sábado, 16 de maio de 2015

terça-feira, 12 de maio de 2015

Eu sou um gato

Acabei de ler o delicioso "I am a cat" do inconformado Natsume Soseki.
Publicado em fascículos ao longo de 1905 e 1906, este romance sobre a sociedade japonesa é narrado por um gato sem nome que muito se espanta com a natureza humana e sobrehumana.
O amor, a amizade, o casamento, a verdade, a mentira, o trabalho, a casa, as crianças, o dinheiro, a corrupção, as obrigações e a literatura - todos estes temas rebolam pelo livro e caem sempre de pé.
Como os gatos.

Será possível que não haja uma edição do portuguesa deste livro?

In the old days, a man was taught to forget himself. Today it is quite different: he is taught not to forget himself and he accordingly spends his days and nights in endless self-regard. Who can possibly know peace in such an eternally burning hell? The apparent realities of this awful world, even the beast lines of being, are all symptoms of that sickness for which the only cure lies in learning to forget the self.

terça-feira, 5 de maio de 2015

A karateca é "altamente recomendável"

No Brasil, a menina karateca foi considerada "altamente recomendável" pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) na categoria de "literatura em língua portuguesa".
Anualmente, a FNLIJ - secção brasileira do IBBY (International Board on Books for Young People) - seleciona os dez melhores livros publicados no Brasil em diversas categorias (criança, jovem, imaginam, poesia, etc.).
Esta seleção tem como principal objetivo orientar as Secretarias de Educação, escolas e bibliotecas na constituição dos seus acervos.

É uma notícia altamente!

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Prémio Autores 2015 SPA/RTP

Rebenta a bolha!

O Supergigante está nomeado para o Prémio Autores 2015 SPA/RTP na categoria Literatura - Melhor Livro de Literatura Infanto-Juvenil.
As ilustrações velozes do Bernardo P. Carvalho até incharam.

Os outros nomeados são:

Com o tempo (Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, Planeta Tangerina) e
Hoje sinto-me (Madalena Moniz, Orfeu Negro)

Conheceremos os vencedores das várias categorias (cinema, rádio, dança, música, teatro, televisão, artes visuais e literatura) no dia 25 de maio, na cerimónia de entrega dos prémios que será transmitida em direto pela RTP.

Hoje sinto-me... Supergigante... mas Com o tempo... isto passa, não se preocupem.

Parabéns a todos os nomeados!

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Amor ortográfico: Canetas mágicas

Ando com duas canetas extraordinárias na mala.
E para quê andar com as duas?
Não sei.
Se uma falhar, sempre tenho a outra.
É que as minhas canetas extraordinárias têm um poder especial: apagam a tinta sem magoar o papel e não deixam quaisquer vestígios. 
São canetas mágicas, claro! 
Corrigem o passado. Reescrevem a história.
Isto quer dizer que posso finalmente corrigir todos os meus cadernos e ninguém vai dar por ela, a não ser que os metam no frigorífico.
No frigorífico?!
É verdade.
Pelos vistos, as duas utilizam a mesma tecnologia: tinta sensível à temperatura. Aparentemente, o esforço de investigação e desenvolvimento foi grande e o resultado é sobrenatural. O calor gerado pela fricção da borracha torna a tinta invisível!
Nem de propósito, a minha primeira caneta mágica chama-se FriXion e é fabricada pela Pilot. A outra é a erasable pen da Muji. São ambas canetas de gel, ambas Made in Japan, ambas azúis e com bicos perfeitos de 0,5 mm.
O senhor da papelaria onde comprei a FriXion mostrou-me outra possibilidade para apagar a tinta. O método impressiona os mais sensíveis à temperatura e, além de eficaz, é bastante estiloso. Basta agarrar num isqueiro e passar a chama pelo papel. A tinta desaparece.
São canetas de feiticeiro com design japonês. Daí ter duas. Para reescrever duas vezes.
No entanto, se tiver de escolher entre uma e outra caneta mágica, não vou hesitar: prefiro a caneta da FriXion. Dá mais fricção à escrita e inclui um apoio confortável para a ponta dos dedos, o que possibilita uma utilização prolongada. 
Além disso, a borracha de tinta da FriXion é maior e, ao contrário da caneta da Muji, vem agarrada ao corpo da caneta e não à tampa. Isto permite-me mordiscar a tampa da caneta de forma contínua e sem remorsos, o que tem literalmente um impacto positivo no ato da escrita.
A caneta da FriXion tem ainda um corpo de plástico mais bonito do que a caneta da Muji. É menos cilíndrico, menos básico. 
Por último, a caneta FriXion pertence a uma edição exclusiva dos Estúdios Ghibli. Além de poderes especiais e de um apoio para os dedos, contém três Totoros.
É um toque de magia para lá da magia.
Irresistível!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Rewind, stop, play

De vez em quando parece que engulo a cassete da nostalgia. Fico melancólica e carrancuda. Ando para a frente e para trás, para a frente e para trás.
Foi o que me aconteceu no outro dia, quando vi um leitor de cassetes: os botões volumosos e emperrados, a gaveta de plástico. Carreguei logo no Play e comecei a andar à roda.
Tenho saudades das minhas cassetes. De abrir as capas. De escrever nas etiquetas "R.E.M" ou "Mega mix". De colar canções com fita-cola.
De ficar a ver a música passar de um lado para o outro.
De carregar nos botões.
Rewind, stop, play.
A vida era quadrada e transparente como as cassetes.
O que enrolava de um lado, desenrolava do outro.
E tudo tinha um lado A e um lado B.
A música era para ouvir, ver e tocar.
Depois passou-me esta fita, claro.
As cassetes eram uma porcaria.
Algumas canções ficavam gastas.
E era preciso ter força nos dedos para ouvir música.
Tínhamos mãos desengonçadas como os botões.
Stop, eject.
Bendito século XXI.
É tudo muito mais sensível ao toque. Muito mais sofisticado e eficiente.
Neste momento, tenho centenas de canções no bolso.

Embora meta sempre a mesma cassete.

quinta-feira, 26 de março de 2015

The Voyage Out

O livro "The voyage out", primeiro romance de Virginia Woolf, faz hoje 100 anos.

"That was the strange thing, that one did not know where one was going, or what one wanted, and followed blindly, suffering so much in secret, always unprepared and amazed and knowing nothing; but one thing led to another and by degrees something had formed itself out of nothing, and so one reached at last this calm, this quiet, this certainty, and it was this process that people called living."