sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Um monstro sem pés nem cabeça
Era uma vez um monstro
sem pés nem cabeça. Tinha um tronco, dois braços e duas pernas e andava pela
rua com uma mão à frente e outra atrás. Como não via por onde ia, dava sempre
com o nariz na porta. Diziam que andava com a cabeça nas nuvens, mas isso não era
verdade. O monstro não tinha cabeça. Como também não tinha boca, nunca dava com
a língua nos dentes, por isso todos lhe contavam os seus segredos. Quando lhe
faziam uma pergunta, metia os pés pelas mãos, embora não tivesse pés.
Perguntavam-lhe: "Um gato comeu-te a língua?", mas ele fazia ouvidos
moucos porque, de facto, não ouvia. O monstro também metia o rabo entre as pernas e
estava sempre de mãos a abanar. E não sentia apetite, porque não tinha
água na boca. Crescia como as plantas, mas não estava agarrado à terra. Era um
animal vegetal. Fazia tudo de olhos fechados e nunca dava o braço a torcer. Uma
mão lava a outra, dizia ele sem falar. E sempre havia quem lhe desse uma mãozinha. A
verdade é que ninguém lhe pisava os calcanhares nem lhe arrancava cabelos. Todos
tinham medo dele, embora o monstro estivesse de mãos atadas. Tinha um aperto no
coração e dor de cotovelo. Felizmente, não tinha dor de corno, já que não tinha
cabeça nem namorada. Estava sempre com o pé atrás da porta e com a pulga atrás
da orelha, embora não tivesse pés nem orelhas. O monstro tinha um segredo muito
bem guardado e não ia abrir mão dele. Se os homens descobrissem que não tinha pés
nem cabeça, perdiam-lhe logo o medo e o respeito. O monstro tinha a corda ao pescoço. Mas,
graças ao medo dos outros, tinha a faca e o queijo na mão.
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Lord of the flies
Acabo de saber que o livro Lord of the flies faz hoje 60 anos.
Levantei-me de um pulo e gritei: "Piggy! Piggy!"
Sou extremamente infantil.
E cruel.
"What was that?"
The fat boy glanced over his shoulder, then leaned toward Ralph.
He whispered.
"They used to call me Piggy!"
Ralph shrieked with laughter. He jumped up.
"Piggy! Piggy!"
"Ralph—please!"
Piggy clasped his hands in apprehension.
"I said I didn’t want—"
"Piggy! Piggy!"
Levantei-me de um pulo e gritei: "Piggy! Piggy!"
Sou extremamente infantil.
E cruel.
"I
don't care what they call me," he said confidentially, "so long as
they don't call me what they used to call me in school."
Ralph was
faintly interested. "What was that?"
The fat boy glanced over his shoulder, then leaned toward Ralph.
He whispered.
"They used to call me Piggy!"
Ralph shrieked with laughter. He jumped up.
"Piggy! Piggy!"
"Ralph—please!"
Piggy clasped his hands in apprehension.
"I said I didn’t want—"
"Piggy! Piggy!"
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Supergigante na LER
A convite de Carla Maia de Almeida, participei no Scrapbook da LER.
Gosto do nome Scrapbook, de fazer scrapbooks, de cortar e colar fotografias, de ilustrar com desenhos e frases, de decorar as folhas com autocolantes e carimbos. Mas por acaso este Scrapbook não tem nada a ver com isso. São três perguntas e respostas. E uma fotografia.
Gosto do nome Scrapbook, de fazer scrapbooks, de cortar e colar fotografias, de ilustrar com desenhos e frases, de decorar as folhas com autocolantes e carimbos. Mas por acaso este Scrapbook não tem nada a ver com isso. São três perguntas e respostas. E uma fotografia.
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Supergigante na Time Out
PAM!
Isto foi o som do Supergigante a explodir na Time Out de 18 de agosto. Só agora é que chegou a Bruxelas! A crítica irrequieta é assinada por Ana Dias Ferreira.
O Edgar até viu estrelas.
Isto foi o som do Supergigante a explodir na Time Out de 18 de agosto. Só agora é que chegou a Bruxelas! A crítica irrequieta é assinada por Ana Dias Ferreira.
O Edgar até viu estrelas.
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Novo look
Este blogue foi ao gabinete de estética. Fez uma drenagem linfática, esticou o cabelo e a barriga, fez uma extensão de pestanas, pôs unhas de gel.
Depois deu-lhe na maquilhagem e talvez tenha exagerado no blush. As bochechas parecem dois pêssegos!
Este blogue está igual, mas diferente.
Sei lá.
Deu-lhe para aí.
Depois deu-lhe na maquilhagem e talvez tenha exagerado no blush. As bochechas parecem dois pêssegos!
Este blogue está igual, mas diferente.
Sei lá.
Deu-lhe para aí.
Gajas.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
A ficção e a realidade
Uma
personagem passa por mim e eu pergunto-me que idade terá, de onde vem, para
onde vai.
Se gosta de caramelo, se usa desodorizante, se bebe café com açúcar ou com leite ou então com cheirinho, se tem animais domésticos, se já roubou a alguém, se já foi amada. E depois pergunto-me por que carga de água fico a pensar numa personagem que nem sequer existe, quando a Europa pondera novas sanções contra a Rússia e o Iraque pede ajuda à NATO.
É como se eu preferisse a ficção à realidade.
Eu prefiro a ficção à realidade.
Mil vezes a ficção.
Eu e a ficção, de mãos dadas pela rua.
Se gosta de caramelo, se usa desodorizante, se bebe café com açúcar ou com leite ou então com cheirinho, se tem animais domésticos, se já roubou a alguém, se já foi amada. E depois pergunto-me por que carga de água fico a pensar numa personagem que nem sequer existe, quando a Europa pondera novas sanções contra a Rússia e o Iraque pede ajuda à NATO.
É como se eu preferisse a ficção à realidade.
Eu prefiro a ficção à realidade.
Mil vezes a ficção.
Eu e a ficção, de mãos dadas pela rua.
Os meus livros são meus.
Os meus livros são meus.
Às vezes deixam de ser meus porque os ofereço a alguém, mas depois tenho pena.
Fazem-me falta. Quero-os de volta.
Também não sou de requisitar livros. Não gosto do protocolo das bibliotecas, dos números esquisitos nas lombadas, das bibliotecárias mandonas, dos prazos. E, no entanto, fui muito feliz nas bibliotecas, gostava de apreciar as lombadas, de decifrar o que traziam lá dentro, de ouvir o cochichar das páginas, de cheirar o papel. Mas não levava os livros para casa. Despedia-me deles para sempre. (Ficas aqui e eu vou para ali. Xau.) Sou uma leitora fria e também bastante preguiçosa. Se levasse os livros para casa, teria de os devolver e eu não gosto de ter um prazo para ler, não gosto de ir e voltar, não me apetece.
Além disso, os livros que levo para casa são quase meus. Sabem onde vivo, estiveram na minha cama. E eu conheço-os na intimidade. Folheei todas as páginas, li todas as palavras e dei-lhes qualquer coisa minha. Um postal, um marcador, uma dobra no canto da folha.
Os meus livros são meus. Não são de mais ninguém.
Acresce a isto que não gosto de ler livros emprestados. E acho que o desgosto é mútuo. Eles olham para mim muito direitinhos e olho-os de soslaio. É preciso tratá-los com cuidado e memorizar que aquilo não é nosso. É chato. Fico com sentimentos de culpa sempre que caem ao chão. Estraga-me logo o prazer da leitura.
Prefiro que me ofereçam livros ou que mos recomendem. Olha, gostei disto. Lê também. Tomo nota na cabeça ou então numa lista muito antiga que anda sempre comigo. Por acaso já não anda, coitada… Perdi-a.
Não, por acaso não perdi. Roubaram-ma. Estava dentro do telemóvel.
É por isso que não gosto que me emprestem livros. Posso perdê-los. Ou então estragá-los. Ou pior: roubá-los. Um livro meu é só meu. Enrolo os cantos, dobro as folhas, anoto as gralhas. Depois passo para outro e sou capaz de o oferecer a alguém. Mas nunca me esqueço do meu exemplar.
Os meus livros são meus.
Também não sou de requisitar livros. Não gosto do protocolo das bibliotecas, dos números esquisitos nas lombadas, das bibliotecárias mandonas, dos prazos. E, no entanto, fui muito feliz nas bibliotecas, gostava de apreciar as lombadas, de decifrar o que traziam lá dentro, de ouvir o cochichar das páginas, de cheirar o papel. Mas não levava os livros para casa. Despedia-me deles para sempre. (Ficas aqui e eu vou para ali. Xau.) Sou uma leitora fria e também bastante preguiçosa. Se levasse os livros para casa, teria de os devolver e eu não gosto de ter um prazo para ler, não gosto de ir e voltar, não me apetece.
Além disso, os livros que levo para casa são quase meus. Sabem onde vivo, estiveram na minha cama. E eu conheço-os na intimidade. Folheei todas as páginas, li todas as palavras e dei-lhes qualquer coisa minha. Um postal, um marcador, uma dobra no canto da folha.
Os meus livros são meus. Não são de mais ninguém.
Acresce a isto que não gosto de ler livros emprestados. E acho que o desgosto é mútuo. Eles olham para mim muito direitinhos e olho-os de soslaio. É preciso tratá-los com cuidado e memorizar que aquilo não é nosso. É chato. Fico com sentimentos de culpa sempre que caem ao chão. Estraga-me logo o prazer da leitura.
Prefiro que me ofereçam livros ou que mos recomendem. Olha, gostei disto. Lê também. Tomo nota na cabeça ou então numa lista muito antiga que anda sempre comigo. Por acaso já não anda, coitada… Perdi-a.
Não, por acaso não perdi. Roubaram-ma. Estava dentro do telemóvel.
É por isso que não gosto que me emprestem livros. Posso perdê-los. Ou então estragá-los. Ou pior: roubá-los. Um livro meu é só meu. Enrolo os cantos, dobro as folhas, anoto as gralhas. Depois passo para outro e sou capaz de o oferecer a alguém. Mas nunca me esqueço do meu exemplar.
Os meus livros são meus.
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