segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Três desejos

Brevemente neste blogue, um dos três desejos.

Uma história. Uma personagem. Um discurso diarístico.
Estes eram os três desejos do narrador que, apesar de minúsculo, comia Kinder Surpresa como gente grande. Os desejos eram também maiores do que ele próprio, como certos sonhos de infância. Queria, urgentemente, uma história, uma personagem, um discurso diarístico. Na verdade, queria qualquer coisa que não aquele silêncio. Urgentemente.
Nos tempos livres, o narrador costumava brincar com as retroexcavadoras cor-de-laranja que descobria dentro dos ovinhos, mas ultimamente só tem comido o ovo de chocolate e deita fora os brinquedos.
O autor é mais maduro do que o narrador. Além de nada desejar, veste uma misteriosa gabardina preta para o proteger da chuva, do vento e dos outros. Comporta-se, aliás, como os gatos: senta-se contemplativo no parapeito da janela, mas o narrador não tem a certeza se o autor contempla alguma coisa, porque não mexe a cabeça nem as orelhas nem os olhos nem as patas. Ninguém contempla imóvel.
Era a opinião do narrador. À falta de metafísica naquela casa, come chocolates, mas não brinca. Tem três desejos mais fortes do que ele próprio.
Diz em voz alta: Uma história. Uma personagem. Um discurso diarístico.
Repete: Uma história. Uma personagem. Um discurso diarístico.
Depois grita, chora, esperneia.
O autor está virado para a janela, por isso não lhe vemos o rosto. Está tão quieto que mais parece uma estátua. Há quatro semanas que não se mexe (na verdade, o narrador tem medo que o autor tenha morrido à janela).
Por vezes, aproxima-se devagar do parapeito, põe-se em bicos dos pés para tocar na cauda longuíssima do autor, mas depois arrepende-se. Regressa ao seu cantinho, mais pequeno do que antes.
Hoje, no entanto, pela hora de almoço, algo acontece:
Belgavista é nome de peixe.
É o que diz, de repente, o autor. Depois salta para o chão e começa a lamber as próprias patas. É previsível que, além da vontade de escrever, tenha uma pontinha de fome. Daí a alucinação.
O narrador dá um pulo de contente, mas continua a comer chocolate. Na sua modesta opinião, Belgavista não é nome de peixe.
Mas isso, agora, pouco importa.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Western revisited: Eleições no Far West

Um índio candidatou-se a xerife. Era a primeira vez que tal sucedia no Far West. Esse índio chamava-se Jlin-Litzoque (Cavalo Amarelo) e pescava no rio com uma lança. Também lia o futuro no movimento da água e falava com a lua.
No bar do Joe, todos à excepção das mulheres discutiam as eleições, os direitos dos índios, o futuro da América.
Como previsto, e para grande alívio dos vaqueiros, o rancheiro Rowdy Yates também se candidatara. Era respeitado na povoação e sabia manter a ordem, a julgar pelas suas vacas disciplinadas. Tinha uma mulher e três filhos, sabia ler e escrever.
Os índios não votavam, pelo que a vitória de Rowdy Yates era provável. A contagem de votos terminou na segunda-feira e o xerife cessante anunciou o vencedor no bar do Joe, onde os homens passaram a noite a beber, a comer, a dançar e a copular com mulheres que não as suas. O xerife anunciou, sem surpresas: Rowdy Yates era o vencedor, tendo os homens continuado a festa. O novo xerife subiu para o balcão a custo e recebeu a sua estrela.
Nisto entra no bar do Joe o Cavalo Amarelo. (Os índios nunca entravam no bar do Joe.) Todos os homens se calaram, estupefactos, excepto Rowdy Yates, que lhe perguntou destemido:
- Vens felicitar-me, Cavalo Amarelo?
- Não.
- Vens anunciar a tua derrota?
- Não.
- Então, o que fazes aqui?
- Venho convocar-te.
- Convocar-me?!
- Sim.
- Para uma reunião?!
- Não, para um duelo.
Os homens soltaram uma gargalhada em uníssono, incluindo Rowdy Yates. O próprio Cavalo Amarelo esboçara um sorriso. A situação era caricata: já se sabe que os índios nada sabem de pistolas. Rowdy Yates mostrou-se curioso, perguntou genuinamente:
- Queres morrer, Cavalo Amarelo?
- Não.
- Pensas que ganharás um duelo contra mim?
- Sim.
- A sério?
- A sério.
- Muito bem. E para quando queres marcar este duelo?
- Para agora.
O Cavalo Amarelo não espera um segundo. Saca uma caçadeira não se sabe de onde e dispara uma só vez. Depois foge no seu cavalo amarelo. Os homens demoram a reagir, ficam a olhar para o chão, onde jaz Rowdy Yates, de cabeça escancarada, indubitavelmente morto. Não dizem nada.
O xerife cessante sai de cena, retoma as funções. Alguns homens tiram o chapéu. Não era digno morrer daquela maneira, sem pré-aviso e pelas mãos de um índio.
Mas no Far West era assim, morria-se por tudo e por nada. A dignidade era tão longínqua como o resto da terra.
O mesmo sucedia, por exemplo, em Vila Real.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Derramada por Chico Buarque

Quando sair daqui, vou comprar música do Chico Buarque, toda a música do Chico Buarque.
Tinha acabado de ouvir o Leite Derramado, quando pensou nisto, mas só dias mais tarde se lembrou dessa decisão. Disse: Saio daqui, reentro na chuva, apanho o metro e compro música do Chico Buarque, toda a música do Chico Buarque.
Não tem uma única música do Chico Buarque e tem pena, vergonha, raiva de si mesma, porque aprendeu a dançar samba no Rio de Janeiro e canta Caetano Veloso no duche. Não sabe porquê, tenta perceber porquê.
Observa: há qualquer coisa de profundamente inquietante na voz de Chico Buarque, nos seus lábios, nos seus cabelos. Uma certa manha de rapousa, uma astúcia de cavalo de Tróia e ela não gosta disso. Dança samba despreocupadamente, "como se pulasse corda", igual à Matilde que derrama o leite.
Preocupa-se em arranjar desculpas: O próprio nome Chico Buarque é estrondoso e a canção do Chico Fininho assenta-lhe que nem uma luva. Não consegue levar a sério aquela voz. O seu rosto é certinho, bonitinho, direitinho, tem um certo ar intelectual e as letras das canções são complicadas. Tudo isto a incomoda.
Tudo isto estava prestes a mudar, porque tinha acabado de ler o Leite Derramado e apercebera-se do seguinte: os olhos de Chico Buarque, a sua voz, o seu perfil, todo ele tinha alguma coisa de profundamente feminino. E isso era, de facto, inquietante. Com Caetano também era assim, mas Chico Buarque emanava, de facto, um entendimento feminino do mundo, era conhecedor da mulher por fora e por dentro.
Sim, isto inquieta-a. O conhecimento dos outros de um pedaço de si própria é sempre inquietante. Está derramada por Chico Buarque, quer ouvir a sua voz. Tinha lido o romance anterior há coisa de três anos, quando estava, precisamente, em Budapeste. Só o lera por isso mesmo, porque estava em Budapeste e o livro tinha o nome da cidade. Mais nada. É verdade que tinha gostado do livro, mas apreciou mais a viagem e esqueceu o Chico Buarque ainda durante a estadia: o seu amor era outro, a leitura era acessória. Guardou, contudo, aquele livro na memória e revisitou-o.
Comprou o Leite Derramado porque sim. Lê da mesma maneira como samba e era costume comprar livros porque sim. Também comprava livros por outras razões (por vezes pensava que os livros podiam desaparecer de repente de todas as estantes de todas as livrarias e isto assustava-a).
Além de tudo isso, também gosta das capas da Dom Quixote, os relevos das letras atraem as pontas dos dedos e dos olhos. Era branca, a capa. O Chico Buarque estava mais bonito com a idade, uma injustiça para os outros, que ficam, por norma, mais feios. Trouxe o livro para outro lugar e leu-o em três tempos: o primeiro tempo passou-se num quarto de hotel, o segundo tempo no comboio, o terceiro tempo no avião. Na verdade, talvez nada disto tenha acontecido, porque a sua sensação era a de que ouvira o Leite Derramado e não que o lera.
Quando pensa no livro, lembra-se da voz de Chico Buarque contando a história de um homem centenário que conta, por sua vez, a sua história para não se esquecer dela. Também conta a sua história para não ser esquecido. Nessa história fala da sua obsessão por Matilde, uma mulher "quase castanha" que colhe conchas na praia e ouve "maxixe e samba na vitrola". O homem centenário revive aquele amor, regressa àquele amor, repete esse amor. Também repete outras histórias. Conta tudo isto à enfermeira que se ocupa dele, à filha que o visita, ao neto, a toda a gente, a si próprio, a ninguém. Fala do Brasil, de escravos, de "mil oitocentos e lá vai fumaça", de mangas, capelas, portugueses, franceses, putas, vestidos, droga, religião e de outras coisas. Também fala das suas dúvidas, das suas angústias e convicções.
Um discurso tão real como a voz de Chico Buarque dentro dele.
Ouviu o livro e ficou derramada por Chico Buarque. Queria ouvir mais aquela voz e, enquanto não era hora de sair, vai ao Youtube. Ouve a Construção como se fosse a última canção.
O Chico Buarque inquieta-a. E ela gosta.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Discurso diarístico sem mim – Parte II

Não escrevia desde o segundo dia. Este facto era tão mau como o tempo em Bruxelas, mas entristecia-a ainda mais que o tempo em Bruxelas, porque o segundo dia tinha sido há muito tempo, quando o sol ainda não era um sonho na cidade escura. Não escrevia desde o segundo dia e apetece-lhe que isto não seja verdade. Pega, portanto, na tesoura de poda para cortar aquela raiz profunda e semear, no seu lugar, uma semente de escrita, que funcione ao contrário, de frente para trás, da direita para a esquerda, como a língua árabe, e reinvente o passado, em mil e uma noites. O Orhan Pamuk diz que passa 10 horas por dia a escrever. Diz também que acorda cedo, por isso adivinhamos que se sente à escrivaninha logo de manhã. Tenta imaginar o escritório de Orhan Pamuk, a possível janela de um segundo andar [ou terceiro ou quarto, não mais] sobre uma rua movimentada, com dois sentidos. Nisto doem-lhe os ombros e os olhos e os pés, bem como o coração, a cabeça e o estômago, como se tivesse escrito [ela e não ele], 10 horas sem parar. Explicava dentro da cabeça que, no fundo, assim era: tinha, afinal de contas, escrito sem parar e não apenas 10 horas, mas 10 dias seguidos, 10 meses, mil e uma noites, para trás e não para a frente, da direita para a esquerda e, portanto, talvez em hebraico. Tudo isto dentro da cabeça, porque, conforme insistia, escrevia dentro da cabeça. Ora, isto não era verdade. Já se sabe que ninguém escreve dentro da cabeça e os seus pensamentos, jamais tangíveis, são feitos de pombos e não de palavras: descem até à cidade e sobrevoam as casas ao sabor do vento ou contra ele, uns atrás dos outros, desaparecem nas esquinas mais escuras, em trajectórias que mais ninguém conhece. Passam também em frente à janela de Orhan Pamuk, mas não o vêem. Ele, sim. Vê-os. E ela vê-o a ver os pombos, gosta de o ver a ver os pombos. Coloca-o à janela para ele ver os pombos. Imagina Orhan Pamuk de pijama, de roupão, de fato de treino, de camisa branca, de t-shirt, não sabe que roupa escolher para Orhan Pamuk. Diz que escreve dentro da cabeça, mas ninguém lê o que escreve, por isso ninguém acredita. Ela também não lê o que escreve, portanto é possível que nem ela acredite. Pega na tesoura de poda, mas não consegue encontrar a raiz daquela falta profunda. Encolhe os ombros e fuma cigarros. Também escova os dentes várias vezes por dia e faz outras coisas, como falar ao telefone, comprar pijamas e chocolates. Um desperdício de tempo, de água, de dinheiro, de saúde, de latim. Não lhe faz bem não escrever: a cabeça fica cheia de pombos e não há espaço para uma praça, para um sopro, para uma janela, por isso os pombos não voam e bicam-lhe a cabeça sem parar, 10 horas seguidas, todos os dias. O sol já é um sonho na cidade sempre escura e ela decide escrever. Pensa em Orhan Pamuk e sente uma ponta de inveja. Talvez uma asa de inveja. Duas asas, um pombo, um bando inteiro de inveja. Está mau tempo em Bruxelas. Doem-lhe os ombros e os olhos.
Um pombo pousa no seu parapeito, mas ela não o vê. Está de costas. A escrever. Que azar.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Discurso diarístico sem mim – Parte I

Não escrevia desde o primeiro dia. Ora, esse dia [o primeiro] tinha sido há imenso tempo dentro e fora da cabeça e daquela dimensão que era o tempo a contar desde o primeiro dia à volta do sol e de si própria. Tinha, no entanto, uma enorme urgência da escrita. Uma enorme urgência para a escrita. Na escrita. Pela escrita. Dir-se-ia que a urgência da cabeça, do tronco e dos membros estava desfasada da tal dimensão à volta do sol. Ou que a urgência fazia parte da espera, não obstante a urgência.
A meio da tarde, a pálpebra inferior do olho direito saltava como o coração de um passarinho. Isto acontecia todas as tardes, por volta das 14 horas e 10 minutos, a hora perfeita dos relógios sem horas. Quem já teve um passarinho na mão, conhece o seu compasso acelerado.
Assim saltava a pálpebra inferior do olho direito e isto incomodava o resto do corpo, o resto do tempo, o resto do mundo: tudo parecia estar em sintonia com o coração do passarinho, escondido atrás da pálpebra.
O dia 8 de Setembro de 2009 parecia-lhe um óptimo dia para acabar com aquela espera que, como já se disse, não era uma espera, mas sim uma urgência estendida no tempo. O desfasamento entre o corpo e o tempo era tão grande que mais parecia um abismo.
Dito isto, o abismo abriu-se de repente como uma boca ou como uma cortina ou como uma luz ao contrário [por ser negra] e o corpo caiu devido à gravidade ou à vontade de cair [não sabemos].
A professora de português do 5.º ano chamava-se Lídia Inês Pinto e este nome parecia-lhe tão bonito que o corpo desfasado do tempo desconfiava que ela [a professora] era, afinal, uma das suas personagens. Tinha, no seu entender, que era pouco e parcial, um certo jeito para todos os nomes que não o seu e o nome daquela professora parecia-lhe seu e não dela [da professora]. Isto a propósito da escrita, porque a professora fictícia ou real [pouco importa] lhe disse, certa vez, que o discurso diarístico era o princípio da escrita. Depois explicou porquê, mas ela [a do abismo] não se lembrava da razão. Do resto, sim, lembrava-se. Tão claramente como do rio Tejo. Tinha algumas memórias [não muitas, não todas] e aquela era uma delas. A professora podia ser fictícia, mas o conteúdo era real.
O princípio da escrita era, pois [talvez], o início do corpo: eventualmente, o tal coração de passarinho atrás da pálpebra inferior do olho direito.
Para que se saiba, estava a ler o Livro do Desassossego. [Ah!, diz o leitor, daí o seu desassossego, a sua urgência, ou parte dele e parte dela.] Também lia outras coisas ao mesmo tempo, mas o Livro do Desassossego era o princípio de outras coisas. Também fazia parte daquele princípio, mesmo que a posteriori do princípio.
O abismo, de natureza opaca e rugosa, assustava-a, por isso susteve a respiração durante a queda. Também fechou os olhos. Por causa disso ou apesar disso, o coração de passarinho atrás da pálpebra inferior do olho direito parou de bater e houve, dentro da cabeça, um pressentimento de morte.
A morte do coração atrás da pálpebra era, naturalmente, uma coisa boa, porque matava de uma vez por todas, não a urgência, não a saudade, mas, pelo menos, o tempo [perdido]. Assim pensava o coração original, maior do que certos pássaros, e, correndo desvairado, soprou sangue, vento, poeira e escrita pela cabeça, o tronco e os membros.
Era o segundo dia.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Primeiro dia



No primeiro dia, a rapariga ficou mais velha. Acordou de manhã e viu isso mesmo, que estava mais velha. A constatação passou-se em frente ao espelho, mas o envelhecimento não, tinha sucedido provavelmente antes, durante a noite. A rapariga só dera por ela de manhã e olhou para si própria em frente ao espelho. Fenómeno esquisito.
Depois foi fazer café. A rapariga, agora mais velha, pensou que não era mau envelhecer.
O homem ilimitado andava à solta pela casa e assobiava ilimitadamente. A rapariga chamou-o como quem chama um pássaro, mas o homem ilimitado não era um pássaro porque era mais parecido com o Peter Pan: tinha uma terra longínqua dentro dele. Além disso, tinha asas nas mãos, nos pés, nas orelhas, nos cabelos. Também tinha voos no corpo e muitos ventos. Não era um pássaro.
A rapariga, agora mais velha, ligou a música. Ouvia M. Ward dia sim, dia não: num dia passava os minutos todos atrás dele, no dia seguinte ignorava-o, para que ele fosse atrás dela. Uma história de amor como as outras. Naquele domingo, por exemplo, a rapariga não ouviu M. Ward, o que foi uma pena, porque o M. Ward tinha sido a banda sonora perfeita para aquele primeiro dia.
A rapariga, agora mais velha, comia torradas despreocupadas com ovos mexidos. O homem ilimitado também. Falavam de boca cheia porque queriam comer e falar ao mesmo tempo.
Não, não era mau envelhecer. Desde que houvesse pão e café de manhã. Desde que a música tocasse aos domingos. E o homem ilimitado assobiasse. Ilimitadamente. À solta pela casa.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Não obstante as brumas

Aquela rapariga anda de sandálias brancas não obstante as brumas e a inevitabilidade da chuva. Anda contente de pés ao léu, ostentando as suas unhas lindíssimas, pintadas de fresco.
A rapariga de sandálias brancas acredita piamente no Verão, mesmo que daqui a pouco ande a chapinhar em poças de água.
Outras raparigas acreditam noutras coisas. Aquela acredita no Verão. (As raparigas arabescas, por exemplo, que andam por aí encarapuçadas como criminosas acreditam em coisas mais invernais e, portanto, menos iluminadas.)
A rapariga de sandálias brancas e unhas pintadas de fresco atravessa a rua e polvilha a estrada de Verão, qual Sininho na terra do sempre.
Quase desejamos que chova para a ver chapinhar na água.
Em Bruxelas, o Verão é assim. Uma questão de atitude. De crença. E não uma estação.
O autor e o narrador converteram-se. E vão pintar as unhas dos pés.