Fujo a sete pés, literalmente a sete pés, porque vejo os meus pés e também outros pés correndo, os meus pés e outros cinco pés, olho para mim, sete olhos, e não reconheço o corpo, o meu próprio corpo que é o meu próprio corpo correndo à minha frente, vários corpos à minha frente, toda eu duplicada, toda eu triplicada, toda eu sete vezes, sete pés mas não sete cabeças, o casaco pela mão, só um casaco pela mão, e tenho apenas duas mãos, só duas mãos, apesar de ter sete pés e talvez sete corpos, apesar de a tarde estar fria e de ser só uma tarde, uma só tarde, um só casaco, só um casaco, o coração contando segundos, os segundos ao contrário, 10, 9, 8, o meu corpo ao contrário, o coração que é só um, contando os segundos, sete pés, sete vidas, sete mares, sete colinas, até ao fim do mundo, o meu coração como uma granada ou como a passagem de ano, 3, 2, 1 e eu oiço uma bomba ou uma rolha saltando, qualquer coisa que explode como nos dias de festa ou nos dias de guerra e eu corro ainda mais, por causa dos pés, por causa dos outros, os pés dos outros, que não são meus, que nunca foram meus, os pés dos outros, que me seguem, e não olho para trás, nunca olho para trás, atiro o casaco e corro ainda mais, porque balanço os braços, e toda eu sou velocidade, fujo do destino, para o destino, contra o destino, o casaco azul às pintinhas, o melhor casaco de todos, qual destino, sem destino, e eu fujo a sete pés e não sou um corpo, sou tantos corpos, tenho sete vidas, para quê as vidas, morrer sete vezes e sempre a mesma morte, atirar-me sete vezes, esborrachar-me sete vezes, sempre este terror, sempre este coração, nunca o destino, sempre o destino, que é uma granada e conta os segundos, o mundo ao contrário, até ao fim do mundo, sete colinas, sete mares, sete mortes sempre iguais.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Diálogo com colega insatisfeito
- Bonjour! Estou a ligar a propósito do documento X.
- Diga.
- Tem aí o documento consigo?
- Como?!
- Se tem o documento consigo…
- [hesitante] Não estou a perceber…
- … Pergunto-lhe se tem o documento consigo, porque tenho aqui uma pergunta específica sobre…
- Se tenho o documento comigo?!
- Sim…
- [riso sarcástico] Desculpe, você está a perguntar-me se eu tenho o documento à minha frente?!
- Sim…
- [riso sarcástico] É evidente que não, minha senhora! Eu tenho outras coisas para fazer, sabe?
- Claro, compreendo… Pode então abrir o documento, por favor?
- Um momento. [quinze segundos depois] Diga.
- Ora bem, este documento tem uma versão anterior e…
- Mas está a falar de quê?
- Deste documento que...
- Qual parte do documento?!
- Na página 5, no ponto 2...
- Sim e então?
- A parte Y foi eliminada numa versão anterior...
- Não estou a ver erro nenhum!
- Sim, mas a parte Y foi eliminada numa versão anterior e…
- Qual versão anterior?
- No documento Z, a versão anterior…
- E então?
- Ora bem, esta parte foi eliminada e agora...
- Não estou a perceber nada do que está a dizer.
- Esta parte aparece novamente e eu só queria mesmo saber se se trata de…
- Bem, não sei. Tenho de comparar as versões. Depois telefono. Au revoir.
Biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii…
[É por estas e por outras que as lambadas devem ser dadas em devida altura. Este senhor, se fosse pequenino, levava duas lambadas e piava fininho. Infelizmente já é demasiado crescido para isso e agora, para ir ao sítio, vai ter de levar um murro nos tomates todos os dias antes de sair de casa. Coitado do senhor. É desagradável.]
- Diga.
- Tem aí o documento consigo?
- Como?!
- Se tem o documento consigo…
- [hesitante] Não estou a perceber…
- … Pergunto-lhe se tem o documento consigo, porque tenho aqui uma pergunta específica sobre…
- Se tenho o documento comigo?!
- Sim…
- [riso sarcástico] Desculpe, você está a perguntar-me se eu tenho o documento à minha frente?!
- Sim…
- [riso sarcástico] É evidente que não, minha senhora! Eu tenho outras coisas para fazer, sabe?
- Claro, compreendo… Pode então abrir o documento, por favor?
- Um momento. [quinze segundos depois] Diga.
- Ora bem, este documento tem uma versão anterior e…
- Mas está a falar de quê?
- Deste documento que...
- Qual parte do documento?!
- Na página 5, no ponto 2...
- Sim e então?
- A parte Y foi eliminada numa versão anterior...
- Não estou a ver erro nenhum!
- Sim, mas a parte Y foi eliminada numa versão anterior e…
- Qual versão anterior?
- No documento Z, a versão anterior…
- E então?
- Ora bem, esta parte foi eliminada e agora...
- Não estou a perceber nada do que está a dizer.
- Esta parte aparece novamente e eu só queria mesmo saber se se trata de…
- Bem, não sei. Tenho de comparar as versões. Depois telefono. Au revoir.
Biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii…
[É por estas e por outras que as lambadas devem ser dadas em devida altura. Este senhor, se fosse pequenino, levava duas lambadas e piava fininho. Infelizmente já é demasiado crescido para isso e agora, para ir ao sítio, vai ter de levar um murro nos tomates todos os dias antes de sair de casa. Coitado do senhor. É desagradável.]
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Uma praia feia
De repente lembrei-me daquele lugar onde ninguém estava além de nós. Daquela praia deserta num dia de Inverno. Uma praia feia, aliás, cercada de prédios pardacentos, a ponta de uma cidade, o fim de qualquer coisa. Nem as gaivotas pousavam ali, só os nossos pés. Era uma praia tão triste. Lembras-te? Tanto frio, tanto vento, nem tinha trazido um gorro, doíam-me os ouvidos. Todas as razões para não estarmos ali e, no entanto, estávamos ali. Enrolei o cachecol à volta da cabeça, lembras-te? Não te ouvia, não te falava, não te beijava e, ainda assim, não queria estar noutro lugar. O sol ia tão alto: perfurava as nuvens como um milagre e só nós assistíamos àquilo, uma ilusão pateta de que talvez fossemos especiais. Tão parvinhos. As nossas pegadas na areia, só as nossas pegadas na areia, apesar de não estarmos em nenhum deserto, de nunca termos estado num deserto, de estarmos numa cidade feiíssima cheia de gente e de gaivotas que se escondiam noutro lugar qualquer que não aquele. Conheço tão bem as tuas pegadas. Conheço-as muito melhor do que as minhas. Porque sigo os teus passos e não os meus, claro. Conheço bem os teus ombros, o teu cabelo, as tuas costas, sigo-te. Quanto tempo terão ficado ali as nossas pegadas, já viste? Se calhar tempo nenhum, repara, porque as nuvens escureciam como os dias e é provável que tenha chovido nesse dia, não me lembro. O vento a correr como uma má notícia, o meu cabelo tão desgrenhado, cheio de areia e de sal, e eu feliz com qualquer coisa, distraída com qualquer coisa. Tão arrependida por não ter trazido o gorro. A seguir as tuas pegadas na praia feiíssima, os teus pés muito maiores do que os meus. E era o final da cidade, o final dos dias, onde ninguém estava além de nós.
Não sei por que razão me lembrei disto agora.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Amor correspondido
- Ana?
- Estás a chamar pela Ana, Rodrigo?
- Ana?
- A Ana não está, fofinho!
- Ana?
- A Ana foi-se embora, não foi?
- Abião?
- Pois, foi-se embora de avião.
- Ana?
- Se quiseres, podemos ver fotografias da Ana. Queres ver fotografias da Ana?
- Xim.
- Olha aqui esta fotografia da Ana.
- Mais!
- E olha esta aqui.
- Mais!
- Olha outra aqui também.
- Mais!
- Pronto, agora aqui não tenho mais fotografias da Ana.
- Mais!
- Estás a chamar pela Ana, Rodrigo?
- Ana?
- A Ana não está, fofinho!
- Ana?
- A Ana foi-se embora, não foi?
- Abião?
- Pois, foi-se embora de avião.
- Ana?
- Se quiseres, podemos ver fotografias da Ana. Queres ver fotografias da Ana?
- Xim.
- Olha aqui esta fotografia da Ana.
- Mais!
- E olha esta aqui.
- Mais!
- Olha outra aqui também.
- Mais!
- Pronto, agora aqui não tenho mais fotografias da Ana.
- Mais!
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Aveiro Jovem Criador 2010
No sábado passado algo de absolutamente extraordinário se passou em Aveiro: a ria rumorejou a história de todos os amores e os moliceiros soergueram-se na ria, entraram pela praça do Rossio, atravessaram o mercado do peixe e já não eram moliceiros, vejam bem!, eram mulheres empinando os narizes, os lábios coloridos de escarlate, velas cobrindo o cabelo, sirgas penduradas ao pescoço. Infelizmente ninguém deu por isso, o que foi ainda mais extraordinário. Àquela hora todos se distraíam da cidade, imergidos que estavam nas suas vidas ou nas lojas do Fórum. Outros houve que se encontravam no Museu de Aveiro, assistindo à entrega dos prémios aos jovens criadores, que eram jovens e criadores e tinham, por isso, esperança na vida, no amor, na arte e noutros substantivos abstractos.
Oh, grande perda aquela!
Os moliceiros passeando-se na cidade, sabedores de todos os segredos, e os jovens criadores comendo ovos-moles, distraídos, perplexos, regozijados. Tão jovens, tão criativos.
Coitados!
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Um homem corre para o metro.
Um homem corre para o metro. O cabelo grisalho e uma calva redonda no cocuruto. Não tem idade para correr nem muito jeito para isso, mas corre na mesma: está com pressa. Pela mão traz uma mala de pele ou a imitar pele, ligeiramente puída, talvez professor de matemática ou vendedor de livros por catálogo. O metro está parado há coisa de cinco segundos, mas o homem ainda não chegou à plataforma. Por isso, corre. Galga agora os degraus da escada rolante, dá um pequeno encontrão numa senhora muito gorda, pede desculpa verdadeiramente arrependido, a senhora parece perdoá-lo. As portas do metro já assobiam, começam agora mesmo a fechar-se e o homem, que tem pernas e braços compridos, tira partido das pernas e dos braços compridos e lança a mão vazia para uma das portas, na esperança de parar o movimento ou o tempo ou coisa que o valha. Infelizmente as portas continuam a fechar-se até que se fecham mesmo. A mão do homem fica exactamente a meio: os cinco dedos dentro do metro e o resto da mão do lado de fora. As portas não voltam a abrir, a enorme carruagem não anda para a frente nem para trás. O homem ali fica especado, a mão entre uma coisa e outra. O condutor do metro não presta atenção a nada disto. De outro modo, abriria as portas agora mesmo. Os passageiros olham atónitos para os dedos pendurados na porta. Do lado de fora, as pessoas mexem-se alvoraçadas como pombos. Por fim, e para horror dos que assistem, o metro parte. Os passageiros amotinam-se, começam a esbracejar e a gritar. O homem de cabelo grisalho não tem outro remédio: corre pela plataforma com o metro que avança, levado pela própria mão. Alguns passageiros correm atrás dele. O homem de cabelo grisalho e calva redonda no cocoruto não tem idade para correr nem muito jeito para isso, mas corre na mesma. Felizmente, a senhora muito gorda está de costas para o homem que corre na sua direcção. Além de muito gorda, é completamente surda, não sabe o que se passa.
A colisão brutal entre os dois corpos foi o que bastou para salvar o homem e a sua mão. Homem e mulher caem no chão como dois amantes.
Um tratamento de choque.
Para onde iria o homem com tanta pressa? Jamais saberemos.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Imigrantes, intocáveis e imortais
Quando como lasanha fico com o estômago a levedar durante a tarde inteira. É um facto. O mesmo acontece quando falo sobre multiculturalismo. Fico tão enfastiada que tenho de beber um chá verde para digerir. Mesmo assim, como lasanha porque gosto de comer e falo sobre multiculturalismo porque vivo em Bruxelas, onde o multiculturalismo está sempre na ordem do dia. Trata-se de um tema extremamente cosmopolita e moderno. Ora, num discurso proferido este domingo, a Angela Merkel disse qualquer coisa como "o multiculturalismo falhou redondamente". Como se não bastasse, disse isto em alemão, uma língua medonha e nada cândida, ao contrário do português.
É óbvio que Angela Merkel já sabia que todos lhe cairiam em cima. Há que apreciar Angela Merkel, nem que seja, por isso. Há pouca gente temerária à frente da Europa, são todos demasiado cosmopolitas, demasiado modernos. É certo que, antes de dizer isto, a chanceler também disse outras coisas. Por exemplo, que os alemães aceitaram os Gastarbeiter nos anos 60 na expectativa de que eles se fossem embora passado pouco tempo. Que, constatando o contrário, os alemães resolveram acolher os imigrantes e adoptaram uma perspectiva multikulti, num espírito leviano e contente de coexistência.
Não percebo muito do assunto, porque não sou pessoa para perceber muito dos assuntos mas, como muita gente da minha geração, sou um bocadinho cosmopolita e também um bocadinho modernaça, de maneira que me apetece dizer algo sobre isto.
Só ouvi o discurso de Angela Merkel hoje e devo dizer que as suas palavras não me chocam absolutamente nada. Parece-me, aliás, que a chanceler disse o que outros já disseram ou, pelo menos, queriam ter dito. O multiculturalismo é, na Europa, uma tendência imperiosa como as calças de ganga. Qualquer europeu que se preze tem vários pares de calças de ganga e é multicultural, ou seja, vai ao cinema ver filmes turcos, vai jantar ao indiano e ao vietnamita, tira cursos de cozinha marroquina e fala várias línguas.
A meu favor, digo o seguinte: como kebabs com frequência, dividi o apartamento com uma turca e com uma alemã durante um ano, estou a aprender a quarta língua estrangeira, trabalhei em quatro países europeus, vou de fim-de-semana com amigas búlgaras e eslovenas, jogo vólei numa equipa flamenga e casei com um português porque cheguei à conclusão evidente de que essa era a melhor nacionalidade do mundo. Estou, portanto, integradíssima neste meio multicultural, não tenho nada contra o diálogo intercultural. Adoro multiculturalismo e calças de ganga, desde que não me roubem a identidade.
Admito, no entanto, o seguinte: o multiculturalismo é, como tudo o que é moda, uma verdadeira fachada. Há muito que a Europa enfrenta problemas relacionados com a imigração. Isto é tão verdade que até soa a lugar-comum, desculpem lá. A perspectiva multikulti de tudo-ao-molho-e-fé-em-Deus-desde-que-não-seja-assim-muita-muita-fé não resulta. A Europa foi demasiado branda com os que cá chegaram. Aceitou-os, mas não exigiu ser aceite. Era demasiado cosmopolita e moderna para isso. Chegou a hora de repensar o multiculturalismo.
É óbvio que Angela Merkel já sabia que todos lhe cairiam em cima. Há que apreciar Angela Merkel, nem que seja, por isso. Há pouca gente temerária à frente da Europa, são todos demasiado cosmopolitas, demasiado modernos. É certo que, antes de dizer isto, a chanceler também disse outras coisas. Por exemplo, que os alemães aceitaram os Gastarbeiter nos anos 60 na expectativa de que eles se fossem embora passado pouco tempo. Que, constatando o contrário, os alemães resolveram acolher os imigrantes e adoptaram uma perspectiva multikulti, num espírito leviano e contente de coexistência.
Não percebo muito do assunto, porque não sou pessoa para perceber muito dos assuntos mas, como muita gente da minha geração, sou um bocadinho cosmopolita e também um bocadinho modernaça, de maneira que me apetece dizer algo sobre isto.
Só ouvi o discurso de Angela Merkel hoje e devo dizer que as suas palavras não me chocam absolutamente nada. Parece-me, aliás, que a chanceler disse o que outros já disseram ou, pelo menos, queriam ter dito. O multiculturalismo é, na Europa, uma tendência imperiosa como as calças de ganga. Qualquer europeu que se preze tem vários pares de calças de ganga e é multicultural, ou seja, vai ao cinema ver filmes turcos, vai jantar ao indiano e ao vietnamita, tira cursos de cozinha marroquina e fala várias línguas.
A meu favor, digo o seguinte: como kebabs com frequência, dividi o apartamento com uma turca e com uma alemã durante um ano, estou a aprender a quarta língua estrangeira, trabalhei em quatro países europeus, vou de fim-de-semana com amigas búlgaras e eslovenas, jogo vólei numa equipa flamenga e casei com um português porque cheguei à conclusão evidente de que essa era a melhor nacionalidade do mundo. Estou, portanto, integradíssima neste meio multicultural, não tenho nada contra o diálogo intercultural. Adoro multiculturalismo e calças de ganga, desde que não me roubem a identidade.
Admito, no entanto, o seguinte: o multiculturalismo é, como tudo o que é moda, uma verdadeira fachada. Há muito que a Europa enfrenta problemas relacionados com a imigração. Isto é tão verdade que até soa a lugar-comum, desculpem lá. A perspectiva multikulti de tudo-ao-molho-e-fé-em-Deus-desde-que-não-seja-assim-muita-muita-fé não resulta. A Europa foi demasiado branda com os que cá chegaram. Aceitou-os, mas não exigiu ser aceite. Era demasiado cosmopolita e moderna para isso. Chegou a hora de repensar o multiculturalismo.
E quem se choca quando a Angela Merkel diz que os alemães se sentem ligados aos valores cristãos, recomponha-se. Não acredito em Deus, mas acredito na História e é isto que ela nos diz.
Não concordo com as medidas de Sarkozy, não me parece que resolvam o problema. Mas também me parece que não podemos olhar para os imigrantes como se fossem intocáveis. É preciso mexer nos imigrantes, integrá-los nos países que os acolhem. Sobre isto, uma palavra: educação. Já se disse demasiado sobre isso, não vou repetir o que foi dito.
Claro que Angela Merkel não tem a vida facilitada na Europa. Não só por ser mulher, mas sobretudo por ser alemã e discursar em alemão. Já se sabe que o mundo inteiro morre de medo quando alguém diz o que quer que seja em alemão. Esta é, quanto a mim, uma reacção normal. Não quero falar de judeus. Por uma vez, que não se fale em judeus, mas o trauma da Segunda Guerra Mundial está para ficar. Os judeus que morreram são imortais. Mas eu não quero falar nos 6 milhões de judeus que morreram na Segunda Guerra Mundial, porque senão também teria de falar nos 10 milhões de chineses e nos 24 milhões de soviéticos e, mesmo assim, só estaríamos a falar de metade das pessoas que perderam a vida nessa guerra. Não quero falar sobre isso. Prefiro falar sobre o multiculturalismo. Ainda que fique um pouco enfastiada depois.
Não concordo com as medidas de Sarkozy, não me parece que resolvam o problema. Mas também me parece que não podemos olhar para os imigrantes como se fossem intocáveis. É preciso mexer nos imigrantes, integrá-los nos países que os acolhem. Sobre isto, uma palavra: educação. Já se disse demasiado sobre isso, não vou repetir o que foi dito.
Claro que Angela Merkel não tem a vida facilitada na Europa. Não só por ser mulher, mas sobretudo por ser alemã e discursar em alemão. Já se sabe que o mundo inteiro morre de medo quando alguém diz o que quer que seja em alemão. Esta é, quanto a mim, uma reacção normal. Não quero falar de judeus. Por uma vez, que não se fale em judeus, mas o trauma da Segunda Guerra Mundial está para ficar. Os judeus que morreram são imortais. Mas eu não quero falar nos 6 milhões de judeus que morreram na Segunda Guerra Mundial, porque senão também teria de falar nos 10 milhões de chineses e nos 24 milhões de soviéticos e, mesmo assim, só estaríamos a falar de metade das pessoas que perderam a vida nessa guerra. Não quero falar sobre isso. Prefiro falar sobre o multiculturalismo. Ainda que fique um pouco enfastiada depois.
Nada como um chá verde para ajudar.
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