O objetivo consiste em escrever numa folha A5 a página do diário de uma pessoa famosa.
Aceitam-se trabalhos de meninos e meninas com idades entre os 10 e os 14 anos.
Prazo: 21 de novembro de 2012.
Os autores dos seis melhores trabalhos receberão um exemplar do fantástico livro «O Caderno Vermelho da Rapariga Karateca».
Mais informações sobre o passatempo na imagem infra (página dupla da Visão Júnior de novembro).
Yááá! Eu cá vou concorrer (adoro este livro)!
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
III Encontro de Escritores de Língua Portuguesa em Natal – Missão TP003
O antetítulo deste encontro induz em erro. Dá a entender que aconteceu em Natal o terceiro encontro de escritores, o que não é correto. Este não foi o terceiro encontro, foi o primeiro, o primordial, porque eu só acredito no que vejo e esta história é escrita na minha perspetiva. Eu não sou escritora, sou agente secreta. Visto gabardina e chapéu de abas, tenho sotaque russo. (...)
(Continua no JL desta quinzena - 31.10.2012-13.11.2012)
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Na ponta dos dedos, a arte começa
Para a mãe, a maior artesã.
Na ponta dos dedos, a arte começa. Um pedaço de tecido, um pedaço de arame, uma planta, uma obra de arte. Concentra-se, sonha, faz. Sem música, sem nada, só a arte na ponta dos dedos. Um colar, uma flor, uma borboleta, uma outra natureza paralela. Abre as mãos amplas, põe um anel grande. Dedos longos, um anel grande. Faz as suas próprias unhas: corta, lima, trata, pinta, sopra. Unhas fortes e bonitas. As misteriosas mãos da minha mãe, uma obra de arte. A minha mãe, os pequenos prazeres da vida: um petisco, um café, um gelado, um mergulho, uma cerveja, ameijoas à bulhão pato, uma ginjinha. Caminha em frente, sempre em frente. Não sabe para onde vai nem por onde vai, esqueceu-se, vai em frente. Fala alto, ri-se alto, encolhe os ombros, Estou-me nas tintas. Dentes fortes e bonitos, gargalhadas fortes e bonitas. Um nariz sensível a todos os cheiros: ai, cheira-me a isto, ai, cheira-me àquilo. Cheiros paralelos. Sonha, cresce, faz, cheira, caminha em frente. As suas mãos cada vez maiores, cada vez mais belas, a minha mãe cada vez maior, cada vez mais bela, a ocupar todas as coisas no mundo – o mar, o sol, as montanhas –, a minha mãe igual a uma obra de arte. As misteriosas mãos da mãe, dedos longos, unhas fortes. Uma gargalhada. E na ponta dos dedos, a arte começa.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Os números redondos ou a negação dos trinta
Não gosto dos números redondos. Soam-me a falso, não sei. Quando dou com um número redondo, hesito. No supermercado, por exemplo, não compro nada que custe exatamente 10 euros. Cheira-me logo a esturro. Um produto de jeito custa 9 euros e 90 ou 10 euros e 43. 10 euros é um preço ridículo, não compro. O mesmo se aplica ao tempo. Não gosto que me digam: Aquilo é coisa para 20 minutos. Nada demora exatamente 20 minutos, toda a gente sabe isso. Os números redondos são gordos e traiçoeiros. Um comboio com nível também não parte às 10 em ponto. A ideia em si dá-me logo vontade de rir. Ninguém levaria a sério um comboio que parte às 10 em ponto. Os comboios dignos desse nome partem às 10 e 8 ou às 10 e 23, eu jamais entraria num comboio que partisse às 10 em ponto. Ainda outro exemplo: Num bom livro ou num bom filme, a personagem principal nunca tem exatamente 30 ou 40 anos. Uma personagem como deve ser tem 31 anos ou 46, não tem 30 nem 40. Vocês dirão: Não concordo. The 40-year-old virgin é um bom filme. Sim, é um bom filme. Mas é um filme com o Steve Carell, não é para levar a sério. Os números redondos são foleiros. Na vida real, ninguém tem 40 anos. Eu ontem, por exemplo, não fiz 30. É que não fiz mesmo. 30 anos é coisa inventada, os números redondos não existem. Voltei a fazer 29. Sim, 29.
Sou repetente.
Sou repetente.
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