terça-feira, 6 de outubro de 2009

Derramada por Chico Buarque

Quando sair daqui, vou comprar música do Chico Buarque, toda a música do Chico Buarque.
Tinha acabado de ouvir o Leite Derramado, quando pensou nisto, mas só dias mais tarde se lembrou dessa decisão. Disse: Saio daqui, reentro na chuva, apanho o metro e compro música do Chico Buarque, toda a música do Chico Buarque.
Não tem uma única música do Chico Buarque e tem pena, vergonha, raiva de si mesma, porque aprendeu a dançar samba no Rio de Janeiro e canta Caetano Veloso no duche. Não sabe porquê, tenta perceber porquê.
Observa: há qualquer coisa de profundamente inquietante na voz de Chico Buarque, nos seus lábios, nos seus cabelos. Uma certa manha de rapousa, uma astúcia de cavalo de Tróia e ela não gosta disso. Dança samba despreocupadamente, "como se pulasse corda", igual à Matilde que derrama o leite.
Preocupa-se em arranjar desculpas: O próprio nome Chico Buarque é estrondoso e a canção do Chico Fininho assenta-lhe que nem uma luva. Não consegue levar a sério aquela voz. O seu rosto é certinho, bonitinho, direitinho, tem um certo ar intelectual e as letras das canções são complicadas. Tudo isto a incomoda.
Tudo isto estava prestes a mudar, porque tinha acabado de ler o Leite Derramado e apercebera-se do seguinte: os olhos de Chico Buarque, a sua voz, o seu perfil, todo ele tinha alguma coisa de profundamente feminino. E isso era, de facto, inquietante. Com Caetano também era assim, mas Chico Buarque emanava, de facto, um entendimento feminino do mundo, era conhecedor da mulher por fora e por dentro.
Sim, isto inquieta-a. O conhecimento dos outros de um pedaço de si própria é sempre inquietante. Está derramada por Chico Buarque, quer ouvir a sua voz. Tinha lido o romance anterior há coisa de três anos, quando estava, precisamente, em Budapeste. Só o lera por isso mesmo, porque estava em Budapeste e o livro tinha o nome da cidade. Mais nada. É verdade que tinha gostado do livro, mas apreciou mais a viagem e esqueceu o Chico Buarque ainda durante a estadia: o seu amor era outro, a leitura era acessória. Guardou, contudo, aquele livro na memória e revisitou-o.
Comprou o Leite Derramado porque sim. Lê da mesma maneira como samba e era costume comprar livros porque sim. Também comprava livros por outras razões (por vezes pensava que os livros podiam desaparecer de repente de todas as estantes de todas as livrarias e isto assustava-a).
Além de tudo isso, também gosta das capas da Dom Quixote, os relevos das letras atraem as pontas dos dedos e dos olhos. Era branca, a capa. O Chico Buarque estava mais bonito com a idade, uma injustiça para os outros, que ficam, por norma, mais feios. Trouxe o livro para outro lugar e leu-o em três tempos: o primeiro tempo passou-se num quarto de hotel, o segundo tempo no comboio, o terceiro tempo no avião. Na verdade, talvez nada disto tenha acontecido, porque a sua sensação era a de que ouvira o Leite Derramado e não que o lera.
Quando pensa no livro, lembra-se da voz de Chico Buarque contando a história de um homem centenário que conta, por sua vez, a sua história para não se esquecer dela. Também conta a sua história para não ser esquecido. Nessa história fala da sua obsessão por Matilde, uma mulher "quase castanha" que colhe conchas na praia e ouve "maxixe e samba na vitrola". O homem centenário revive aquele amor, regressa àquele amor, repete esse amor. Também repete outras histórias. Conta tudo isto à enfermeira que se ocupa dele, à filha que o visita, ao neto, a toda a gente, a si próprio, a ninguém. Fala do Brasil, de escravos, de "mil oitocentos e lá vai fumaça", de mangas, capelas, portugueses, franceses, putas, vestidos, droga, religião e de outras coisas. Também fala das suas dúvidas, das suas angústias e convicções.
Um discurso tão real como a voz de Chico Buarque dentro dele.
Ouviu o livro e ficou derramada por Chico Buarque. Queria ouvir mais aquela voz e, enquanto não era hora de sair, vai ao Youtube. Ouve a Construção como se fosse a última canção.
O Chico Buarque inquieta-a. E ela gosta.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Discurso diarístico sem mim – Parte II

Não escrevia desde o segundo dia. Este facto era tão mau como o tempo em Bruxelas, mas entristecia-a ainda mais que o tempo em Bruxelas, porque o segundo dia tinha sido há muito tempo, quando o sol ainda não era um sonho na cidade escura. Não escrevia desde o segundo dia e apetece-lhe que isto não seja verdade. Pega, portanto, na tesoura de poda para cortar aquela raiz profunda e semear, no seu lugar, uma semente de escrita, que funcione ao contrário, de frente para trás, da direita para a esquerda, como a língua árabe, e reinvente o passado, em mil e uma noites. O Orhan Pamuk diz que passa 10 horas por dia a escrever. Diz também que acorda cedo, por isso adivinhamos que se sente à escrivaninha logo de manhã. Tenta imaginar o escritório de Orhan Pamuk, a possível janela de um segundo andar [ou terceiro ou quarto, não mais] sobre uma rua movimentada, com dois sentidos. Nisto doem-lhe os ombros e os olhos e os pés, bem como o coração, a cabeça e o estômago, como se tivesse escrito [ela e não ele], 10 horas sem parar. Explicava dentro da cabeça que, no fundo, assim era: tinha, afinal de contas, escrito sem parar e não apenas 10 horas, mas 10 dias seguidos, 10 meses, mil e uma noites, para trás e não para a frente, da direita para a esquerda e, portanto, talvez em hebraico. Tudo isto dentro da cabeça, porque, conforme insistia, escrevia dentro da cabeça. Ora, isto não era verdade. Já se sabe que ninguém escreve dentro da cabeça e os seus pensamentos, jamais tangíveis, são feitos de pombos e não de palavras: descem até à cidade e sobrevoam as casas ao sabor do vento ou contra ele, uns atrás dos outros, desaparecem nas esquinas mais escuras, em trajectórias que mais ninguém conhece. Passam também em frente à janela de Orhan Pamuk, mas não o vêem. Ele, sim. Vê-os. E ela vê-o a ver os pombos, gosta de o ver a ver os pombos. Coloca-o à janela para ele ver os pombos. Imagina Orhan Pamuk de pijama, de roupão, de fato de treino, de camisa branca, de t-shirt, não sabe que roupa escolher para Orhan Pamuk. Diz que escreve dentro da cabeça, mas ninguém lê o que escreve, por isso ninguém acredita. Ela também não lê o que escreve, portanto é possível que nem ela acredite. Pega na tesoura de poda, mas não consegue encontrar a raiz daquela falta profunda. Encolhe os ombros e fuma cigarros. Também escova os dentes várias vezes por dia e faz outras coisas, como falar ao telefone, comprar pijamas e chocolates. Um desperdício de tempo, de água, de dinheiro, de saúde, de latim. Não lhe faz bem não escrever: a cabeça fica cheia de pombos e não há espaço para uma praça, para um sopro, para uma janela, por isso os pombos não voam e bicam-lhe a cabeça sem parar, 10 horas seguidas, todos os dias. O sol já é um sonho na cidade sempre escura e ela decide escrever. Pensa em Orhan Pamuk e sente uma ponta de inveja. Talvez uma asa de inveja. Duas asas, um pombo, um bando inteiro de inveja. Está mau tempo em Bruxelas. Doem-lhe os ombros e os olhos.
Um pombo pousa no seu parapeito, mas ela não o vê. Está de costas. A escrever. Que azar.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Discurso diarístico sem mim – Parte I

Não escrevia desde o primeiro dia. Ora, esse dia [o primeiro] tinha sido há imenso tempo dentro e fora da cabeça e daquela dimensão que era o tempo a contar desde o primeiro dia à volta do sol e de si própria. Tinha, no entanto, uma enorme urgência da escrita. Uma enorme urgência para a escrita. Na escrita. Pela escrita. Dir-se-ia que a urgência da cabeça, do tronco e dos membros estava desfasada da tal dimensão à volta do sol. Ou que a urgência fazia parte da espera, não obstante a urgência.
A meio da tarde, a pálpebra inferior do olho direito saltava como o coração de um passarinho. Isto acontecia todas as tardes, por volta das 14 horas e 10 minutos, a hora perfeita dos relógios sem horas. Quem já teve um passarinho na mão, conhece o seu compasso acelerado.
Assim saltava a pálpebra inferior do olho direito e isto incomodava o resto do corpo, o resto do tempo, o resto do mundo: tudo parecia estar em sintonia com o coração do passarinho, escondido atrás da pálpebra.
O dia 8 de Setembro de 2009 parecia-lhe um óptimo dia para acabar com aquela espera que, como já se disse, não era uma espera, mas sim uma urgência estendida no tempo. O desfasamento entre o corpo e o tempo era tão grande que mais parecia um abismo.
Dito isto, o abismo abriu-se de repente como uma boca ou como uma cortina ou como uma luz ao contrário [por ser negra] e o corpo caiu devido à gravidade ou à vontade de cair [não sabemos].
A professora de português do 5.º ano chamava-se Lídia Inês Pinto e este nome parecia-lhe tão bonito que o corpo desfasado do tempo desconfiava que ela [a professora] era, afinal, uma das suas personagens. Tinha, no seu entender, que era pouco e parcial, um certo jeito para todos os nomes que não o seu e o nome daquela professora parecia-lhe seu e não dela [da professora]. Isto a propósito da escrita, porque a professora fictícia ou real [pouco importa] lhe disse, certa vez, que o discurso diarístico era o princípio da escrita. Depois explicou porquê, mas ela [a do abismo] não se lembrava da razão. Do resto, sim, lembrava-se. Tão claramente como do rio Tejo. Tinha algumas memórias [não muitas, não todas] e aquela era uma delas. A professora podia ser fictícia, mas o conteúdo era real.
O princípio da escrita era, pois [talvez], o início do corpo: eventualmente, o tal coração de passarinho atrás da pálpebra inferior do olho direito.
Para que se saiba, estava a ler o Livro do Desassossego. [Ah!, diz o leitor, daí o seu desassossego, a sua urgência, ou parte dele e parte dela.] Também lia outras coisas ao mesmo tempo, mas o Livro do Desassossego era o princípio de outras coisas. Também fazia parte daquele princípio, mesmo que a posteriori do princípio.
O abismo, de natureza opaca e rugosa, assustava-a, por isso susteve a respiração durante a queda. Também fechou os olhos. Por causa disso ou apesar disso, o coração de passarinho atrás da pálpebra inferior do olho direito parou de bater e houve, dentro da cabeça, um pressentimento de morte.
A morte do coração atrás da pálpebra era, naturalmente, uma coisa boa, porque matava de uma vez por todas, não a urgência, não a saudade, mas, pelo menos, o tempo [perdido]. Assim pensava o coração original, maior do que certos pássaros, e, correndo desvairado, soprou sangue, vento, poeira e escrita pela cabeça, o tronco e os membros.
Era o segundo dia.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Primeiro dia



No primeiro dia, a rapariga ficou mais velha. Acordou de manhã e viu isso mesmo, que estava mais velha. A constatação passou-se em frente ao espelho, mas o envelhecimento não, tinha sucedido provavelmente antes, durante a noite. A rapariga só dera por ela de manhã e olhou para si própria em frente ao espelho. Fenómeno esquisito.
Depois foi fazer café. A rapariga, agora mais velha, pensou que não era mau envelhecer.
O homem ilimitado andava à solta pela casa e assobiava ilimitadamente. A rapariga chamou-o como quem chama um pássaro, mas o homem ilimitado não era um pássaro porque era mais parecido com o Peter Pan: tinha uma terra longínqua dentro dele. Além disso, tinha asas nas mãos, nos pés, nas orelhas, nos cabelos. Também tinha voos no corpo e muitos ventos. Não era um pássaro.
A rapariga, agora mais velha, ligou a música. Ouvia M. Ward dia sim, dia não: num dia passava os minutos todos atrás dele, no dia seguinte ignorava-o, para que ele fosse atrás dela. Uma história de amor como as outras. Naquele domingo, por exemplo, a rapariga não ouviu M. Ward, o que foi uma pena, porque o M. Ward tinha sido a banda sonora perfeita para aquele primeiro dia.
A rapariga, agora mais velha, comia torradas despreocupadas com ovos mexidos. O homem ilimitado também. Falavam de boca cheia porque queriam comer e falar ao mesmo tempo.
Não, não era mau envelhecer. Desde que houvesse pão e café de manhã. Desde que a música tocasse aos domingos. E o homem ilimitado assobiasse. Ilimitadamente. À solta pela casa.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Não obstante as brumas

Aquela rapariga anda de sandálias brancas não obstante as brumas e a inevitabilidade da chuva. Anda contente de pés ao léu, ostentando as suas unhas lindíssimas, pintadas de fresco.
A rapariga de sandálias brancas acredita piamente no Verão, mesmo que daqui a pouco ande a chapinhar em poças de água.
Outras raparigas acreditam noutras coisas. Aquela acredita no Verão. (As raparigas arabescas, por exemplo, que andam por aí encarapuçadas como criminosas acreditam em coisas mais invernais e, portanto, menos iluminadas.)
A rapariga de sandálias brancas e unhas pintadas de fresco atravessa a rua e polvilha a estrada de Verão, qual Sininho na terra do sempre.
Quase desejamos que chova para a ver chapinhar na água.
Em Bruxelas, o Verão é assim. Uma questão de atitude. De crença. E não uma estação.
O autor e o narrador converteram-se. E vão pintar as unhas dos pés.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Os que escrevem

Os que escrevem nem sempre escrevem. Às vezes fazem outras coisas. Por norma fazem outras coisas. O autor e o narrador deste texto supõem que os outros, que fazem outras coisas, também escrevem. Os que escrevem nem sempre escrevem. Por vezes mascam pastilhas elásticas. Andam de comboio. Vão ao mercado. São iguais aos que fazem outras coisas, só que preferem escrever a fazer outras coisas. O autor deste texto, na verdade, prefere comer chocolate a escrever. O narrador não, gosta mais de escrever. Por vezes nem o autor nem o narrador escrevem, ficam a meio, entre o pensamento e a escrita. Por vezes a palavra é mais bonita entre o pensamento e a escrita. Por norma a palavra é mais bonita entre o pensamento e a escrita. Às vezes os que escrevem lêem o que os outros escrevem. Gostam do que os outros escrevem. Têm inveja do que os outros escrevem. Às vezes têm medo.
Uns escrevem mais que os outros, melhor que os outros, mais forte que os outros, mais opaco. Os que escrevem só têm isso em comum: escrevem. Nem todos os que escrevem são escritores. A maioria é outra coisa. Alguns são tradutores. Ou medíocres. Ou as duas coisas. Os que traduzem põem noutra língua o que os outros escrevem. Os que escrevem também viajam. Também compram pão. Também vão à livraria Galileu em Cascais comprar o último romance do José Eduardo Agualusa. Também vão à praia. E a Aveiro. No comboio. Alfa pendular. Os que escrevem nem sempre escrevem no comboio. Às vezes ouvem música. Ou lêem o que os outros escrevem. Ou fazem as duas coisas ao mesmo tempo. Outras vezes não fazem nada. Mascam pastilhas elásticas. Ou olham para a capa do último romance do José Eduardo Agualusa.
Os que escrevem têm medo. Da noite. Do dia. Do lobo mau. Dos cabelos negros do Agualusa. De Angola. Os que escrevem compram livros, mas nem sempre os lêem. Os que escrevem são iguais aos outros. Medíocres, pequeninos, invejosos. São iguais aos que fazem outras coisas, só que preferem escrever a fazer outras coisas. Só isso.
Tenho medo do José Eduardo Agualusa.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Johnny Depp

Neste fim-de-semana tive vontade de dar um par de estalos no Johnny Depp. Um estalo com a palma da mão direita e outro com as costas da mão direita, tudo isto em dois segundos: traz, traz.
Há quase 20 anos, na altura da série 21 Jump Street, o Johnny Depp era-me tão indiferente como bróculos cozidos, mas agora já não é assim. Gosto dele como de queijo fresco e eu gosto muito de queijo fresco.
Comecei a ter um fraquinho pelo Johnny Depp na altura do cavaleiro sem cabeça, por causa do rosto muito branco e do fato muito negro, o seu ar sombrio que trazia à memória os vestígios das suas inesquecíveis mãos de tesoura. O Johnny Depp tinha, já nessa altura, o Bem e o Mal no corpo, a Bela e o Monstro.
Este contraste cativa-me.
Quando se vestiu de Willy Wonka, quis saltar para dentro da sua cartola para entrar na sua cabeça. Também simpatizei com a sua madeixa branca e com o seu rosto ainda mais obscuro em Sweeney Todd.
Todas estas personagens e também o facto de Johnny Depp ter encarnado, a certa altura, Sir James Matthew Barrie fizeram com que lhe perdoasse todos os disparates, incluindo o bigode e a pêra que usou naquele filme enjoativo sobre chocolate.
Mas só quando Johnny Depp perdeu definitivamente o tino e pintou os olhos de negro para se transformar em Jack Sparrow é que tive vontade de me atirar ao mar e procurar aquele pirata improvável.
Ora, neste fim-de-semana fui ver o Public Enemies. O Johnny Depp é, nem mais nem menos, John Herbert Dillinger, o bandido americano mais procurado dos anos 30 que assalta bancos como quem rouba ameixas no quintal do vizinho. Johnny Depp anda com uma arma por baixo do sovaco, veste fato completo com colete no meio, frequenta bares de jazz e conquista a belíssima Marion Cotillard com duas frases: I like baseball, movies, good clothes, whiskey, fast cars... and you. What else you need to know?
Isto passou-se no filme, como é evidente, porque, na vida real, qualquer mulher – especialmente a Marion Cotillard – teria passado por cima de Johnny Depp, calcando-o cuidadosamente com os finíssimos saltos altos. Na vida real, com esta deixa, só Al Pacino teria levado a rapariga para casa. Mesmo o Robert De Niro não teria conseguido mais do que um beijinho na testa.
O Johnny Depp é ridículo num papel igual aos outros, porque não é um homem igual aos outros. O Johnny Depp é especial de corrida, tem de ser tratado como tal. O Johnny Depp devia ser fustigado por tentar ser igual aos outros.
Tenho a certeza de que Marion Cotillard não pensaria duas vezes, se tivesse pela frente o pirata das Caraíbas. Também ela se atiraria ao mar.
O Johnny Depp é um saltimbanco e não um assaltante de bancos. E devia levar um par de estalos para ver se aprende a lição.