina.com/pt/livros/aqui-e-um-bom-lugar