Nos últimos tempos dou de caras com o Mads Mikkelsen todos os dias. Está sentado à minha porta, vestido de preto e de perna cruzada.
Eu assusto-me quase sempre: dou um gritinho e levo a mão ao peito.
É que o Mads Mikkelsen provoca em mim um certo respeito e também acentuado fascínio. Seja como vilão do James Bond, seja como amante da rainha.
Saio de casa e olho para ele, ele olha para mim. Traz um sorriso matreiro pendurado nos lábios, como se soubesse tudo sobre os comuns mortais, eu incluída.
Eu sigo em frente e ele fica para trás, na sua poltrona profunda.
Há qualquer coisa intrigante e espicaçante no Mads Mikkelsen. Tem cara e nome de louco. E uma voz profunda, de assustar os corvos.
O que faz o Mads à minha porta?
Não-sei-quê de mobília escandinava. Estou-me nas tintas para a mobília escandinava.
De qualquer forma, agradeço o cartaz em tamanho real.
Nada me põe mais mad do que ver o Mads logo pela manhã.
Dá-se-me logo a espertina.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
domingo, 7 de junho de 2015
Trovoada e trovador
A chuva cai. O pano cai. Tudo cai.
As pedras, as nuvens, os poemas.
Tenho um relâmpago dentro da cabeça.
Raios e coriscos dentro da cabeça.
Sou um trovador a trovejar.
Sou uma descarga elétrica.
Um estrondo.
Uma trova.
Um trovão.
O tempo instável.
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Manhãs difusas
As minhas manhãs são difusas e nebulosas. Vou até à cozinha e espreito o dia turvo através da janela. Está embaciada ou talvez suja, não sei.
Agarro numa faca que parece mesmo uma faca e corto duas fatias de uma coisa que parece um pão. Tomo um pequeno-almoço baço e confuso.
As torradas são foscas. A manteiga é ambígua.
O café é sombrio.
Nunca ponho os óculos de manhã. É uma questão de princípio, acho.
Sou uma pessoa desfocada e obscura.
Tenho vistas curtas.
E gosto.
Agarro numa faca que parece mesmo uma faca e corto duas fatias de uma coisa que parece um pão. Tomo um pequeno-almoço baço e confuso.
As torradas são foscas. A manteiga é ambígua.
O café é sombrio.
Nunca ponho os óculos de manhã. É uma questão de princípio, acho.
Sou uma pessoa desfocada e obscura.
Tenho vistas curtas.
E gosto.
sábado, 16 de maio de 2015
terça-feira, 12 de maio de 2015
Eu sou um gato
Acabei de ler o delicioso "I am a cat" do inconformado Natsume Soseki.
Publicado em fascículos ao longo de 1905 e 1906, este romance sobre a sociedade japonesa é narrado por um gato sem nome que muito se espanta com a natureza humana e sobrehumana.
O amor, a amizade, o casamento, a verdade, a mentira, o trabalho, a casa, as crianças, o dinheiro, a corrupção, as obrigações e a literatura - todos estes temas rebolam pelo livro e caem sempre de pé.
Como os gatos.
Será possível que não haja uma edição do portuguesa deste livro?
In the old days, a man was taught to forget himself. Today it is quite different: he is taught not to forget himself and he accordingly spends his days and nights in endless self-regard. Who can possibly know peace in such an eternally burning hell? The apparent realities of this awful world, even the beast lines of being, are all symptoms of that sickness for which the only cure lies in learning to forget the self.
Publicado em fascículos ao longo de 1905 e 1906, este romance sobre a sociedade japonesa é narrado por um gato sem nome que muito se espanta com a natureza humana e sobrehumana.
O amor, a amizade, o casamento, a verdade, a mentira, o trabalho, a casa, as crianças, o dinheiro, a corrupção, as obrigações e a literatura - todos estes temas rebolam pelo livro e caem sempre de pé.
Como os gatos.
Será possível que não haja uma edição do portuguesa deste livro?
In the old days, a man was taught to forget himself. Today it is quite different: he is taught not to forget himself and he accordingly spends his days and nights in endless self-regard. Who can possibly know peace in such an eternally burning hell? The apparent realities of this awful world, even the beast lines of being, are all symptoms of that sickness for which the only cure lies in learning to forget the self.
terça-feira, 5 de maio de 2015
A karateca é "altamente recomendável"
No Brasil, a menina karateca foi considerada "altamente recomendável" pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) na categoria de "literatura em língua portuguesa".
Anualmente, a FNLIJ - secção brasileira do IBBY (International Board on Books for Young People) - seleciona os dez melhores livros publicados no Brasil em diversas categorias (criança, jovem, imaginam, poesia, etc.).
Esta seleção tem como principal objetivo orientar as Secretarias de Educação, escolas e bibliotecas na constituição dos seus acervos.
É uma notícia altamente!
Anualmente, a FNLIJ - secção brasileira do IBBY (International Board on Books for Young People) - seleciona os dez melhores livros publicados no Brasil em diversas categorias (criança, jovem, imaginam, poesia, etc.).
Esta seleção tem como principal objetivo orientar as Secretarias de Educação, escolas e bibliotecas na constituição dos seus acervos.
É uma notícia altamente!
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Prémio Autores 2015 SPA/RTP
Rebenta a bolha!
O Supergigante está nomeado para o Prémio Autores 2015 SPA/RTP na categoria Literatura - Melhor Livro de Literatura Infanto-Juvenil.
As ilustrações velozes do Bernardo P. Carvalho até incharam.
Os outros nomeados são:
Com o tempo (Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, Planeta Tangerina) e
Hoje sinto-me (Madalena Moniz, Orfeu Negro)
Conheceremos os vencedores das várias categorias (cinema, rádio, dança, música, teatro, televisão, artes visuais e literatura) no dia 25 de maio, na cerimónia de entrega dos prémios que será transmitida em direto pela RTP.
Hoje sinto-me... Supergigante... mas Com o tempo... isto passa, não se preocupem.
Parabéns a todos os nomeados!
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